16 de março de 2016 | Ano 2, Edição #24 | Texto: | Ilustração: Beatriz H. M. Leite
Internet: um conjunto de nós interconectados

É uma tendência da humanidade se organizar em redes, mas esta nossa característica ganhou nova vida através da tecnologia, com a criação de redes de informação energizadas pela internet.

A história da criação da internet, na verdade, tem muitos detalhes que ajudam a esclarecer como nos comportamos hoje, não apenas virtualmente, mas em outros aspectos de nossa convivência social. Para explicar melhor, vou contar brevemente a história da internet.

Internet e sua origem

Como quase toda revolução tecnológica, a internet nasceu de pesquisas militares, num projeto chamado ARPANET, que tinha intenção de ligar as bases militares e os departamentos de pesquisas norte-americanos.

Criada no final dos anos 1960, o contexto de Guerra Fria e o crescente ativismo da contracultura propiciou um ambiente de compartilhamento de informação de forma que a estrutura de nódulos interligados se transformou num hábito cultural.

As relações dos pesquisadores envolvidos em projetos importantes para o desenvolvimento da internet com outros nomes notáveis da época foi se estruturando em uma rede de pessoas que movimentava o avanço tecnológico em direção a comercialização desta tecnologia.

Com a comercialização da internet houve um novo marco, pois não mais um grupo específico de pessoas se conectava em rede; por mais que ainda houvessem restrições, havia um potencial para toda população mundial estar conectada.

Redes dentro de redes

A internet foi criada por um grupo restrito, que a modificou e se modificou com ela; mas quando a internet foi comercializada, este e qualquer outro grupo não possuía mais poder ativo para o caminho que esta rede iria tomar.

As pessoas, descobrindo possibilidades de novas formas de comunicação através dessa invenção, se comunicavam por e-mails, criavam fóruns de discussão, e os desenvolvedores, identificando tendências de comportamento, usaram suas habilidades para maximizar essa nova forma de se organizar como sociedade e, assim, surgiram mensageiros instantâneos, redes sociais e nosso inseparável WhatsApp.

A mudança na forma que nos comunicamos criou uma descentralização de informação que influenciou não só os meios de comunicação como também nossa economia. Plataformas de crowdfunding e crowdsourcing, entre outros modelos, descentralizaram também nossa economia, possibilitando projetos que jamais sairiam do papel se dependessem do investimento de grandes corporações.

Para fechar o ciclo, surgem redes sociais como o tsu, que propõem uma rede autossustentável de compartilhamento de conteúdos, reestruturando e conscientizando os usuários do valor do conteúdo que criam através da distribuição dos lucros.

Nós & Nós

Existe um sociólogo espanhol chamado Manuel Castells que define a rede como “um conjunto de nós interconectados”. Eu acho a tradução dessa definição um tanto poética, porque sempre penso no possível duplo sentido da palavra nós (do inglês nodes, que também poderia ser traduzido como nódulos).

De certa forma, a internet também é um conjunto de nós, no sentido linguístico de pronome pessoal do caso reto, pois nos relacionamos através dela e, como é natural de nossa espécie, criamos coletivos dentro dela, através de fóruns, grupos de redes, etc. A própria Capitolina surgiu de uma rede de meninas que se conectaram através da internet para dar vida a um projeto no qual elas acreditavam e que não tinha espaço em meios tradicionais de comunicação.

A internet, no entanto, diferente do que muitos pensam, não tem sua experiência limitada ao mundo virtual, pois vemos como é possível transportar estas relações para outros âmbitos sociais. Há coletivos que surgem e se organizam através de redes sociais, há projetos que nascem de fóruns e há todo o tipo possível de interação – boa e ruim – que nasce e se modifica com auxílio da internet. Somos um conjunto de nós interconectados e devemos usar isso em nosso favor.

Lúcia Dos Reis
  • Coordenadora de Social Media
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Colaboradora de Literatura

Lúcia dos Reis, pequena em tamanho e gigante em ambições. Não sabe se isso é bom ou ruim, mas tampouco se importa. Vive entre letras e códigos, entre o papel e o pixel. Ganhou aplausos na FLIP 2015 com comentário feminista sobre Star Wars e queria deixar isso registrado em algum lugar desse mundo maravilhoso das interwebs.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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