23 de novembro de 2015 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Laura Athayde
Gastronomia com o mato do quintal

Quando vamos à feira, há muita variedade de verduras, legumes, raízes, caules e frutas que podemos comprar. Mas você sabia que existem milhares de outras plantas que são comestíveis? Há uma gama gigante de plantinhas que ignoramos e estão disponíveis no nosso quinta, na nossa rua e que nós poderíamos usar para o lanche da tarde!

Essas plantas são chamadas de PANCS (Plantas Alimentíciais Não Convencionais). Muitas vezes, elas são “arrancadas” do nosso quintal e jogadas no lixo porque não sabemos que elas são saborosas e possuem um valor nutricional alto! Com isso, desperdiçamos muita coisa que poderia ir pro nosso prato. Hoje em dia, podemos achar muitos sites e livros que falam sobre o assunto e até cursos gratuitos para aprender a identificar essas plantas e a cozinhá-las de forma adequada.

A identificação das plantas é um passo essencial quando se trata de cozinhar PANCS. Pessoas que não têm muita experiência podem se enganar durante a identificação e até acabar comendo uma planta venenosa! Eu sou bióloga e durante a minha graduação, estudei muito sobre a identificação de plantas, porém não precisa fazer um curso de botânica não, miga! Com alguns livros você consegue aprender a encontrar e pegar as espécies certas e fazer um banquete! 😉

Como identificar as plantas?

A primeira coisa que acredito ser importante é ler sobre o assunto e procurar livros e fontes confiáveis. Um livro bacana é o PANCS no Brasil (este aqui), porém o preço dele é salgado. Mas a salvação é usar como referência alguns sites mais confiáveis, como este aqui da UFRGS. Este outro site também é muito confiável e tem dicas super bacanas!

O que eu faço com todos esses nomes difíceis?

Não deixe os termos técnicos te assustarem! Você vai perceber que as folhas das plantas têm muito mais detalhes do que você imaginava. Algumas folhadas são “peludinhas”, algumas folhas são lisas, outras têm borda recortada, e outras podem ter borda reta. Esses detalhes são importantes na identificação correta, mas não precisa entrar em pânico. Aos poucos, pesquisando na internet, é possível dominar todos esses termos.

Preste atenção na parte utilizada e no cozimento!

Algumas plantas podem ser inteiramente consumidas (caule, raiz, folhas, frutos e flores), outras plantas só podem ter as folhas ou flores consumidas. Também é importante ver se a planta deve ser cozida antes do consumo ou não. Neste link você encontra uma pequena apostila com algumas receitas simples e você pode observar que há instruções de cozimento nas receitas.

Valores nutricionais

O mais legal dessas “verduras desconhecidas” é que elas têm elevado valor nutricional! A Ora-pro-nobis, por exemplo, tem alto teor de ferro, cálcio e vitaminas A,B e C. A azedinha também é riquissima em ferro. A Beldroega tem alto teor de óleos que fazem bem para a gente.

Cursos e oficinas gratuitos

Migas, fiquem ligadas nas redes que há muitos cursos gratuitos! Aqui em São Paulo, Capital, eu já participei de cursos pagos muito baratinhos e também de oficinas gratuitas e degustações (por exemplo, na feirinha de orgânicos do Villa Lobos). Sei que minhas dicas são apenas para São Paulo, mas podemos juntar aqui nos comentários suas dicas de onde encontrar oficinas de PANCS! <3

Alguns grupos e páginas no Facebook também são bons lugares para conseguir dicas de como identificar algumas plantas e como utilizá-las na cozinha. Eu recomendo esta página cheia de receitas de dar água na boca!

Vamos botar a mão na massa?

Depois que você conseguir identificar uma planta corretamente, você pode partir pra cozinha, amiga! Que tal fazer uma receita usando Ora Pro Nobis? Você pode por exemplo refogá-la como se fosse escarola e rechear esfirras e tortas. Ela também fica deliciosa em forma de pesto para macarrão. Ou você pode encontrar a capuchinha e comer as flores dela, que são bem picantes, ou usá-las para temperar algum prato especial! Use sua imaginação e conta pra gente como ficou!

Vou recomendar esta receita no link abaixo, que é deliciosa! E pode ser facilmente adaptada para ser vegana 🙂

Receita do Quiche de Capuchinha

PS: Procure também o blog da Neide Rigo, nutricionista paulista que ensina diversas receitas com PANCs e que criou essa receita de quiche.

Carolina Sapienza
  • Colaboradora de Relacionamentos e Sexo
  • Revisora

Carol nasceu em 1991 e mora em São Paulo. Bióloga que queria ser de humanas, gosta de escrever sobre ciência mas mantém o caderninho de poemas sempre na bolsa.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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