28 de dezembro de 2015 | Ano 2, Edição #21 | Texto: | Ilustração: Jordana Andrade
Ih, acabou a luz! O que fazer?
Ih, acabou a luz! O que fazer?

No Brasil, o verão teve início no dia 22 de dezembro de 2015. Essa estação é caracterizada por mudanças rápidas nas condições do tempo, levando à ocorrência de chuvas de forte intensidade, acompanhadas por trovoadas e rajadas de vento, particularmente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

Vários povos durante a história da humanidade recorreram (e ainda recorrem) a divindades para proteção contra as tempestades, em razão do alto poder de destruição das mesmas. No catolicismo, por exemplo, Santa Bárbara é invocada como protetora por ocasião de tempestades, raios e trovões. Já na Umbanda, Inhansã é a senhora dos ventos da tempestade.

A maior parte das quedas de luz locais é causada por danos na rede de energia elétrica, associados a quedas de árvores, postes, rompimento de cabos ou descargas elétricas (raios).

Quando acaba a luz por um longo período, bate um pequeno desespero: cai o Wi-Fi, não dá pra carregar o celular, a bateria do notebook não aguenta uma maratona da sua série preferida, a não tem televisão… E AGORA????

Sem pânico! Aproveite o tempo livre para realizar atividades diferentes! As colaboradoras da Capitolina contaram o que fazem quando ficam sem energia elétrica por várias horas:

  • A Gabriela Sakata disse que adora desenhar à luz de velas ou jogar jogos de tabuleiro, como Perfil ou Banco Imobiliário. Ela disse também que dá para passar várias horas jogando buraco. A Gabi também disse que gosta “daquele jogo de colocar o nome na testa”, e a Sofia Soter disse que adora também.
  • A Marina Monaco veio para explicar o que é o “jogo de colocar nome na testa”: é o Perfil. E ela também contou que sempre brinca de mímica com os pais.
  • Além de gostar de jogar Perfil, a Sofia disse: “Se é durante o dia, eu aproveito e durmo. Ou fico batendo papo com a família mesmo, minha família é muito de bater papo”.
  • A Beatriz Trevisan disse que curte conversar, jogar alguma coisa, brincar com a cachorra, dormir e ainda: “se for de dia, aproveita para sair e fazer aquilo que você tava enrolando pra fazer!”.
  • A Nicole Ranieri descreveu uma cena tão poética, que deu até vontade de ir para o interior: “Lá em casa a gente fica contando história. Se fosse no interior, a gente fazia um café e ficava assistindo o sol se pôr”.
  • A Mariana Fonseca disse que a família dela também gosta muito de conversar quando acaba a luz. Mas, se for durante o dia, ela também aproveita para ler.
  • Teve outra Capitolina, a Ana Maria Sena, que relatou uma cena gostosa de interior, mas que acontece na cidade grande: “A família da minha mãe, que e a que eu tenho mais contato, é de cidade pequena. Então, por mais que estejamos em Brasília, eles ainda repetem alguns hábitos, como ficar horas sentados na calçada conversando ou só observando o movimento da rua mesmo”.
  • A Nathalia Valadares admitiu: “É sempre um momento pra conversar lá em casa (e normalmente reclamar da falta de ventilador/ar condicionado). Eu não sei se tem algo específico que a gente faça”.
  • Parece que brincar de mímica a luz de velas é uma boa pedida! A Carolina Walliter também disse que adora, além de conversar.
  • Tem gente que prefere evitar o escurinho, tipo a Sarah Roque: “Se minha mãe tá em casa, eu leio ou fico conversando com ela; se estou sozinha, vou dormir porque tenho um pouco de medo daquele escuro que fica”.
  • A Natasha Ferla disse que ela e o irmão ficam brincando com o cachorro: “Daí as regras, tipo “cachorro é proibido no sofá” caem por água a baixo”.
  • Tem mais gente que brinca com o irmão! A Isis Ribeiro diz que ela e seu irmão ficam brincando de karaokê no Spotify.
  • A Daiane Cardoso conta: “Lá casa acabava a luz sempre, sempre mesmo. Em Cedral, qualquer ventinho derruba tudo e o suporte da CPFL às vezes demorava dias. Quando acabava à noite, lembro de correr para pegar vela e ficar brincando de sombra (coisa que meu pai não gostava que eu fizesse porque diz que isso não atraía coisas boas). Eu também gostava de ler, conversar, ir para a rua perguntar se acabou a luz no vizinho, aproveitando para conversar com o vizinho também (exceto se fosse aquele vizinho mala que todo mundo tem)”.
  • Parece que não era só na cidade onde a Daiane morava que a luz acabava sempre. A Iane Filgueiras conta que em São Gonçalo também era assim: “Lá em São Gonçalo também era sim, qualquer vento já acabava a luz. Até hoje temos um lampião a gás que era nosso companheiro nesses momentos. Às vezes ficávamos mais de um dia sem luz. Tinha o lado negativo do calor e dos mosquitos, mas eu tenho até uma espécie de saudade desses momentos. Brincávamos de mímica e de fazer sombra com as mãos. Jogávamos dominó e “O que é? O que é?”. Sempre tinha muita conversa e risadas. Era um momento ruim, mas legal. Quando faltava a luz e também quando ela voltava a vizinhança toda gritava “eeeeeeeee!”.
  • A Fernanda Kalianny disse pra gente: “Uma vez acabou a luz e eu tinha que terminar um relatório; fiquei escrevendo à luz de velas. Eu leio à luz de velas. Quando acaba a luz ficamos conversamos ou jogamos UNO. Quando cada filho morava numa casa e teve aquele apagão generalizado há alguns anos, ficamos conversando no telefone até a bateria acabar…”
  • A Debora Albu, por exemplo disse que dorme ou toma banho à luz de velas, o que dá um medo horrível, segundo ela. Não tem nada de errado ter um medinho do escuro, né…
  • Olha que cena bonitinha a Lúcia dos Reis contou: “quando eu era pequena, meu pai juntava todo mundo num cômodo e tocava violão, e a gente ficava cantando com ele. Depois que a gente cresceu, meu irmão pegou essa mania e ficava tocando violão. Então, eu associo DEMAIS falta de luz com cantar e tocar instrumentos”.
  • Ih, a Lorena Piñeiro também sente medinho do escuro. Ela disse que quando era pequena jogava xadrez, buraco, mímica, brincava de sombra com as mãos: “hoje eu sento e choro porque moro sozinha e tenho medo de escuro”.
  • A Heleni Andrade contou: “no tédio, a gente brinca de contato. É um jogo MUITO legal, dá pra brincar com a família também. Tem que ter no mínimo três pessoas. Uma pensa em uma palavra e dá a primeira letra. Se a letra for A, as outras duas (ou mais) pessoas vão ter que pensar em palavras com A e dar dicas. Exemplo, uma pessoa pensa em “abacate”, então ela dá a dica “fruta”. Se a outra pessoa pensar numa fruta também, ela diz “CONTATO”. Se elas falarem a mesma palavra ao mesmo tempo (tipo abacate) a pessoa que tá pensando na palavra tem que dar outra letra. Tipo A-C. Aí quem tá jogando tem que pensar em palavras com A-C e continuar assim até formar a palavra toda”.
  • A Mariana Cipolla contou que também gosta de ler à luz de velas. Ela disse que ter vontade de interagir com a família é meio rara, e quando acontece, eles jogam baralho ou jogo de tabuleiro.
  • A Carolina Stary disse que a primeira coisa que ela faz é chorar! Ela só não contou se é por medo ou pelo sofrimento de ficar longe da internet. Ela disse que também fica de babá dos cachorros, pois alguns deles têm medo de tempestades. Ela conta ainda: “quando eu era criança a gente brincava de “o que te lembra?”, tipo: o que te lembra lápis? Caneta. O que te lembra caneta? Caderno, etc.”.
  • Olha o que a Clara Browne contou: “Eu jogava mímica, buraco à luz de velas, fazia sombra com lanterna e, curiosamente, eu gostava muito de cozinhar no escuro. Tipo, fazer brigadeiro enquanto cai uma chuva desgraçada e só dá pra enxergar com vela, eu amava muito, muito, muito isso. É memória de infância total, hahaha! Hoje em dia, eu converso com meus pais (a gente se dá bem, então não é um problema conversar com eles, é algo que a gente já faz de qualquer forma), fico vendo as janelas dos prédios pra ver como o pessoal tá se virando sem luz (amo ver gente brincando de sombra pela janela) e durmo”.
  • A Lola Ferreira disse que dorme e escreve. Ela contou que quando morava com seus pais não socializava muito com eles.

E você, leitora, o que faz quando acaba a energia elétrica?

Gleice Cardoso
  • Coordenadora de Sociedade
  • Conselho Editorial
  • Colaboradora de Se Liga

Nascida e criada em Belo Horizonte - MG, é psicóloga e trabalha com pessoas em situação de risco e violação de direitos há quase 10 anos. Mulher negra, só descobriu a força de identificar-se como tal há pouco tempo, pois cresceu acreditando que era "moreninha". Tem duas gatas e um cachorro, mas queria ter 30 de cada. Tem vontade de comer sorvete todo dia (menos de manga) e faz crochê pra relaxar.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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