5 de novembro de 2015 | Esportes | Texto: | Ilustração: Kiki
Garotas radicais

Não é nenhuma novidade que a questão de distinção de esportes por gêneros, principalmente na infância, gera a diferenciação de “ esportes de menino” e “esportes de menina” (ideia essa que a coluna de esportes da Capitolina pretende descontruir). Até pouco tempo atrás, éramos ensinadas que esportes radicais estão associados à masculinidade, pois o homem é “por natureza” visto como mais forte, ágil e corajoso e a mulher é vista como  frágil, passiva e emocional. Portanto, historicamente falando, não havia muito espaço para as mulheres nessas práticas esportivas.

O skate é um desses esportes radicais que culturalmente eram relacionados mais ao universo masculino do que ao feminino. Isso acontece porque o esporte tem como base a aventura, o risco e o desafio que são características sempre associadas aos homens. O skate, que já foi conhecido como sidewalk surf ou surf de rua, desde suas origens conta com a presença de mulheres deslizando pelas ruas, só que devidos a esses estereótipos e preconceitos elas foram colocadas à margem do esporte.

O skate feminino no país ainda está em ampla construção, sendo um espaço de debate sobre gêneros, investimento e hierarquia (já que os homens ainda são vistos como referências no esporte). E nos últimos anos tem conquistado mais visibilidade e reconhecimento, principalmente por causa da popularização do esporte.

Leni Cobra, foi a primeira campeã brasileira de skate feminino da história, e abriu caminho para o esporte, quando ganhou o 1º Campeonato de Skate em 1987. E desde então, mais nomes nacionais se somam às campeãs do esporte provando o poder das garotas. Para citar apenas algumas delas, aqui está o top 3 de garotas para conhecer e se inspirar que provam que o skate é, sim, coisa de menina.

LETICIA-BUFFONI

Leticia Bufoni, 22 anos.

Considerada a musa do skate devido a suas diversas vitórias no esporte, a brasileira ganhou o Street League Skateboarding (SLS), considerada a principal competição do skate de rua do planeta no dia 04 de outubro deste ano. Recentemente, a skatista foi morar nos Estados Unidos para seguir a profissão e é garota propaganda de várias marcas.

Rayssa Leal

Rayssa Leal, 7 anos

Essa pequena maranhense tomou conta da internet quando, vestida de fada, impressionou pela sua habilidade no skate em um vídeo que foi compartilhado milhões de vezes.  Rayssa impressionou tanto que até o Tony Hank, campeão mundial de skate, compartilhou o vídeo. A skatista já coleciona alguns títulos, sendo o principal deles a de campeã brasileira de Skate Street na categoria Mirim e atualmente está disputando uma vaga no Campeonato Brasileiro de 2016.

Karen Jonz

Karen Jonz, 30 anos.

É considerada uma das melhores skatistas da atualidade. Karen foi a primeira campeã brasileira no X Games, foi a primeira skatista feminina a assinar um modelo próprio de tênis, é tetra campeã mundial de skate vertical feminino, cheia de fãs e tem um canal do YouTube chamado Garagem do Unicórnio que dá dicas para garotas se tornarem skatistas.

Já passou da hora de descontruirmos essa ideia estereotipada de que meninos e meninas têm papéis diferentes dentro do esporte, e tem muitas meninas incríveis no Brasil e no mundo para provar isso.  Em vez de condicionarmos as pessoas a praticarem o esporte que a sociedade acha mais aceitável, que tal deixarmos que cada um invista no que gosta? Ah, e meninas: o skate é um esporte tão nosso quanto dos meninos, por isso, invistam, pratiquem e deslizem pelas ruas.

Vitória Régia da Silva
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Coordenadora de Esportes
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 24 anos, é formada em jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. É apaixonada pela arte de contar histórias e dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT.

  • Daiane Cardoso

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