27 de junho de 2016 | Saúde | Texto: | Ilustração:
HPV: se conscientizando sobre a importância da prevenção.
13514489_10207753904498728_2071775500_n
  • O que é? Como Transmite?

O HPV é um vírus (papilomavírus humano) que pode causar verrugas genitais e/ou também câncer. É extremamente comum. É tão comum que podemos dizer que quase todos os homens e mulheres do mundo serão, em algum momento, infectados por um – ou mais de um – dos tipos existentes (existem 150 tipos, sendo mais ou menos 40 que afetam o trato ano-genital).

A transmissão é feita pelo contato com a pele ou mucosa infectada. A principal forma é sexual, mas pode acontecer de outros modos (então não é só a penetração que oferece risco). E também pode se transmitir durante o parto (da mãe para o bebê).

Na maior parte das vezes, o vírus é eliminado naturalmente pelo corpo e a infecção não persiste.
“- Então eu não preciso me preocupar?”
Precisamos. Sabe aquela questão que falamos nesse texto sobre a imunidade coletiva? A proteção de todos entra nisso. Se protegendo, você tá protegendo aquela parcela da população em que a infecção vai persistir; e tá combatendo o vírus, impedindo com que ele se espalhe e continue existindo (vamos lembrar da evolução atuando, os vírus sofrendo mutações e podendo surgir em formas mais adaptadas ao ambiente e, talvez, mais arriscadas a nós todos). Sem contar com outro fator: ainda assim você pode estar dentro desses 10% e, a depender do desenvolvimento das lesões causadas, pode virar algum tipo de Câncer (principalmente no colo do útero, mas também na vagina, vulva, ânus, pênis, orofaringe e boca), o que seria ainda mais perigoso.

E outra informação importante é a de que: a camisinha não é suficiente para a proteção do contato com HPV. Existem outras áreas que continuam expostas – principalmente com a camisinha masculina – que no contato podem transmitir o vírus. Apesar da grande efetividade da camisinha com as diversas doenças sexualmente transmissíveis por aí, é importante sempre se manter atento (e não vamos usar isso como argumento pra não usar preservativo, hein? existem outras doenças das quais a camisinha consegue nos proteger muito bem).

  • A questão do câncer

O câncer é uma doença muito ligada ao HPV. Dos 12,7 milhões de novos casos de câncer no mundo (que aparecem por ano), 610 mil têm relação com algum tipo de HPV. E 10% de todos os casos de câncer em mulheres são associados ao vírus. No que diz respeito ao câncer do colo de útero, 99% estão relacionados ao HPV. Além disso, 90% dos tipos de câncer de ânus, 70% de boca e 40% de pênis estão ligados ao vírus. Os números são assustadores, né?

No caso do Brasil: o HPV está ligado a 15 mil casos que surgem por ano de câncer de colo de útero, 9 mil do câncer de boca, e 539 de câncer de ânus em homens e 1.078 em mulheres.

Na maior parte das vezes, a presença do vírus não provoca nenhum tipo de sintoma no começo. Portanto, é muito importante estar atento aos modos de prevenir o contato ou desenvolvimento das doenças causadas por ele (e manter, no mínimo, um acompanhamento médico anual para checar essas questões).
É com exame preventivo – Papanicolau ou Citopatológico – que a gente identifica feridas ou alterações no colo do útero. Sendo assim, quanto mais cedo identificarmos as lesões ou alterações, melhor pra tratar ou cuidar para que não se desenvolva e vire algo mais sério. Então: quanto mais mantivermos o acompanhamento em dia, melhor!

  • Quais as formas de prevenir o câncer ou a infecção pelo vírus HPV?

Uma das formas de prevenir é exatamente manter essa citada no item anterior. Pois, como foi dito, assim a gente identifica as lesões logo no início e impede que elas se desenvolvam (e dá pra fazer esses exames e acompanhamento pelo SUS, gratuitamente).
O acompanhamento pode ser feito no ginecologista, urologista ou proctologista (para prevenção e tratamento). Para nós, mulheres, é MUITO importante manter um hábito da ida ao ginecologista (pelo menos uma vez por ano) para facilitar na prevenção dessa e de outras doenças e também por questões de saúde e cuidado com o nosso corpo.

A outra forma de se prevenir é a vacina contra o vírus. Mas, para que isso ocorra com maior efetividade, tem que ser feita ANTES do primeiro contato sexual.
“– Por quê?”
A infecção acontece logo no primeiro contato sexual.
“- Então quando eu for ter a primeira relação, eu me vacino, certo?“
Melhor antes. Existem muitas pessoas que podem ter o vírus presente e mesmo que ele não cause nenhuma infecção naquela pessoa, ainda pode ser transmitido. Como a gente nunca sabe quem está ou não nessa situação, a chance de ter esse contato é grande. E como cada organismo vai funcionar de um modo específico, não dá pra arriscar.
Além disso, nem sempre a gente se programa para ter a primeira relação sexual, nem sempre saberemos alguns meses antes de ter a relação que ela vai ocorrer e que precisamos nos vacinar. Por mais que você planeje quando quer que isso ocorra, nem sempre dá pra confiar no que “pode ser”. E quanto antes você tomar a vacina, mais anticorpos o seu corpo produz e maior é a proteção.

No site do INCA (Instituto Nacional de Câncer) você encontra a informação de que, um ano após o início da vida sexual, 25% dos adolescentes têm infecção pelo HPV e 3 anos após o início da vida sexual, esse número aumenta para 70%. Dadas as grandes chances de se infectar com o vírus, o cuidado tem que ser equivalente.

Portanto, é melhor realizar a vacinação longe do momento da primeira atividade sexual (por isso a vacina é tomada tão jovem, considerando a média de idade que as adolescentes têm a primeira relação). A vacina também está disponível pelo Sistema Único de Saúde, gratuitamente, para meninas de 9 a 13 anos.

  • Como tratar o HPV?

Cada tratamento será único, por isso, a conversa com seu médico é importante para saber a respeito do seu caso e do que seria melhor em cada situação.

No caso de quem já foi infectado: a vacina não é terapêutica, então ela não serve para tratamento. Para tratar a evolução da doença são tomadas medidas diferentes e exigidos os profissionais necessários (que não seria só o ginecologista, para algumas pessoas).

Caso você tenha tido relação sexual com alguém infectado com HPV, isso não significa que você também terá a infecção. Mas, o melhor a se fazer é procurar um médico (um tempo depois, porque a manifestação pode demorar de semanas a meses para ocorrer) e tentar investigar seu caso certinho.

  • Por que a responsabilidade de se vacinar recai sobre a mulher?

Para a produção de vacinas e criação de campanhas são analisadas – a partir de algumas pesquisas, reuniões e discussões – as estratégias que deveriam ser tomadas para garantir que se tenha disponível a quantidade necessária para atender toda a população. Então, se define a faixa etária, a quantidade de doses, a questão financeira, a capacidade de produção dos laboratórios, o armazenamento, profissionais disponíveis, locomoção, logística. Enfim, são tantas questões de estratégia que, acabam muitas vezes fazendo com que seja necessário estabelecer alguns focos.

Quando a campanha foi pensada, inicialmente, os estudos feitos na época eram focalizados em maneiras para prevenir o câncer de colo de útero (que era o que se comprovava de ligação com o HPV), então os programas focavam em meninas, especificamente.
“- Mas e a imunidade coletiva? Se os meninos se protegerem, eles não protegem as meninas também?”
Sim! Porém, eles definiam que o custo benefício de proteção para homens não valia a pena, mesmo no combate para as mulheres.

Claro que dá pra gente imaginar, também, as questões da mentalidade machista na produção de pesquisas. Se isso é presente atualmente, imagina há alguns anos atrás, quando a campanha surgia. E isso influencia sim as análises e resultados.
Bom, hoje o cenário mudou bastante. Cada vez mais mulheres ocupam as posições de discussão e decisão (e também de pesquisa), e as pesquisas avançaram no sentido de resultados (hoje, sabe-se que o HPV tem ligação forte com vários tipos de câncer – que não só o de colo de útero – que afetam também os homens). Reflete-se, também, que ao se chamar homens para a campanha de vacinação em massa, você acaba atingindo mais mulheres (afinal, se existe responsabilidade compartilhada, a gente não vai considerar injusto trabalhar na nossa proteção, pra ter parceiros que prejudicam todo nosso andamento e abdicar dela por conta disso). Além disso, hoje se pensa mais nas questões que envolvem homossexuais. E se pesquisa mais a influência da vacina em outras questões – como por exemplo vendo se há benefício em pessoas com HIV+, estudando a relação da vacina com outras questões de saúde.

A ideia, como estratégia de saúde pública, é cada vez mais ampliar a vacinação a outros grupos – que não só as meninas adolescentes – que se beneficiem do processo, e assim elevar a cobertura. Dá pra puxar um gancho com a vacinação do sarampo que, no início, era feita só com crianças de 9 meses e em uma dose e, atualmente, é recomendada até 49 anos, sendo duas doses até os 19. Mostra-se, então, uma grande discussão sobre que estratégias seriam necessárias para essa ampliação.

Um dos fatores muito importantes pra aumentar a cobertura é, também, a conscientização da importância de se vacinar cedo e de manter o acompanhamento da própria saúde em dia.

  • Caso você queira saber maiores informações sobre o calendário da vacina, sobre o HPV, o desenvolvimento da doença (e até sobre outras doenças), tem o site do INCA e o portal da Família Sbim que passam as informações de forma bem completa.
Tags: , ,
Karoline Siqueira
  • Colaboradora de Saúde

Estudante do ultimo ano de Psicologia, no interior de SP. É mãe solo de um bebêzinho de 8 meses, trabalha, estuda, escreve e CORRE MUITO na vida. Gosta de falar sobre temas que envolvem a maternidade real, pra desmistificar um pouco essa coisa mágica em torno da maternidade, e de questões que envolvem a área da saúde psicológica. É feminista interseccional e tenta, dentro das possibilidades com o bebê, participar dos grupos e eventos que envolvem sua militância (também gosta de discutir o espaço materno dentro do feminismo). Foi mãe jovem, engravidou com 21 anos e ainda estudando, então tenta formar ao máximo uma figura de apoio à jovens mamães, provando que mesmo nas maiores adversidades, respeitando a própria vontade e intuição: é sim possível. Também gosta de dançar, de ler, de Beyoncé, gatos e chocolate.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos