13 de janeiro de 2016 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Hoverboard: Expectativa versus Realidade
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Até pouco tempo atrás, quando alguém falava em “hoverboard” a primeira coisa que vinha à cabeça da maioria das pessoas era aquela clássica cena de fuga a bordo de um skate voador, quando Marty McFly tenta dar um perdido numa gangue de roupas inusitadas. As roupas eram como os anos 1980 imaginavam que nos vestiríamos no século XXI e – justiça seja feita, não passou assim tããão longe –, mas 2015 já até bateu ponto e nada do bendito do skate voador.

A palavra “hoverboard”, no entanto, foi adotada para outra gerigonça, que na moda do verão americano do ano passado, virou febre em várias partes do mundo. Como o dólar está caro e o brinquedo não sai a menos de R$2.000, foi menos visto ao vivo e a cores por aqui. O YouTube é de graça, porém, e as chances são grandes de você ter dado de cara com pelo menos um vídeo de gente caindo de bunda no chão graças à invenção.

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Se você não faz ideia do que se trata, sem problemas: o “hoverboard” real não é nem skate, nem flutuante. Na verdade, ele é um patinete elétrico de duas rodas que pode ser manipulado por meio do equilíbrio. Outros nomes para ele incluem segway e monorover. Como qualquer outro equipamento de transporte sobre duas rodas, o desequilíbrio também faz parte de sua história.

E que história! Ok, eu tenho o tipo de senso de humor que me faz rir de gente tomando tombo – até o Mike Tyson já apanhou do brinquedo – e não deixa de ser curioso assistir a um padre ministrar a missa de Natal parecendo flutuar com um fantasma – e depois ficar com pena ao saber que foi penalizado por isso.

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Como se você não fosse agir igualzinho se tivesse sido o seu celular…

O maior problema desses hoverboards, porém, é a dificuldade de identificar a procedência de cada peça. As baterias de íon-lítio, em especial – que devem ser carregadas para que o aparelho funcione –, exigem certas garantias de qualidade pois podem, em algumas condições, explodir ou causar incêndios. Por causa disso, hoverboards de marcas diversas foram banidos da loja da Amazon e proibidos por várias linhas aéreas de serem transportados em aviões. Em Nova York, por sua vez, quem for pego perambulando na calçada com um deles pode pagar multa de até 500 dólares. Em outras palavras: esses hoverboards são verdadeiros queridinhos, só que ao contrário.

Apesar do nome ter pegado, o modelo elétrico não foi o que mais se aproximou dos skates com que sonhamos na ficção. Em 2014, o americano Greg Henderson divulgou um modelo bem mais parecido com o que vimos em De Volta para o Futuro 2.

Além de bonitona, o protótipo da Hendo Hoverboard de fato flutua, graças a poderosos ímãs. Dá até para fazer umas manobras simples em cima do negócio. Como depende de energia magnética para manter-se no ar, no entanto, esse skate só funciona em superfícies especiais de cobre ou alumínio. Ou seja, nada de deslizar sobre piscinas ou mesmo em uma calçada comum.

Bem, só porque as tentativas anteriores não são exatamente o que a gente queria isso não significa que não haja mais gente tentando! A agência aeroespacial ARCA Space Corporation recentemente revelou um projeto de hoverboard também flutuante que pode carregar uma pessoa de até 110 quilos em pleno ar. Como ele funciona? Bem, como a ideia futurística de encontrar um “flutuador” funcional nunca saiu completamente do papel, o negócio foi atochar 36 ventiladores elétricos embaixo da prancha até o troço decidir voar! Risos. Quem disse que força bruta nunca resolveu nada?

De fato, a prancha desengonçada voa, mas conta com um problema bem maior do que o meramente estético: o preço. Atualmente, esse “verdadeiro” hoverboard está saindo pela bagatela de 20 mil dólares (multiplica por quatro e pensa nas taxas de importação), tem autonomia de míseros seis minutos e precisa ser carregado por 6 horas. Ah, ele também pesa 82 quilos. Pois é, não vai ser agora que a gente vai ver gente desajeitada caindo na piscina com ele.

Outro projeto é o do canadense Catalin Alexandru Duru, que construiu para si não exatamente um skate, mas uma verdadeira máquina capaz de voar, um hovercraft. Em 2014 ele bateu o record de voo neste tipo de aparelho, sobrevoando um lago por 275 metros. Como se pode ver no final do vídeo, apesar de impressionante, a máquina não possui muito tempo de autonomia.

Por enquanto parece que estamos longe do “futuro” idealizado na ficção, mas é divertido especular qual seria a forma possível de tornar os hoverboards funcionais pra valer, né? Tudo bem. A gente pode não ter ainda um skate voador, mas temos uma coisa bem melhor, que os filmes não previram: a Internet. Eu posso esperar pelo meu verdadeiro hoverboard enquanto maratono séries no Netflix, sem problemas.

Vanessa Raposo
  • Coordenadora de Tech & Games

Vanessa é carioca, mas aos 25 anos sente que o mundo é grande demais para se pertencer a só um lugar. Por isso, passa boa parte do tempo em paisagens imaginárias e planejando suas próximas viagens - que podem ou não acontecer (“As passagens pra Plutão ainda estão disponíveis, moço?”). Gosta de filmes da Disney e de musicais mais do que dizem ser aconselhável para sua idade. Quando não está pseudofilosofando sobre o papel dos videogames na cultura pop, pode ser encontrada debruçada sobre seu laptop, arrancando os cabelos por alguma história que cisma em não querer ser escrita. 

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