3 de julho de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Fotografia em exposição
Ilustração: Jordana Andrade.

Ilustração: Jordana Andrade.

Na exposição do MAM/RJ A Inusitada Coleção de Sylvio Perlstein, uma moça, ao ver o quadro do pintor Magritte, pega o celular e posiciona para tirar foto. Assim que o faz, o monitor se levanta e diz que é proibida de tirar foto naquela exposição. A surpresa estava estampada na cara da menina. A exposição na sala ao lado era a do Ron Mueck, sim, aquele das esculturas que todo mundo foi e tirou fotos, tirou selfies e colocou nas redes sociais. Provavelmente ela pensou: “Por que naquela podia e nesta não?”. E é o pensamento lógico, né? Por que em algumas exposições pode tirar fotos e outras não? Aqui vão as respostas viáveis para este questionamento:

Danificação das obras ali expostas
Não é sempre explicado, mas as pinturas e fotografias são sensíveis a flash. Uma quantidade grande de flash disparado pode saturar a cor da obra e assim num período curto de tempo a obra fica esbranquiçada e sem forma. Para que seja evitado este tipo de coisa, pede-se para não tirar foto. Há algumas exposições que permitem, mas sem o flash.

Direito autoral
Não é toda obra que está na internet. Algumas são exclusivas, feitas para o próprio dono da coleção ou algum croqui não finalizado de uma obra inteira. Para que não corra o mundo e a exclusividade acabe e o valor da obra diminua, pedem para não tirar foto de maneira nenhuma.

Curadoria não permite
Antes de qualquer coisa, a definição de curadoria é de um grupo de pessoas que monta, planeja e cria uma exposição. Eles que pagam o seguro de cada obra (e é caro), que cuidam de cada detalhe para que a exposição seja boa. Então decidem, quase sempre, se vai poder tirar fotos ou não. Por motivos internos, que às vezes não são passados pelos monitores, ou por motivos externos, como “atrapalhar a visitação”.

Há uma grande discussão no mundo das artes se realmente é necessário liberar a fotografia nas exposições, já que muitos críticos entendem que as pessoas acabam não admirando o que está a sua frente. E vocês, o que acham? Acreditam que tirar fotografia nas exposições atrapalha o entendimento dela? Ou não, que não tem nada a ver, que a foto serve para eternizar o momento? Duas meninas da revista responderam:

Não atrapalha:
“Eu não acho que atrapalha, porque acho que não interfere na experiência das pessoas ao redor, só documenta aquilo pra mais tarde (…) Acho que tem pessoas que se sentem mais à vontade com a ideia de que eternizaram aquilo pra poder ver depois. Acho que vai um pouco de pessoa pra pessoa, como nos shows também. (…) Minha mãe é do tipo que cada viagem que faz tira trocentas fotos e mostra cada uma contando de cada coisa que viu, e eu acho que se ela ficar sem o celular pra qualquer ida na padaria ela se sente super nua, como se não tivesse como aproveitar aquilo, sabe? Acho que pra algumas pessoas é uma questão de como elas lidam com memórias/experiências no geral.” – Gabriela Martins

Atrapalha sim:

“Acho que tem experiências que não podem ser mediadas por foto; tipo, você quer tirar aquela foto pra quê? Acho que a gente tá experienciando as coisas demais através de uma telinha em vez de viver pelos nossos próprios olhos, que são muito mais poderosos que qualquer lente ou filtro. Não pensei tanto nisso de atrapalhar a pessoa do lado, mas talvez possa ser também: imagina, uma exposição mais cheinha, as coisas são pra ser experimentadas em fluxo, e tem alguém que fica parado no meio atrapalhando o “andamento” porque tá tirando foto; e nem sempre quero sair de figurante na foto alheia quando tô numa exposição. Mas também tem instalações que não apenas se prestam mas também convidam fotografias. Essas são construídas pra isso e aí nao tem problema algum. Acho que as pessoas fazem um pouco sem pensar esse processo de remediação que é passar da vida pro filme/tela digital. Fora que em câmeras de celular você frequentemente chapa imagens ou distorce a profundidade delas sem muito controle, já que nao tem muita mudança de obturador…” – Ana Paula Pellegrino

E você? O que acha?

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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