24 de abril de 2014 | Artes, Literatura | Texto: | Ilustração:
Gabriel García Márquez foi para Macondo

Ilustração: MazôIlustração: Mazô

Talvez alguém tenha comentado ou você tenha lido em algum lugar que na quinta passada (dia 17), morreu o escritor Gabriel García Márquez. Talvez isso não tenha te afetado. Tudo bem. Mal ou bem, ele já estava mesmo velhinho, sem contar que estava internado há algum tempo. Era de se esperar que, mais cedo ou mais tarde, Gabo (para os íntimos) partiria. Mas, mesmo assim, a morte dele repercutiu em quase todo o globo, e por quê? Quem foi esse cara que fez tantos ficarem tristes com sua morte?

Gabriel García Márquez nasceu na Colômbia, mas morou em muitos países por conta de seu trabalho como jornalista. Ficou mundialmente conhecido por sua literatura, na época, completamente diferente do que já se havia visto: o Realismo Mágico. Este gênero literário se tornou muito forte na América Latina e consiste, basicamente, em uma mistura do real e do onírico, ou seja, da vida que vivemos e de uma espécie de sonho. Assim, seus livros são recheados de coisas que não sabemos explicar ao certo, coisas fantásticas. É o caso, por exemplo, da cena em que Remédios, a bela, que era sempre seguida de borboletas amarelas, se eleva aos céus e nunca mais volta, em Cem anos de solidão, escrito em 1967.

Para García Márquez, o mais importante não era a verdade, mas sim como ela era contada. Em seus contos e romances, era isso o essencial: como as personagens percebiam o mundo em sua volta. E elas o percebem de uma maneira mágica.

Outra coisa que se percebe é a constância de uma cidade em seus escritos: Macondo. Seu primeiro romance, O enterro do diabo: a revoada, já se passava lá. Criada como uma tentativa de reconstruir o Caribe, sem exata localização,o que sabemos de Macondo é que ela está entre montanhas, um pântano, uma selva ao norte e próxima a uma costa marítima. Assim, podemos perceber que qualquer lugar da América Latina poderia se encaixar na cidade, facilitando a identificação com a narrativa. A história de Macondo se funde com a história da família Buendía, narrada em Cem anos de solidão, livro o qual rendeu o Prêmio Nobel da Literatura para Gabriel García Marquez em 1982.

Em seu discurso na entrega do prêmio, Gabo fala claramente de sua preocupação com a América Latina e o nomeia de “A solidão da América Latina”. Nele, cita problemas em diversos países, questões históricas ligadas à colonização, mas, acima de tudo, expressa sua fé numa “nova e arrasadora utopia de vida, onde ninguém possa decidir pelos outros até mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra.”.

Em 2009, depois de mais de vinte livros publicados e alguns prêmios concebidos, o escritor declarou aposentar-se. Três anos depois, Gabriel García Márquez foi diagnosticado com demência e perdeu parte de sua memória. Depois disso, definitivamente, não haveria mais como Gabo nos contar suas histórias.

Apesar da parada total agora com sua morte, García Márquez não nos abandonou. Podemos visitá-lo em Macondo sempre que quisermos e, caso você ainda não o conheça, também pode pegar um trem e se aventurar por essa terra tão real quanto imaginária.

 

Aqui vão alguns livros de Gabriel García Márquez, caso você tenha se interessado:

– Cem anos de solidão

– Crônica de uma morte anunciada

– O amor nos tempos do cólera

– Do amor e outros demônios

– Memória de minhas putas tristes

Clara Browne
  • Cofundadora
  • Ex-editora Geral

Clara nasceu em 1994 no Rio de Janeiro, mas se mudou para São Paulo ainda pequena. Estuda Letras e sempre gostou mais de poesia do que de prosa. Ama arte moderna, suéteres e o musical Jesus Cristo Superstar. Aprendeu a fazer piadas com seu nome e sobrenome por sobrevivência. Em setembro de 2013, teve a ideia da Capitolina, a qual co-editou até setembro de 2016. Hoje em dia, ela escreve pra um montão de lugares. É 50% Corvinal e 50% Lufa-Lufa.

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