6 de agosto de 2015 | Artes, Música | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Insistência, conexão e música: Uma conversa com Sofia Vaz.

Aqui, na coluna de Artes, procuramos fazer mais do que analisar obras e artistas que admiramos, mas, principalmente, inspirar nossas leitoras. Queremos que vocês acreditem que também podem encontrar meios e linguagens para se expressarem – seja como um hobby ou como um ofício. Pensando nisso, conversei com a Sofia Vaz, integrante da banda Baleia, sobre sua experiência no meio musical. Espero que vocês gostem 🙂

Taís: Conta pra gente como você começou a se envolver com música e como a Baleia surgiu?

Sofia: Foi bem sem querer mesmo. Não tinha esse desejo específico de mexer com música, mas por conta das pessoas mais próximas estarem envolvidas, acabei entrando numa das brincadeiras… que acabou ficando mais séria do que eu esperava! Haha

Taís: A internet tem um papel importante pra banda, é um instrumento essencial pra expor seu trabalho ou é só mais uma entre outras ferramentas que ajudaram vocês crescerem?

Sofia: A internet é A ferramenta que existe atualmente. Dentro dela – que, a meu ver, nem é uma ferramenta, mas um universo todo – existem milhares de ferramentas… daí já é um outro papo. É uma complexidade de redes e meios de expor e trocar trabalhos que devem ser levados super a sério! Acho que ainda não foi dada a devida importância. Eu mesma não me vanglorio de estar entendida de tudo. Como a internet é um organismo vivo, é difícil seguir o fluxo e estar atualizada nas novas mídias que estão sendo utilizadas. Porém, isso que faz dela tão bacana. Fora o diálogo sem intermediários que pode ocorrer e é fenomenal.

Taís: Como foi o processo de decidir gravar um álbum? E como foi tornar isso real desde gravar até fazer uma turnê pelo país?


Sofia: Assim como com qualquer outro trabalho, com música é preciso que você tenha um material pra apresentar e conseguir novos trabalhos. Gravar um EP foi a nossa ideia inicial justamente pra isso. Depois de um tempo o EP se tornou um álbum mais longo (mas nem tanto, são oito músicas). Tornar isso real sendo independente é ir atrás de amigos e conhecidos que trabalhem em atividades que permeiam isso e com quem você se conecte de alguma forma. Uma vez que você se rodeia de pessoas que gostam de estar ali, gostam do seu trabalho e querem se envolver, tudo fica mais fácil. De todo jeito, tudo é mais difícil sendo independente: gasta-se energia e dinheiro e, principalmente, tempo pra conseguir. Um passinho de cada vez mesmo!


Taís: O que você acha que a internet ajuda e no que ela pode atrapalhar? Sem dúvida, depois da internet os artistas ganharam novas formas de se expressar independentemente, mas você acha que isso só ajuda ou também atrapalha em termos financeiros? 

Sofia: Na situação atual de mercado (da música), não vejo muito como ela possa atrapalhar. Sendo um grupo pequeno, o principal é que as pessoas ouçam a música e espalhem ela por aí. A internet facilita demais o acesso. Financeiramente, são os shows que dão algum retorno. O show é uma experiência diferente, de presença, que propõe muitas outras coisas, não só aquele áudio que você baixa na internet. O mercado mudou muito e ainda está num processo de transformação. Pagar por música se tornou um conceito ultrapassado.

Taís: Você acha que dá pra se sustentar fazendo arte independente? E como faz pra transformar um hobby ou uma paixão em um ofício que te garante retorno financeiro?

Sofia: Taí algo que a gente está ainda aprendendo. Não posso dar uma resposta definitiva, pois a gente mesmo está descobrindo aos poucos e agora, no processo! 🙂 Acho que, de alguma forma, dá sim pra transformar e ter um retorno. Talvez não só com um projeto ou atividade, talvez não da forma como é pensado dentro da formatação de carreira e trabalho que aprendemos na escola e nos é repetida todos os dias como sinônimo de ser “bem-sucedido”. Porém, vamos indo, ver no que dá!

Taís: O meio da música já superou o machismo ou você já sofreu alguma opressão por ser mulher e estar dentro dele?

Sofia: Acho difícil algum meio ter superado totalmente. Ainda é cheio disso. Até porque, como muitos dos meios, é ainda majoritariamente formado por homens. Seja na parte artística, de produção ou das áreas técnicas. Muito fácil a gente aparecer como uma bonequinha ali no meio, cuja função é ser bonitinha e dar sorrisos e responder de forma cordial. Já passei por algumas situações bem chatas… E o mais desgastante é perceber que isso é tido como usual e, quando a gente comenta e reclama, ouvir das pessoas à sua volta nas quais você confia que “… Ah, eu entendo, mas é assim mesmo, faz um esforço, não custa nada…!”.

Taís: Que dicas você daria pras minas que estão começando?

Sofia: Puxa, dicas específicas não sei. Tem que bancar e insistir no que você quer. Repetir cinco vezes porque muitas vezes não somos ouvidas, ou somos desacreditadas. A Bjork tava comentando isso numa entrevista outro dia. E fazer as coisas sempre de forma minuciosa, de forma que aquilo resulte em algo muito bom pra você, primeiramente. A partir disso, as pessoas olham para o seu trabalho como algo criterioso, onde dá pra ver o cuidado que você teve em todos os passos do processo. Acho que as dicas de todos os textos que atravessam essa revista valem pra tudo e todas. Se conseguirmos levar isso pra todas as situações do dia a dia, estamos bem.

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Taís Bravo
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Artes
  • Vlogger

Taís tem 25 anos e passa os dias entre livros, nas horas vagas dá lições sobre selfies para Kim Kardashian e aprende sobre o que foi e não quer ser com Hannah Horvath. Feminista deboísta, acredita no poder das sonecas, das migas e do mar acima de todas as coisas.

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