14 de julho de 2015 | Estudo, Vestibular e Profissão, Textos Favoritos | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Glossário de termos do feminismo
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Com uma probabilidade de 98,5%, você já deve ter deparado com algum termo que não faz ideia do que significa em uma discussão sobre feminismo. Para te ajudar a entender melhor alguns deles, fizemos um pequeno glossário para que você possa se engajar com mais conhecimento de causa nas tretas no face. Vale ressaltar que nossa versão é ultra resumida e, por isso, encorajamos você a buscar se aprofundar nos temas a partir de textos escritos por aqueles grupos com mais propriedade para falar sobre eles, por exemplo: pessoas negras falando sobre racismo. Dividimos os termos em algumas categorias, para ficar mais fácil de ligar os pontos todos.

Mulheres

Histórica e materialmente excluídas, sem acesso pleno a nossos direitos, sem soberania sobre nosso próprio corpo e sexualidade, ensinadas a competir umas com as outras, só tendo mesmo muita…

Ilustração: Clara Browne

  • sororidade: união poderosa e transformadora entre mulheres, que visa romper com o estigma de rivalidade. A sororidade é importante para fortalecer a ação coletiva do movimento feminista e, dessa forma, promover também o…

Ilustração: Clara Browne

  • empoderamento: empoderamento é um processo de aquisição de ferramentas para combater nossas opressões. É quando nos tornamos mais fortes para desconstruir os papéis que nos impõem e para lutar por equidade.

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  • migas: como estamos todas juntas nisso, é preciso que cuidemos umas das outras, porque é isso o que as migas fazem.

Machismo

O machismo é o tipo de opressão que a sociedade patriarcal produz contra mulheres. Ele se expressa de diversas formas, das mais evidentes até as mais sutis.

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  • patriarcado: o patriarcado é o sistema no qual o machismo se baseia – é sob ele que se conformaram historicamente os privilégios da classe masculina em relação à classe de mulheres. Falar em patriarcado é basicamente uma abstração teórica, mas ele se torna bastante evidente quando sofremos…

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  • mansplaining: o termo, que vem do inglês, quer dizer algo como “explicação masculina”. Você logo vai se lembrar de algum exemplo de um conhecido seu, homem, tentando te explicar um assunto que você provavelmente domina mais que ele. É uma ferramenta também utilizada para o…

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  • manterrupting: do inglês “interrupção masculina”, é quando um homem constantemente interrompe uma mulher falando – geralmente pra fazer mansplaining ou…

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  • bropriating: que significa que um cara ganhou todo o crédito por expressar uma ideia que uma mulher já tinha falado há tempos, ou seja, ele se apropriou de algo que não foi originalmente pensado por ele.

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  • friendzone: o que dizer desse termo que mal conheço e já odeio pakas? A friendzone é aquela ideia falaciosa de que se um homem é muito legal com uma mulher que ele tá a fim, sempre será visto como nada mais que um amigo e será colocado na “zona da amizade” dela. Como se uma mulher devesse algo pra algum homem só porque ele foi legal com ela.

Abuso

Os abusos que sofremos nem sempre são tão evidentes quanto a agressão física, por isso também é importante notar se você não está sendo vítima de…

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  • gaslighting: que é quando uma pessoa tenta te convencer de que você está louca, paranoica e, com isso, invalidar seus sentimentos. O gaslighting está geralmente associado ao relacionamento abusivo, sendo utilizado pelo parceiro para o controle da mulher. Outro tipo de abuso bastante sutil é o…

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  • slutshaming: quando julgamos uma mulher por ter comportamentos “de vadia”, o que quer que isso signifique. Basicamente, é quando se ojeriza uma mulher por dispor de sua sexualidade e de seu corpo livremente.

Racismo

Opressão que recai sobre pessoas não-brancas, o racismo, como todos os outros sistemas de opressão, manifesta-se de maneiras muito sutis, mas é preciso estarmos sempre atentas para evitarmos reproduzir essa violência por meio de…

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  • apropriação cultural: que é quando pessoas brancas e ocidentais, em geral, se apropriam de algum símbolo de resistência de outras culturas marginalizadas, utilizando-os como artigos da moda ou esvaziando-os do sentido original. Por exemplo, usar cocar em festivais de música é apropriação cultural, bem como usar turbante ou fazer dread como acessórios “exóticos” e “estilosos”. Isso é bastante desrespeitoso, como também é fazer…

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  • token: tokenizar é quando uma pessoa, acusada de alguma opressão, já vem com a resposta pronta “Mas eu até tenho amigos que são…”, como uma tentativa de invalidar a crítica que está recebendo.

Gênero e identidade

Quando falamos sobre identidade de gênero, apesar de ser um assunto bastante complexo, podemos ter duas ideias primordiais em mente: 1) a sociedade nos designa basicamente dois gêneros e eles correspondem ao sexo biológio com o qual nascemos: mulher e homem – o que chamamos de gêneros binários (guarde essa palavra); 2) nem todas as pessoas se sentem confortáveis com os gêneros designados ao nascer.

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  • amab/afab: não tão comuns nas internets, as siglas amab/afab são abreviações do conceito em inglês “assigned male/female at birth”, o que quer dizer exatamente o que eu falei aí em cima: designado homem/mulher ao nascer. Isso nos leva a outros termos importantes…

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  • cis: a pessoa dita cis é aquela que se identifica com o gênero a ela designado ao nascer, ou seja, uma pessoa de vagina, que, dita mulher ao nascer, se identifica com o gênero feminino. Por outro lado…

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  • trans: a pessoa trans não se identifica com o gênero a ela designado ao nascer, mas sim com outro gênero. A pessoa trans pode ser binária, que é quem se identifica com o gênero oposto ao seu sexo biológico, ou…

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  • nb: não-binária, que é a pessoa que não se identifica com o gênero imposto ao seu nascimento, mas tampouco se identifica com o gênero oposto.

Ufa, quantos termos em inglês… Fica a dica aí pra tentarmos formular os nossos próprios termos, de forma que fique mais acessível para todas nós!

Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira nasceu em São Paulo, no dia 10 de abril de 1994. Reside em Guarulhos, mas estuda Relações Internacionais na longe-de-casa Universidade de São Paulo. Seus hobbies são estudar línguas, ler, assistir a filmes e séries, sair, dançar e tagarelar. Como qualquer internacionalista (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Sua maior frustração é não ter feito ballet (ainda!) e sua segunda maior frustração é ser alérgica a gatinhos, razão pela qual nunca pôde ter um. Mas nada a impede de ter, atualmente, dois cachorros. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha, aluna mediana.

  • Raquel Carneiro

    Que tal uma matéria aprofundando esse lance de “apropriação cultural”? Acho difícil separar o que é e o que não é :s

  • Lila Cruz

    Legal demais esse glossário! Dá vontade de fazer uma cartilha com ele <3

  • xDDevil

    Obs: n-bs podem se identificar com os dois gêneros binários, ambos em partes, somente um em parte, nenhum, dois, três, quatro, vários ao mesmo tempo, fluir entre gêneros, enfim, várias possibilidades e experiencias diferentes (e não somente nenhum dos binários como diz no texto) ^^

  • xDDevil

    Ótimas explicações, mas uma observação: n-bs podem se identificar com os dois gêneros binários, ambos em partes, somente um em parte, nenhum, dois, três, quatro, vários ao mesmo tempo, fluir entre gêneros, enfim varias possibilidades e experiencias diferentes (e não somente nenhum dos binários como diz no texto) ^^

  • Lari

    Apenas uma pergunta: Friendzone também não equivale ao contrário? Acho que de todos os termos é o mais conhecido e eu nem sabia que ele estava dentro do feminismo. O glossário foi incrível <3

  • Ana Fonseca

    ficou incrível!
    não sei se tá acontecendo só aqui, mas depois das reticências em cada termo não aparece mais nada, a frase fica incompleta.

    • Keila

      As frases são completadas com o termo que está imagem que vem logo a seguir. Demorei um pouco pra entender tbm.

    • Aline Narciso

      A continuação é o termo de baixo. Tenta ler de um termo para outro que dá para entender. :)

    • Anne Hyuga

      isso é porque ela está falando do próximo tópico,as reticências indicam uma continuação,por exemplo: “cis: a pessoa dita cis é aquela que se identifica com o gênero a ela designado ao nascer, ou seja, uma pessoa de vagina, que, dita mulher ao nascer, se identifica com o gênero feminino. Por outro lado…
      trans: a pessoa trans não se identifica com o gênero a ela designado ao nascer, mas sim com outro gênero. A pessoa trans pode ser binária, que é quem se identifica com o gênero oposto ao seu sexo biológico, ou…” e etc

  • Belle Canto

    Amei, apesar de deixar os termos no “geralzão” é ótimo pra compreender essas expressões que a gente tanto usa. é ótimo pra quem tá começando.

  • Mari

    Eu entendi o que você disse Bruno, e até concordo, o problema é que esse termo se tornou mais um meio para reforçar conceitos machistas. É muito utilizado por caras “legais” (que se auto intitulam assim, mas muitas vezes são babacas), que se ofendem ao ser ignorados por uma amiga.

    A diferença é que em muitos casos, não há aproveitamento da situação por parte da mulher. Simples assim.

    A mulher apenas não quer dar uma chance para o cara.
    E um argumento muito utilizado por esses caras ~legais~ é dizer que foram postos de lado, para que a garota em questão saísse com um babaca, galinha, aproveitador, etc. O mais puro coitadismo manipulador.

    E o problema disso tudo é que, ao agir assim, o homem passa várias mensagens:
    1. O que mais essa garota podia querer com um cara tão legal quanto eu dando sopa por aí?
    Porque, afinal de contas, isso é tudo o que uma garota pode querer (ironia).
    2. Como essa garota ousa me dispensar? Logo eu que sou tão legal, tão amigo, tão fofo, tão querido…E depois vai lá dar para aquele babaca aproveitador! Burra, vadia, fui muito otário, affs vsf…
    Porque, afinal de contas, mulher direita não sai com aproveitador. Ela não pode querer simplesmente “aproveitar” por ai com esse cara, ela precisa de um cara sério, precisa se dar valor. Depois vai ficar solteira e mal falada (ironia)
    3. ~SUPER GRAVE~ Isso, muitas vezes, é o mesmo que supor que as mulheres não são capazes de decidir nada sozinhas. Que são frágeis demais para escolher até com quem quer sair, que precisam de alguém para lhes dizer o que é certo e o que é errado.
    E isso é muito triste (sem um pingo de ironia)

    Concordo muito com você, mas infelizmente vi (e vivi) muitos casos como os que eu descrevi acima. Então acho que essa é uma questão a ser desconstruída.
    😀

  • Danielle Cristina

    Bruno, também fiquei pensando nessa parte da friendzone! E acho que o seu comentário explica bem.

  • Pingback: Glossário de termos do feminismo | Além da Mídia()

  • Pâmela

    Bruno, como você falou, é uma pessoa A, geralmente um homem, fazendo gentilezas e favores à B, COM INTERESSES românticos.
    Se a outra pessoa vai se aproveitar ou não disso, são outros 500, mas já está errado fazer algo esperando algo em troca, principalmente sexo ou sentimentos. É absurdo cobrar que alguém te ame, se apaixone por você, ou faça sexo com vc.

    Os mesmos caras que reclamam que estão na “friendzone” chamam as meninas que não se interessaram por eles de VADIAS.
    Quando vi esse termo pela primeira vez, no 9gag, muito antes dessa onda feminista, já achei a ideia e a concepção bem machistas.

  • Júlia Corrêa

    Quando um homem interpreta nossos sentimentos e mágoas como palhaçada ou exagero, pode-se dizer que isso é machismo?

    • Izabele Renata

      Acredito que sim. Afinal machismo é quando o homem é considerado superior a mulher e a partir deste pensamento pode dominar e oprimir as mulheres através de várias táticas psicológicas e físicas, excluindo as mulheres de ter os mesmos direitos que eles. A situação que você disse é um exemplo de gasligthting, em que invés de dizer que você (a mulher da situação) é louca/paranoica, desvaloriza/banaliza os seus sentimentos e mágoas. É diferente o tipo de abordagem, mas o sentimento que a mulher sente é o mesmo. Aquele sentimento de dúvida da própria memória, concepção e sanidade e o que pensa ou diz é sem fundamento.

      Recomendo que você leia a matéria do blog Livre de Abuso que explica muito bem sobre o assunto e com certeza, depois de ler vai identificar a correlação entre gasligthting e a situação que você sitou.

      Aqui ela –> http://bit.ly/1JuJcK7

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Leticia,

    nós publicamos um texto que explica um pouco mais a questão da apropriação cultural, e explica o porquê de dreads serem considerados apropriação: http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Jeniffer,

    nós já publicamos um texto sobre apropriação cultural que explica um pouco mais detalhadamente a razão dos dreads serem considerados apropriação cultural: http://www.revistacapitolina.com.br/o-que-e-apropriacao-cultural/

  • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

    Darlan,

    recomendamos a leitura de um texto nosso que trata especificamente da questão da friendzone: http://www.revistacapitolina.com.br/friendzone/

  • Katherine Yamashita

    Muito bom!!

  • Viviane Carvalho Lopes

    Achei muito elucidativa a matéria. Entretanto, só não gostei de uma definição em questão, que é a do “racismo”. Você designou racismo como sendo a opressão que recai sobre pessoas “não-brancas” (qual o medo de dizer NEGRAS?). Talvez você tenha ficado receosa ao usar o termo certo, mas quando li, deu a entender que pessoas BRANCAS são “normais” e pessoas “não-brancas” são algo como “o diferente”. E na realidade, a maioria dos brasileiros são NEGROS, e estamos avançando nessa pauta, e assim,muita gente tem se declarado negra nesses dias. No geral, está ottimo! parabéns.

    • Andressa

      Acho que ela quis incluir grupos indígenas por exemplo, que também sofrem opressão. E como historicamente aqui o grupo opressor foi/é o branco, acho que por isso a escolha de palavras.

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  • mare

    Adorei, vai me ajudar muito no meu trabalho de sociologia <3

  • Laura Pingarilho

    Olá! Gostaria de saber a origem do termo Tokenização/Token. Já procurei em vários sites da web e nada.

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Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.