26 de junho de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Futebol das minas
Ilustração: Dora Leroy.

Ilustração: Dora Leroy.

A Copa está rolando. O futebol masculino impera nos assuntos brasileiros, especialmente neste mês. E não adianta vir com papinho de que quem assiste o jogo é ignorante, burro, alienado ou coxinha. Convenhamos que, no Brasil, o futebol é importante, faz parte da gente. Nos campinhos, terrenos baldios, gramados ou beiras de praia, sempre tem quem jogue futebol. E a imagem que nos vem à cabeça é qual? Meninos jogando futebol. Meninos juízes.  Só meninos. E se alguma menina quer se meter, capaz que apareça alguém para chamá-la de “Maria Chuteira”, que é o apelido (bem idiota, por sinal) que dão para aquelas que namoram jogadores de futebol.

Mas, se você visitar o Centro Cultural São Paulo até o dia 13 de julho, verá que não é bem assim. Lá está rolando a exposição “As donas da bola“, realizada por um time de 11 fotógrafas: Ana Araújo, Ana Carolina Fernandes, Bel Pedrosa, Eliária Andrade, Evelyn Ruman, Luciana Whitaker, Luludi Melo, Marcia Zoet, Marlene Bergamo, Mônica Zarattini e Nair Benedicto. Elas retrataram, pelas lentes de suas câmeras, mulheres que arrasam no futebol, mulheres de diversos lugares, mulheres com infinitas histórias, mulheres que às vezes são meninas – como as jogadoras do Amizade Futebol Clube, todas com idade entre 12 e 19 anos.

Eu fui até lá no penúltimo sábado. Quando vi aquelas fotos, clicadas com toda a exatidão necessária aos momentos espontâneos, pude observar as meninas com garra atrás da bola, as freiras bacanas correndo na quadra, os objetos de recordação, as bandeiras de time, os bonequinhos do Maradona… Vi que essas mulheres boleiras (de bola, e não de bolo!) também existem e também merecem destaque. Eu sou bem perna de pau, confesso. Mas fico aqui, na torcida por elas.

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Outra coisa legal é que o Centro Cultural fica ao lado (juro, ao lado mesmo!) do metrô, não precisa pagar pra entrar nem pra ver a exposição, e depois ainda dá pra deitar no gramado, ver algum espetáculo ou filme, fuçar a biblioteca ou ver os ensaios de dança dos grupos que treinam nos pátios abertos do espaço.

Se você não for tão perna de pau quanto eu, talvez se empolgue a encarar esse esporte, tão aceito só para homens, e talvez até forme um time feminino. Ou então se empolgue a sair por aí, fotografando os momentos bonitos que vê pelo mundo.

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Aqui vai uma prévia:

Helena Zelic
  • Coordenadora de Literatura
  • Ilustradora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Helena tem 20 anos e mora em São Paulo. É estudante de Letras, comunicadora, ilustradora, escritora e militante feminista. Na Capitolina, coordena a coluna de Literatura. Gosta de ver caixas de fotografias antigas e de fazer bolos de aniversário fora de época. Não gosta de chuva, nem de balada e nem do Michel Temer (ugh).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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