27 de setembro de 2014 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração:
Filha de mãe solteira: quase uma Gilmore Girl

Quando assistia a série sobre mãe e filha que são melhores amigas Gilmore Girls na TV, pensava: por que eu e minha mãe não somos assim?

Demorei para entender que eu e minha mãe éramos, sim, amigas. É que não via a realidade da nossa vida com as lentes coloridas de Gilmore Girls. Ser mãe solteira é sustentar, educar, corrigir – sem ajuda. Quando a coisa aperta e dá vontade de surtar… a mãe solteira tem a responsabilidade de segurar a barra.

Minha mãe é jovem e ficou solteira quando eu tinha 4 anos. Ela nunca gostou do termo mãe solteira – porque, embora ela estivesse solteira, nunca estivemos sozinhas. Fui criada por um batalhão de mulheres incríveis: mãe, avós, tia, prima e a melhor amiga da minha mãe sempre estiveram presentes. Fui a “companheirinha” da minha mãe até sair de casa com 19 anos (e quando volto para visitar, ainda sou). Gostamos de fazer coisas juntas mas não gostávamos de fazer as mesmas coisas. Minha mãe gosta de andar de bicicleta, correr e fazer caminhadas… eu era preguiçosa e resistia todas propostas da minha mãe (às vezes até por principio adolescente rebelde). Mas, no fim, tínhamos uma a outra. Íamos no cinema na ultima sessão, quase de madrugada, levando pipoca estourada em casa na bolsa para não gastar absurdos com a pipoca de cinema. Cantávamos “Man, I Feel Like a Woman” da Shania Twain em “bate-voltas” que minha mãe inventava para irmos a praia. Recebíamos amigos e amigos de amigos em casa para jantar, passar uns dias, morar por um tempo. Nós duas, sempre juntas.

Se eu pudesse voltar no tempo e conversar com a pré-adolescente Rebecca rebelde, voltaria para contar que nossa mãe estava fazendo o melhor, mesmo quando brigávamos e brigávamos. Que a ausência da mãe é justificada porque ela estava trabalhando para providenciar a melhor vida possível para mim. Uma mulher que involuntariamente dedicou a vida para outra pessoa, deixou de lado sonhos e vontades para que eu seguisse com meus sonhos – mas ainda assim faria tudo de novo, porque, nas palavras dela, “é a melhor coisa do mundo”. Que imensa gratidão sinto por ter sido criada por uma mulher como minha mãe solteira.

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Coordenadora Editorial

Rebecca Raia é uma das co-fundadoras da Revista Capitolina. Seu emprego dos sonhos seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis e escrevendo a respeito. Ela gosta de séries de TV feita para adolescentes e de aconselhar desconhecidos sobre questões afetivas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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