14 de novembro de 2014 | Ano 1, Edição #8 | Texto: | Ilustração:
A importância de não fazer nada
Ilustração: Bia Quadros.

Ilustração: Bia Quadros.

Imagine comigo a seguinte situação: é quarta-feira à tarde e você acabou de fazer AQUELA lista de exercícios de Matemática. Você senta por um minutinho na frente do computador pra dar uma olhada nas redes sociais antes de passar adiante para AQUELE dever de Geografia que você tem que entregar amanhã. Sua mãe passa pela porta do seu quarto e, sabendo do tanto de coisas que você tem para fazer, pergunta: você não tem nada para fazer não, menina?

Outra situação: uma amiga te chama para passar a tarde no parque dando migalhas de pão pros pombos e você responde que não!, jamais!, o cursinho pré-vestibular e o inglês e o dentista e o cachorro e a lição de casa não deixam tempo sobrando.

Se identificou com algum dos casos ou já passou por algo parecido? Eu aposto que sim. Essas perguntas e sugestões a respeito do seu tempo livre (ou das pausas no tempo não tão livre assim) podem ter um milhão de motivos, mas quase sempre derivam da incapacidade das pessoas de entenderem que estar à toa nem sempre é vagabundagem ou preguiça.

É claro que por causa daquela cobrança toda de estarmos sempre fazendo alguma coisa às vezes a gente nem se dê conta de que está exagerando na quantidade de páginas para ler antes da prova de sexta feira, porque parecer mais ocupada significa parecer mais importante ou mais esforçada, quando isso não é necessariamente verdade. Muitas vezes a gente abre o computador só pra dar uma olhadinha no Google a respeito daquela palavra que não entendemos bem e quando vemos já passou uma hora que estamos no Facebook! Obviamente acabamos gastando duas ou três horas fazendo uma coisa boba que se fosse foco de nossa atenção completa não teria gastado nem a metade disso.

Um fato importante: não somos e não devemos ser iguais uns aos outros. Enquanto algumas pessoas sentem prazer em fazer mil coisas ao mesmo tempo, outras se sentem melhor, mais livres ou até mais eficazes se focando em uma tarefa ou atividade de cada vez. O problema todo é que se espera que estejamos sempre ocupadas, seja estudando, trabalhando ou até mesmo nos divertindo. É bem comum saber de pessoas que o-d-e-i-a-m a aula de natação ou o curso de idiomas, mas que são obrigadas a frequentá-los porque os pais não querem que eles sejam preguiçosos, e isso não deixa escolha para quem todas essas coisas deveriam importar.

Outro fato importante: procrastinar ou dar umas paradinhas no que se está fazendo nem sempre é estar à toa. Às vezes parar para respirar é completamente importante para compreender a diferença entre cerrado e caatinga, ou sua barriguinha já está reclamando que você não deu atenção suficiente para ela durante a tarde. Ter tempo para si e fazer as coisas em seu próprio ritmo não são nenhum pecado capital. Recusar sair com os amigos no sábado porque está a fim de ver filmes e comer pipoca? Pode. Deixar de fazer uma questão daquela matéria em que você é fera? Pode também.

O que não pode é desequilibrar a quantidade de tempo que você dedica às coisas que você gosta ou precisa fazer, que são importantes a você, e o que você dedica a si mesma, a músicas bobas no fim da tarde e simplesmente deitar na sua cama olhando pro teto, porque no final das contas isso também é trabalhar para que tudo continue funcionando perfeitamente.

Ilustração: Bia Quadros.

Ilustração: Bia Quadros.

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos