21 de agosto de 2014 | Artes | Texto: and | Ilustração:
Uma breve história do teatro

10609123_837132032977055_1451171508_nIlustração:  Bia Quadros 

Texto de Domenica Morvillo e Má Dias

Você já parou para pensar que desde cedo, as artes cênicas, a atuação, está presente em nossas vidas? Sendo a mamãe, o papai ou a filha numa brincadeira que atravessa os séculos, “casinha”: vestir os sapatos de nossas mães ou as roupas de nossos pais, ou quando fingíamos ter alguma profissão e encenávamos como perfeitos atores, e até mesmo quando encarnávamos personagens e situações enquanto brincávamos de barbie, ursinhos de pelúcia, carrinhos, e por aí vai… nossas pequenas peças, nossos pequenos teatros: essa coisa colorida que chamamos infância.

Alguns tem essa veia “teatral” desde cedo. Mas de onde é que vem toda essa história de encenação, de teatro, que originou em nós tantas facetas e que dá vida a tantas histórias?

 Acredita-se que o teatro tenha surgido com rituais e contações de história por volta de 80.000 a.C. No entanto, por falta de evidências, não se sabe ao certo. A palavra teatro deriva do grego theaomai (???????), que significa olhar com atenção, perceber, contemplar; não ver no sentido comum, mas ter uma experiência intensa. Na Grécia Antiga, apareceu nos festivais em homenagem a Dionísio, deus do vinho e da alegria.

 Pode ser que quando pensamos em teatro, a ideia de um palco direcionado a uma plateia, com uma cortina que se abre no começo e se fecha no final do espetáculo, seja a primeira a nos aparece – esse é, na verdade, o que se denomina teatro italiano. O que é bacana saber é que nem todos os teatros seguem esse padrão de apresentação: há também, por exemplo, o teatro de rua, o teatro de bonecos,  teatro de sombras, o teatro musical, entre outros, cada um com seu jeitinho especial de apresentação, que a cada mordida de tempo se reinventa e se torna um jeito único de representação.

 Apesar do teatro ser uma vertente artística que foca, principalmente, na representação e na  expressão corporal, é bacana perceber uma esfera sentimental nessa arte que tem como objetivo maior acordar, justamente, sentimentos inexplorados em seu público. Já ouviu falar em cartase? Pois é: essa palavrinha mágica, superficialmente, significa “uma descarga emocional provocada por um drama” – de acordo com Aristóteles – para que haja uma “purificação da alma”. A cartase, ainda segundo o filósofo, era o gran finale das apresentações de tragédias gregas. Não é genial ver como pessoas se movimentando em um tablado, em meio a representações fictícias, podem te causar esse choque emocional?

Uma (infeliz) curiosidade sobre o teatro é que, no começo, apenas homens podiam participar das peças e apresentações de teatro, de forma que os papéis femininos também eram interpretados por homens (!). Isso começou a mudar a partir do século XVII, na França e na Inglaterra, onde as mulheres inseriram-se nos palcos e passaram a dividi-los com os homens. A primeira mulher de que se tem notícia no teatro é Therese du Parc, mais tarde conhecida como La Champmesle, que fazia parte da companhia de Molière e foi a primeira mulher a interpretar uma personagem principal e uma das principais atrizes da chamada “Comédie Française”. Uma outra figura forte no teatro, já que citamos tragédias gregas, é Medéia, que serviu de inspiração para muitos outros personagens contemporâneos: uma mulher que, após ser abandonada pelo marido, Jasão, mata os dois filhos como forma de se vingar. A história é forte, mas sensacional – para quem se interessa não só pelo teatro, mas pela representatividade da mulher ao longo da história na ficção, vale muito a pena essa dica de leitura.

Com a chegada do cinema e da televisão, o teatro, que antigamente era sagrado, passou a ser um pouco desvalorizado, tornando os ingressos caros e fazendo com que o público alvo fosse mais seleto. No entanto, com a maior valorização e coletivização da cultura que vem ocorrendo por esses tempos, o teatro vem ganhando forças populares novamente. Você provavelmente pode encontrar diversos tipos de espetáculo com ingressos a preço bem baixo e até gratuitos na sua cidade!

Para encerrar, deixamos um pitaco sobre a arte de encenar: o sentimento de estar no palco é maravilhoso, indescritível. A ansiedade diante da estreia, a energia transmitida pela plateia, o medo de errar ou de esquecer o texto… tudo isso e mais meio milhão de coisas passam pela cabeça – e acho que posso dizer isso em nome de todos os atores – para, no fim, a cartase não só ser despertada no público, mas também em quem está ali, sob os holofotes. No teatro, há uma troca de sentimentos entre o público e os atores, algo que muda a cada apresentação – afinal, nenhuma apresentação é igual à outra e é justamente esse gostinho de “único” que torna esta arte tão especial.

 

Má Dias
  • Coordenadora de Social Media
  • Coordenadora de Literatura
  • Colaboradora de Artes

Má Dias, 21 anos. Mora em um Rio de Janeiro, mas ama uma São Paulo. Estuda Comunicação Social na UFRJ, aceitou o árduo (e feliz) caminho de ser jornalista e foi parar no incrível mundo das redes sociais. Adora uma bagunça, ler, criar e inserir livros novos na sua estante: tudo culpa do Aquário com ascendente em Capricórnio. Segue firme e forte encarando o 7x1 de cada dia.

Domenica Morvillo
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Cinema & TV & Música

Domenica tem 18 anos e mora no interior de São Paulo, de onde sempre foi louca para sair. Não sabe bem o que quer da vida e às vezes tem vontade de largar tudo e se mudar para Tóquio. Gosta muito de ler, escutar música e conversar.

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