13 de julho de 2015 | Cinema & TV | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Indicação da semana: Garotas

Vocês já devem ter percebido: representatividade é o meu tema preferido. Os motivos por trás disso também já conhecem, não é? Se quiserem relembrar, é só clicarem aqui e aqui.

Então, vamos à dica cinematográfica da vez. O filme de hoje é um achado maravilhoso, que atende pelo nome de Bande de filles, 2014 e traduzido no Brasil como Garotas. Esse é um drama francês dirigido por Céline Sciamma, que já esteve no comando de filmes igualmente sensíveis e maravilhosos, como é o caso de Tomboy, 2011.

Em Garotas, acompanhamos a trajetória de Marieme (Karidja Touré), uma adolescente, negra, pobre e periférica de 16 anos que vive num apartamento com sua mãe, irmão mais velho e duas irmãs mais jovens. Ela está sob diversas proibições: em sua vizinhança, na escola, por partes dos meninos… Seu destino muda quando conhece e se junta a uma gangue de três meninas, Lady (Assa Sylla), Adiatou (Lindsay Karamoh) e Fily (Mariétou Touré) que estão empenhadas em mudar seu destino e conquistar sua liberdade. Marieme acaba então repensando tudo aquilo que tinha como certeza e transforma sua juventude.

Esse processo é retratado de uma maneira magnífica, mas sabem o que mais me fez estar encantada por essa obra? O fato de que a cada segundo somos agraciadas com histórias e protagonismos de personagens negras, algo raro não só no cinema francês, mas infelizmente também no cenário cinematográfico mundial. São histórias de mulheres dirigidas por uma mulher.

Vemos a vida sob a perspectiva e olhares de jovens da periferia, de acordo com a forma com a qual entendem e lidam com violências machistas, racistas, econômicas e simbólicas. As questões de gênero, aliás, são uma das mais demarcadas, nos mostrando que elas também estão sendo marginalizadas entre os seus e que o patriarcado está permeando todas as suas relações, algo que fica bem nítido quando acompanhamos as cenas de Marieme e seu irmão.

Essas garotas utilizam de sua força, inconformidade e agressividade para subverter suas realidades, sedentas para distorcer as limitações impostas. Elas querem ser vistas, percebidas, notadas, visibilizadas, e utilizam dessa sororidade entre elas para alcançar e firmar suas identidades.

Céline consegue também retratar com primor cenas únicas de empoderamento, seja quando uma delas bate de frente com uma vendedora branca que as encara ou então quando estão cantando Diamonds a plenos pulmões.

A sensação que fica para mim é a de que, gostando ou não da maneira como as tramas se desenrolam, é preciso admitir que a forma como acompanhamos a busca pelo amadurecimento  de Marieme nos faz querer manter os olhos na tela até o final.

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Amanda Lima
  • Colaboradora de Saúde
  • Colaboradora de Educação
  • Colaboradora de Se Liga

Amanda, 22 anos, mas com carinha de 15. Ama o significado de seu nome, mas prefere que a chamem de Nina. Psicóloga e militante feminista, sabe que conhece ainda tão pouco e por isso tem uma sede muito grande em conhecer mais. Mais da vida, mais do mundo, mais de tudo. Nutre um amor incondicional por Beyoncé e, nas horas vagas, sonha em poder mudar o mundo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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