4 de novembro de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração: Isadora Maríllia
Guia de fotografia de celular

Quando eu fotografo e compartilho o gato, o cachorro, o prato de comida, a flor e as pedras do caminho dou aos outros a chance de enxergar através do meus olhos. A selfie vai além, você me vê como eu me vejo – ou como eu quero que você me veja. A fotografia de celular atrelada à internet permite explorar a subjetividade do olhar, construir visões particulares de mundos inteiros, tudo ao alcance do bolso.

O que ela deve em megapixels devolve em praticidade e rapidez, eu clico, edito, legendo, # e posto sem cabo, sem fio, sem nada. Autorretrato e natureza morta sem pincel sobre tela de luz expostos no Instagram, Snapchat, Facebook e Tumblr num exercício de inclusão digital e democratização da fotografia. Não tem espaço para  “mas as fotos são ruins”, “as fotos são iguais”, “as fotos são muitas”, é preciso ir além do formalismo.

De todos os caminhos que um guia de fotografia de celular pode seguir, eu prefiro um menos ortodoxo.

– Se a resolução da sua câmera, especialmente a frontal, não é tão boa ou te incomoda, aposta nos pixels. A foto é digital e o pixel é tão ou mais legal quanto o grão da analógica.

– Faz um gif! Fotografia 2.0. Ou faz um vídeo desses curtinhos de Instagram e até Vine.

– Cada rede social tem sua própria dinâmica e entender cada uma delas deixa tudo mais interessante. O Tumblr é mais vanguardista e uma foto de meia e chinelo #aesthetics pode ganhar um milhão de likes e reblogs; o Facebook tem um clima mais de festa em família e é bem chatinho na hora de expor suas fotos (já notou que a página principal do seu perfil mostra as fotos em que você foi marcada em vez daquelas que você postou?). O Instagram não tem álbuns mas é o mais próximo de um álbum de fotografias propriamente dito, organizado e objetivo, sem muita firula e personalização. O Snapchat é toda uma outra história e acolhe aquelas fotos que não são feitas pra durar pra sempre.

– Clicou e não gostou? Não apaga de imediato. Sobe na nuvem, tipo Dropbox ou Google Drive, você pode descobrir um filtro novo ou um aplicativo legal e gostar dela amanhã. Às vezes, uma foto de lata de tomate não faz sentido hoje, mas funciona bem no Halloween (funcionou pra mim).

– Falando em aplicativo, tenta esses aqui: VSCO, Glitchr, Retrica, B612 e Pixlr.

– Tenta também umas lentes acopláveis diferentes! Um investimento pequeno que pode render fotos legais.

– As selfies têm tudo a ver com autoimagem , são um exercício de autodescoberta e instrumento de autoafirmação. E, citando o Everyday Sociology, tem a ver também com como nos projetamos para os outros: “Quanto mais você posta fotos de você mesma promovendo uma certa identidade – forte, sexy, aventureira, estudiosa, engraçada, corajosa etc. – mais provável é que os outros endossem essa sua identidade.”

– Existem estudos de outras áreas além da sociologia que insistem nas selfies e fotos com rostos: 1) nosso olhar tende sempre a procurar por rostos e acompanhar olhares; 2) identificar rostos nos leva a criar empatia; 3) fotos com rostos têm 38% mais chance de receberem likes e 32% mais chance de ganharem comentários do que fotos sem rosto no Instagram. Está cientificamente comprovado que #gpoy (fotos gratuitas de você mesma) não são tão gratuitas assim.

– Guarde bem todas essas fotos. As redes sociais, Fotologs, Flickrs, podem sumir tão rápido quanto apareceram e suas fotos vão junto. Quando eu deletei meu Orkut perdi um monte de fotos que, admito, achava meio vergonhosas e não queria a internet toda vendo, mas devia ter guardado com carinho em algum lugar privado.

– Por último e mais importante: sua vida virtual tem de ser saudável. Pense até onde você se sente confortável com a pressão da exposição na internet, na sua segurança e cibersegurança e no quanto isso tudo faz bem ou não para você. Encare as possibilidades do virtual como um exercício de liberdade e expressão, nunca como obrigação.

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Carolina Stary
  • Ex-colaboradora de Tech & Games

  • http://bonsrelacionamentos.com Patricia Daibes

    Curti bastante o guia nada ortodoxo. Fez-me enxergar a fotografia feita em celular de outros jeitos.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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