29 de setembro de 2015 | Ano 2, Edição #18 | Texto: and | Ilustração: Isabela Zakimi Innocentini
Felicidade nos nossos termos

“Faça faculdade!” “Seja famosa!” “Escreva um livro!” “Fique milionária!” “Tudo isso antes dos 25 anos de preferência porque olha essa pessoa aqui, fez tudo isso e muito mais!”

É muito, muito comum nos sentirmos pressionadas pela conquista alheia. É como se a ideia de linha de chegada, de “yes!! agora sim sou feliz!” pudesse ser comum a todos, quando, na realidade, não é bem assim.

Não é tão simples assim estabelecer um ponto em que a vida ~deu certo~ e, dele em diante, tudo fica bem e, então, finalmente somos felizes. A felicidade não é um estado permanente, e, por isso, ela não é um objetivo final, não é um fim em si mesma. Então – acredite! – mesmo aquelas pessoas que realizaram absolutamente tudo o que desejavam na vida (essas pessoas existem?) ficam tristes às vezes. Sentem medo, angústia e ansiedade. Se questionam, perguntam-se se era aquilo mesmo que queriam e como teria sido ir por outro rumo. Tem uma frase do Pete Wentz (vocalista do Fall Out Boy, pois é) que fala exatamente isso: “Todo mundo que você idolatra acorda com medo de ser quem é às vezes”.

Toda gente no mundo tem medo. Medo do futuro, de não conseguir o que quer, de errar, de fazer a escolha errada, de não atingir o máximo do seu potencial. E isso serve tanto pra mim e pra você, quanto serve pro Pete Wentz, pra Valesca e pra Beyoncé. Na verdade, é meio engraçado pensar nisso. Nós todos temos tanto medo do futuro que queremos loucamente saber o que vai acontecer – e, mesmo assim, não queremos spoiler de Game of Thrones. Mas aqui já é digressão. A questão é: todo mundo tem medo de não ser feliz, mas a gente esquece que felicidade não vem com fórmula.

Muitas vezes colocamos esse ideal do que significa ser feliz, ignorando que nós mudamos e, logo, nossos ideais também vão mudar. Não tem como termos um padrão para felicidade,  b²-4ac não vai ser igual a “eu e minha miga felizonas” nunca nessa vida (a não ser que essa seja a resposta para a prova e você e sua miga tenham acertado, diferente de nós aqui, que somos tão de humanas que nem assim acertaríamos a questão), simplesmente porque não somos estáticas.

Se cada um tem sua personalidade, é óbvio que vamos querer coisas diferentes! Alguns vão querer ter um pós-doutorado em física quântica, outros vão querer ter uma família gigante com vários gatinhos e cachorros, e outros ainda vão querer ser presidentes de uma mega empresa. E vai ter gente que vai querer tudo isso junto! Uns vão dar prioridade ao caminho das conquistas pessoais, outros das profissionais, e tem terceiros que irão na onda espiritual e se mudarão para uma comunidade alternativa perto de Paraty. E todo mundo, sem exceção, vai se perguntar se seguir outro caminho não teria sido melhor. Então, simplesmente não dá para querer se pautar pelo que outras pessoas consideram ser realização. Fazer isso só leva a frustração.

Não importa qual o seu ideal de felicidade. Se você acredita nele, vá em frente! Particularmente, quando eu, Clara, era pequena, eu fazia questão de “perder” no Jogo da Vida, porque me parecia muito melhor virar filósofo no mato do que ter uma empresa super milionária. Pra mim, isso não era perder. Mas, depois de um tempo também, percebi que ser filósofa no campo não era o suficiente pra mim e que, na real, eu quero sim conquistar o mundo. E, olha só que incrível, ambas as opções são válidas! Porque não importa a sua escolha desde que ela seja sincera, real e, principalmente, aquilo que você, de verdade, quer fazer. Você não precisa ter vergonha dela. Você não precisa ter vergonha de querer ser eu, você, dois filhos e um cachorro (cê topa?). Você não precisa ter vergonha de querer ser a próxima Coco Chanel. Você não precisa ter vergonha de querer participar de uma comunidade hippie em um lugar que seus pais e seus amigos nunca ouviram falar.

Muitas vezes a vergonha é em relação ao que o outro vai pensar de você, se vão dizer “nossa, coitada, tinha tanto potencial e largou tudo pra ser mãe” ou “ela trocou a chance de um grande amor para conseguir ser presidente da empresa”. Mas se você acredita no que está fazendo, nada disso importa. Se você se sente realizada, plena, feliz, você está bem. E se você chegar lá em cima, no ápice do que você considera felicidade e, de repente, aquilo já não fazer sentido pra você, também não tem problema. É respirar fundo e ir em busca de algo novo.

Felicidade é construção constante. E essa talvez seja nossa maior conquista: saber lidar com todas as variáveis. É saber que mudar de caminho no meio do trajeto é também uma opção, que a felicidade tem várias faces e momentos, e é diferente para cada um. Vá em frente, procure a sua e sem medo de desviar da rota!

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

  • heartsugarcubes

    Estava precisando tanto ler isso. Muito obrigada meninas <3

  • Marina Bagatini

    Eu já amo todos os temas mensais da Capitolina, mas esse em especial ganhou meu coração, ainda mais nessa fase de crise existencial não-sei-o-que-estou-fazendo-da-vida em que me encontro. Obrigada, esses textos maravilhosos ajudam muito! <3

    • http://biadrill.tumblr.com/ Beatriz Trevisan

      <3

  • Brenda Lima

    <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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