28 de fevereiro de 2017 | Ciência & Tecnomania | Texto: | Ilustração: Yasmin Lopes
Ficção científica e mulheres – uma dupla poderosa!

Eu sempre fui fã de filmes de ficção científica, e quando adolescente me imaginava em laboratórios fazendo os experimentos mais mirabolantes e criando monstros modificados geneticamente que fugiam do meu controle e destruíam São Paulo. Felizmente isso nunca aconteceu, mas eu acabei fazendo ciência com metabolismo de plantas. Quando eu assistia aos meus filmes preferidos, nunca via mulheres encabeçando laboratórios ou coordenando pesquisas. Eu via homens brancos bem sucedidos, e geralmente as poucas mulheres cientistas eram retratadas como loucas, manipuladoras, más e inferiores aos colegas do sexo masculino.

Na maioria dos meus filmes preferidos, como Gattaca (1997), Jurassic Park (1993), as mulheres não são personagens complexas e determinantes no roteiro, e não são as cientistas que fazem as descobertas importantes. Claro que Dra. Ellie Sattler, a paleobotânica de Jurassic Park, é importante para a história – mas ela não tem o mesmo nível de destaque que os outros colegas, especialmente no filme (no livro eu achei a personagem é um pouco mais desenvolvida).

Só o fato de termos que pensar em mulheres cientistas, e não apenas cientistas, para ter a imagem de uma mulher na cabeça, já é um absurdo, né?

Mas ainda nesse mundo em que cientistas são sempre homens, algumas personagens foram determinantes na construção do meu imaginário do que seria uma cientista no feminino.

Uma das primeiras cientistas que me inspirou foi a Abby Sciuto, do seriado americano NCIS. Abby está sempre de preto, tem um estilo gótico, e é vista como uma pessoa estranha pelos colegas. Abby é especialista em análise de DNA para investigações forenses e é fundamental para resolver os crimes que a equipe investiga. Mas é impossível não notar uma coisa: ela é apresentada como excêntrica, louca ou como você preferir classificar. Ela reforça o estereótipo que mulheres inteligentes demais não são “normais” – e que menina quer ser cientista pelo preço de ser vista como uma aberração pela sociedade?

Dr. Jo Harding era uma meteorologista e “caçadora de tempestades” no filme Twister. O interessante dessa personagem é como a vida pessoal dela influenciou a carreira: ela perdeu os pais em uma tempestade, então decidiu estudar meteorologia. Claro que é uma história plausível, porém é muito recorrente como as mulheres precisam de motivos especiais ou traumas para seguir a carreira científica em diversos roteiros.

Filmes como Alien (1979) conseguem quebrar mais estereótipos de gênero do que muitos filmes mais recentes. Ellen Ripley era protagonista dessa ficção dos anos 70, e foi a única sobrevivente de uma missão espacial, lutando contra alienígenas sozinha. Essa personagem é muito desenvolvida durante o filme, envia mensagens para a família (e portanto não é retratada como uma mulher solitária e frustrada por ter abandonado a maternidade para ser pesquisadora e astronauta).

Alguns outros filmes e séries de ficção científica tiveram sim mulheres no papel de cientistas, mas até que ponto elas são determinantes na histórias varia muito. Produções como Guerra nas Estrelas, Battlestar Galatica, Doctor Who, Arquivo X e Jornada nas Estrelas foram super relevantes para inserir no imaginário popular a ideia de mulheres contribuindo para a ciência.

O resultado disso é a presença feminina crescente em ramos da tecnologia e ciências exatas, astrofísica e engenharia. Não é para menos que o novíssimo (e incrível) Estrelas além do tempo mostra as maravilhosas mulheres matemáticas que foram essenciais para programas espaciais da NASA! Então o que você está esperando para ver essa história incrível? Corre pro cinema ou procura esse filme lindo na internet, que as mulheres estão mostrando presença na ficção científica!

Carolina Sapienza
  • Colaboradora de Relacionamentos e Sexo
  • Revisora

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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