28 de agosto de 2015 | Culinária & FVM | Texto: | Ilustração:
Horta: Faça você mesma ou… vamos fazer juntas?

Muito tem se falado a respeito da importância de conhecermos a origem do nosso alimento. Isso já foi abordado aqui na Capitolina e em reportagens na TV e em outras mídias, mas o que realmente queremos dizer com isso?

Não, não é para você procurar onde e em que época surgiu o tomate e como ele se desenvolveu até chegar aos dias de hoje (o que seria bem interessante também, porém não é o nosso objetivo agora). Quando falamos em conhecer a origem do alimento, nós queremos falar mesmo é sobre de onde esse alimento veio, como ele foi plantado, onde foi e quem foram as pessoas envolvidas nesse plantio. Como é um pé de abacate? E o abacaxi vem de onde? Utilizaram muitos agrotóxicos nele? Como esse controle foi feito? Muitas perguntas que, em grande parte, não temos como responder.

Mas e se, em vez de comprarmos alimentos que sabe-se lá de onde vieram, por onde passaram e quantos milhares de agrotóxicos têm, nós plantássemos eles? Ahhh mas plantar dá muito trabalho. Eu moro em apartamento. Onde vou enfiar um pé de tomate? Como que eu vou cuidar disso? Impossível! Calma aí que eu já te mostro que não é tão difícil quanto parece.

Se pensarmos que, com o passar dos anos e o avanço da tecnologia, crianças e adolescentes cada vez mais jovens são capazes de mexer em softwares supercomplexos, qual seria a dificuldade de enfiar a mão na terra? Coisa bem simples, né? E é mesmo! Muito simples! Mas nós entendemos que, para além dessa falta de intimidade com a natureza e com a dona mãe-terra, um grande problema dos centros urbanos, ou até de lugares do interior mesmo, são os espaços. E é por isso que nossa proposta é uma horta comunitária.

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Esta e todas as imagens que ilustram este post foram cedidas pelo coletivo Planta na Rua!

Uma horta comunitária pode ser feita no quintal da sua casa (se você tiver um), na sua escola ou em uma praça abandonada que exista perto da sua casa e que geralmente passa despercebida. Para isso você apenas CHAMAR AS MIGAS E OS MIGOS!!! Mesmo, não é necessário aval de ninguém, nem idade mínima ou máxima para mexer com a terra. Na verdade, a única coisa que você vai precisar mesmo é disposição e mãos amigas para te ajudar.

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Mas, aqui na Capitolina, a gente vai tentar te dar o caminho das pedras para esse projeto de horta amiga/point da galera rolar de verdade, ok? Aqui no Rio existe uma organização popular autogestionária especializada apenas na construção de Hortas Urbanas, que é o Planta Na Rua- RJ. Deem uma olhada no site deles, pois a organização é ativa em outros estados também, quem sabe até no seu. Mas, se não tiver o Planta Na Rua no seu Estado, aqui você já consegue entender o básico para a montagem de uma horta comunitária.

Eu conversei com o Mono Telha, um dos idealizadores do projeto, e tive a oportunidade de conhecer uma horta no Morro do Cantagalo, e ver que realmente é possível plantar em qualquer lugar que tenha terra, e que essa atividade que às vezes parece tão trabalhosa se torna a maior diversão quando estamos com amigos. O mais importante, segundo ele, é o comprometimento em cuidar da sua horta, então se você quiser montar uma hortinha saiba que plantas são como os bichinhos de estimação que temos em casa – precisam de cuidados todos os dias, pois demandam água, nutrientes e atenção.

Fonte: Material de divulgação do Planta Na Rua – RJ

Fonte: Material de divulgação do Planta Na Rua.

Bom, dito isso, acho que já podemos começar.  Na cartilha do Planta Na Rua você encontra os 10 passos para montar a sua hortinha. Mas aqui nós vamos falar um pouco sobre cada um e colocar a mão na massa mesmo, ok? Então peguem suas luvas e vamos começar!!

  • Conhecer o lugar: A primeira coisa que você precisa fazer é conhecer o local onde você quer montar sua horta. Escolher, estudar o que já tem plantado lá, ver se o solo está bom para o plantio ou irá precisar de adubagem e cuidados maiores. Você precisa ver se se existe muita areia no terreno, se o local tem muitos animais (como gatos), essas coisas. Precisamos avaliar tudo isso para sabermos se dá para uma hortinha nascer ali.

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  • Mão na massa: Feito isso, é hora de começarmos a colocar a mão na massa (ops, na terra) e limpar o local. Para isso talvez você precise de materiais como enxadas, mas se não tiver não tem problema (VAMOS TREINAR O BRACINHO!)

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É, essa parece ser a parte mais difícil (e talvez seja mesmo), mas quando estamos fazendo com amigos fica tudo melhor, né? Bom, depois de um descanso rápido, vamos ao próximo passo.

  • Preparação do terreno: Como eu disse antes, talvez o terreno tenha alguns problemas, como uma terra com muita areia, ou muito compactada, bichos que circulam no local… e nessa hora precisamos saber o que fazer. No caso da terra compactada, a parada é mexer tudo mesmo, então pega uma enxada, um pau de vassoura ou algo do gênero e mexe nessa terra até ela soltar.

Depois disso você ainda pode adubar ela, preparar o solo. Só é preciso comprar terra preta adubada e jogar em cima. E, para tornar o solo ainda melhor, você pode e deve usar o material da sua composteira, aquela que a Babs ensinou na semana passada!

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 Talvez você encontre outras migas nessa atividade, mas não se assuste! Só fazer um carinho que ela fica de boa viu?

Talvez você encontre outras migas nessa atividade, mas não se assuste! Só fazer um carinho que ela fica de boa viu?

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  • Plantio: Seu terreno está pronto? Então que tal começarmos a plantar? Existem vários locais que vendem mudas a ótimos valores. Aqui no Rio existe um espaço chamado CEASA, que fica em Irajá, e lá você consegue comprar até 200 mudas por R$25,00! Quer dizer… você vai ter 200 plantinhas só pagando 25 dinheiros! Não vamos nem entrar nesse debate de que plantar o que se come é bem mais barato do que comprar no supermercado, senão eu não saio daqui hoje, mas fiquem atentas na dica! ($$$)

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  • Deu tudo certo? UHUL! Depois de plantado é esperado que fique mais ou menos assim como nas fotos. Se você tiver desenhado sua hortinha (como na dica da cartilha dos 10 passos ali em cima), fica mais fácil das coisas saírem do jeito esperado. Lembrando também que existe a possibilidade de plantar em vasos e até em garrafas PET (como na imagem). A gente só precisa estudar o que vai plantar. Para lugares como esse, plantar ervas e temperos (como salsinha e manjericão) é o ideal, já que as raízes não se espalham.

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O mais importante na construção de uma horta comunitária é termos em mente a importância da coletividade. De todas as informações que tirei dessa visita, a mais importante com certeza foi que quando nos responsabilizamos e cada um dá um pouco de si para um projeto, independente do que for, ele funciona. E, em se tratando de uma horta, ele nos dá frutos (literalmente), amizades e vivências que levaremos para a vida toda.

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Fabiana Pinto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Fabiana Pinto, negra e carioca. Graduanda em Nutrição na Universidade Federal do Rio de Janeiro em tempo integral e, escritora de suas percepções e experimentações do mundo em seu tempo livre.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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