18 de fevereiro de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Game do Mês: Braid

“Tim anda à procura da Princesa para salvar. Ela foi raptada por um monstro horrível e malvado. Isto aconteceu porque Tim cometeu um erro.”

Era uma vez um homem chamado Tim, que tentava resgatar uma princesa detentora de grandes tranças (braid, em inglês) de um monstro. A história parece previsível, mas na verdade ela vai se tornando cada vez mais enigmática e leva a múltiplas interpretações simbólicas – para mim, trata-se da fábula sobre um relacionamento oscilante.

Eu tava louca para escrever sobre To the Moon, mas como a pessoa que me indicou o fez me desafiando a não chorar – e como eu não estava em clima para isso –, resolvi jogar Braid (mas fico devendo o To the Moon para outro mês!), que foi indicado pela mesma pessoa e me soou uma opção mais leve.

Ó, doce engano!

Esse jogo chegou tímido no meu computador e se tornou um grande amigo durante uns dias difíceis. Foi impossível ler sobre os erros do Tim sem vestir alguma carapuça. Quando vi que “Tim tinha cometido um erro” e “Não apenas um: ele cometeu vários erros durante o tempo em que estiveram juntos, todos esses anos” eu já tava deixando um rolo de papel higiênico e um pote de sorvete de flocos estrategicamente posicionados, pois sabia que viriam coisas mais pesadas do que essas. O que se seguiu foi uma história sobre hesitação, perdão e decisões. <3

Imagem: Reprodução.

Imagem: Reprodução.

Braid oferece aspectos tradicionais do gênero de plataforma: o jogador corre, pula, derrota inimigos e escala plataformas em uma série de níveis lineares enquanto soluciona quebra-cabeças baseados na manipulação do tempo.

A preocupação do desenvolvedor na hora de realizar esse projeto fica clara em todo o momento, e percebe-se um cuidado em valorizar a atenção do jogador que está focado no jogo, compensado com o “estalo” de que zerá-lo pela via mais curta “só” fará que você não desvende a história completa.

Os cenários são compostos por um dilúvio de cores e repletos de luz que, acompanhados da trilha sonora indescritível, cria um universo incrivelmente mágico e imaginativo.

Imagem: reprodução.

Imagem: reprodução.

Braid é um jogo de plataforma independente produzido por Jonathan Blow. Foi lançado em agosto de 2008 e já havia recebido o prêmio na categoria Innovation in Game Design da Independent Games Festival de 2006. No fim das contas, ele é mais uma brincadeira de desconstrução do gênero plataforma tradicional do que propriamente uma cópia do Super Mario. Por isso, tornou-se muito influente não só para os games indies, mas para a maneira como jogos são comumente interpretados. Dizer mais do que isso seria spoilar a experiência, então fica para vocês a deixa de irem lá jogar!

RUIM: O jogo em si é curto, mas se você resolver zerar 100% ganhará algumas horas a mais de brincadeira. E sim, você vai se frustrar, vai ser difícil e você correrá risco de arrancar tufos do próprio cabelo.

BOM: Dá aquele gostinho de poder corrigir um erro milimétrico sem quebrar o ritmo da fase com checkpoints.

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