14 de março de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração:
Guia definitivo: conhecendo os pais do/a namô!
Guia definitivo: conhecendo os pais do/a namô!

Gente!!! Poucas coisas nessa vida são, em teoria, tão assustadoras e, na prática, tão de boa quanto o tão esperado e famigerado dia em que você vai finalmente conhecer os pais da ou do namô (ou peguete, ficante, você entendeu!). Claro que existem por aí os pais doidões que são de fato assustadores (já ouvi cada história…), e vou tentar ajudar, com esse guia, caso isso ocorra com você. Mas já adianto que em 90% das vezes ficamos mais nervosas do que o necessário.

1. E se eles não gostarem de mim?

Bom, as chances de eles estarem pensando justamente a mesma coisa com relação a você são altas. Tente pensar que eles estão nessa mesma situação: com medo de não serem legais o suficiente, de você achar que eles são chatos, sem graça, etc. Claro que rola uma hierarquia e provavelmente ficamos mais nervosas do que eles, já que “pais” dá aquela noção de autoridade, mas com certeza eles também estão preocupados.

De qualquer modo, vale a máxima: quem tem que gostar de você não é a família, é a parceira ou parceiro (e você dela/e). É sempre bom tentar ao máximo ter uma relação saudável com os pais, porque você provavelmente os verá bastante, mas se eles realmente não estiverem dispostos a te aceitar, existem meios de evitar o contato ao máximo (ainda que seja bem difícil evitar absolutamente). Ainda assim, você não é obrigada a se modificar para que eles te aceitem. É muito legal ter uma relação boa com os sogros, mas seu relacionamento não se baseia nisso. O ideal é que o relacionamento seja bom mas, infelizmente, isso não depende só de você, então não se penalize se realmente não for rolar.

 2. Como eu devo me vestir/portar?

Como você mesma. Sério. Se você curte roupas pretas, cheias de correntes e cabelo colorido, nunca vai ficar confortável, nem sequer por uma noite, com uma calça jeans, camiseta cinza e cabelo escuro. Mais cedo ou mais tarde eles vão te ver usando as roupas e falando do jeito que você já fala. Claro que você pode ir mais arrumadinha, dependendo da ocasião em que vocês vão se conhecer, não por moralismo bobo, mas porque sempre é legal mostrar que você se importa com a ocasião. Porém, se você não se sentir bem fazendo isso, não é uma coisa obrigatória. Além disso, mesmo que você escolha por se arrumar mais, não significa mudar o modo como você se veste e se maquia, não significa não ser você mesma. Se você não se sente confortável com um vestido chique e maquiagem, você não precisa usar para que eles gostem de você. Se eles desgostarem só por causa de uma roupa, com certeza vão acabar implicando mais cedo ou mais tarde quando virem como você realmente gosta de se vestir, então nem se estresse muito com relação a isso. Da mesma forma, se eles forem pessoas legais, não vão mudar o modo com te veem por causa de como você se veste. E eu descobri que existem muito mais sogros legais do que não legais por aí!

Você também não precisa agir como se fosse toda chique só porque a família é, por exemplo. A única coisa que eu acho legal frisar é que é bom demonstrar que você está feliz de estar ali, que não está indo por obrigação. Mostrar interesse nas conversas e tentar conhece-los um pouco mais sempre são coisas legais de se fazer, caso você se sinta à vontade para fazer isso.

3. E se eles entrarem em temas polêmicos?

Pra começar,  vai ser bem sem noção tocar num assunto muito polêmico logo de primeira, então vamos torcer para que não ocorra! Você tem duas opções nesse caso: ou você responde e banca sua opinião, ou você se esquiva. Não minta para parecer que tem as mesmas opiniões, porque você não precisa trair a si mesma, sabe? Se você tentar se esquivar mas a pessoa insistir, ou se você decidir bancar, tente dar sua opinião de forma delicada (a menos que a pessoa esteja sendo muito sem noção, aí eu não posso te pedir delicadeza), sem levantar grandes questionamentos. Vocês provavelmente ainda terão tempo para conversar sobre o assunto e não precisa ser tudo zerado no primeiro dia.

4. Como eu posso puxar assunto/quais assuntos puxar?

Pergunte o que você sentir vontade de perguntar! Você está meio que começando a fazer parte desse núcleo né? Tem muita coisa nova pra saber sobre um monte de gente nova. Daí, miga, cê pode perguntar sobre tios, tias, avós, histórias de família, se eles já viajaram, pra onde viajaram, o que costumam jantar, se tomam café da manhã… se você pedir histórias de família, relaxa que a família cuida do resto e não vai faltar assunto. Minha família pelo menos adora ficar contando várias histórias engraçadas! Não se estressa muito com isso. Pense em uma ou duas coisinhas antes que você poderia perguntar caso role um silêncio desagradável, mas as chances de eles te encherem de perguntas e você não ter que pensar em assunto pra puxar também são altas. Pais sempre querem saber tudo sobre quem está com o filho ou a filha deles! E isso é bem legal, porque, em geral, mostra que eles se importam e que rola uma vontade de ter uma relação legal tanto com o(a) filho(a) quanto com o(a) namorado(a).

5. Tem como escapar desse “primeiro encontro”?

Assim, tem e não tem. Uma hora vocês terão que se conhecer. Mas não precisa ser desse jeito tão formal. Se todo mundo mora na mesma cidade e você vai ter várias chances de contato, você pode dar um jeito de ter alguns encontros “casuais” que vão quebrando o gelo, até que, quando vocês de fato sentarem para conversar, num almoço ou jantar, já não vai parecer que é a primeira vez. Você pode pedir para o namorado ou a namorada um dia te convidar para entrar na casa dele ou dela rapidamente antes de vocês irem para algum outro lugar. Aí você pode se apresentar de uma forma bem sucinta, conversar um pouco e dar uns sorrisinhos e já já vocês saem para onde vocês têm que ir e, pronto! conheceu os sogros sem precisar de uma coisa super formalizada.

Se você e seus sogros moram em cidades diferentes, isso já fica um pouco mais difícil. Você pode tentar conversar algumas vezes por Skype, sem ser uma conversa agendada, mas aparecer junto um dia que seu parceiro ou parceira esteja indo conversar com os pais, e depois dar a desculpa de que tem que ir embora para não ter que conversar muito. Você também pode aparecer em algum aniversário de família, que tenha bastante gente. Por incrível que pareça o fato de ter muita gente, somado ao fato de que não é um evento PARA te conhecer pode diluir a atenção que você receberia, e você não vai ficar tão presa a uma pessoa, ficar respondendo perguntas, etc.

Por fim, tente pensar que a família do/da namô é formada de seres humanos como você. Eles também estão nervosos, falam besteira, e com certeza não esperam que você seja perfeita. Tente ficar tranquila e não encarar como algo gigante, porque não é. Provavelmente eles são pessoas legais e, se forem pessoas ruins, tanto faz também se vão gostar de você ou não. Vai na paz que não é nem de longe um bicho de sete cabeças. Arranca que nem band-aid, amiga!

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

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