3 de setembro de 2014 | Tech & Games | Texto: | Ilustração:
Investindo no futuro: as meninas na tecnologia
Ilustração: Helena Zelic

Ilustração: Helena Zelic

Como uma parte considerável das indústrias no mundo capitalista em que vivemos, a indústria da tecnologia e da informática é desenvolvida por homens para homens. Embora deva muito à participação feminina desde seu surgimento, o mercado tem histórico de deixar o apoio às minorias a desejar, dificultando o acesso às classes mais baixas, mulheres, negros e todos aqueles que não importavam imediatamente ao capital.

Acontece que, com o crescimento do mundo tecnológico e informatizado, essa indústria só cresceu: gerando um aumento da produção, dos lucros, da demanda e da necessidade de trabalhadores.

Empresas e organizações passaram a se posicionar e levantar a discussão da falta de diversidade dentro da indústria. Os números evidenciam esse problema: menos de 20% dos formandos em Ciência da Computação são mulheres. Dentre os cientistas e engenheiros, as mulheres negras representam só 3%. Apenas um quarto das vagas de tecnologia de informação são nossas. Todos esses dados deixam claro uma coisa: as mulheres precisam conquistar a tecnologia.

Além da força interna do próprio mercado, o movimento feminista dentro (e fora) da indústria tech só cresceu. Mulheres passaram a exigir seu espaço dentro das empresas. Queremos criar, desenvolver, produzir, jogar, vender e fazer tudo o que é direito nosso.

Conheça os programas de algumas organizações que estão investindo na formação de meninas na área de tecnologias e tentando contribuir com a redução das disparidades entre os gêneros:

Google

A Google é uma das empresas que mais financiou e enxergou as conquistas das mulheres dentro da indústria de tecnologia e informática. Nos últimos anos, ela investiu mais de 150 mil dólares em bolsas para programadoras na Hacker School – uma escola gratuita em Nova York que foca em formação de programadores.

Já em junho deste ano, lançou a Made With Code, iniciativa que investiu 50 milhões de dólares em formação de meninas na área de programação.

Além disso, a Google também passou a oferecer conferências internacionais em prol da inclusão de minorias dentro do mundo tech. Ela levanta a bandeira de que todos merecem a oportunidade de seguir carreira na área de tecnologia e computação, independente de raça, etnia, gênero ou deficiência.

Etsy

Outra empresa (não tão grande como a Google) que também tem se mostrado interessada na ampliação do número de mulheres dentro do mundo da tecnologia é a Etsy: um site fofo de compra e venda de artigos artesanais que busca ajudar as produções independentes de todas as áreas.

O Etsy Hacker Grants inclui bolsas de estudo e programas de patrocínio em colaboração com a Hacker School, focados em colocar mais mulheres nos cargos de programação dentro da própria Etsy.

Não estamos sozinhas!

Além dos programas já citados, existe uma série de outras empresas e pessoas mobilizando-se pelo mundo para inserir cada vez mais mulheres no mercado de trabalho de tecnologia e computação. Por exemplo, a Girls Who Code conta com o apoio financeiro de empresas como Twitter, Microsoft, Intel, eBay, dentre outras, para inspirar, educar e equipar meninas com conhecimentos de computação. A Nasa também tem um programa de inclusão de mulheres chamado WISH, que conta com um acampamento de verão para estudantes do Ensino Médio. Ou mesmo coletivos universitários, como a She++ da Universidade de Stanford, nos EUA.

Existem milhões de textos na internet, mulheres incríveis nas redes sociais, projetos no mundo inteiro que provam que as garotas da tecnologia e da computação não estão sozinhas. Elas estão aí e lutam muito para conquistar seu espaço.

Para quem tem mais interesse e não quer parar por aqui – porque essa discussão é muito importante e diz respeito a muitas mulheres (e a uma parte importante da luta feminista) –, pode checar o site das Mulheres na computação. E quem quiser aprender mais sobre programação, não deixe o sistema te impedir! Acesse o site do Code Academy: ele pode te ajudar (e, além do mais, é grátis).

Gabriela Sakata
  • Ilustradora
  • Colaboradora do Tecnomanícas
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Poéticas
  • Audiovisual

Gabriela, 24, moro em São Paulo/SP. Gosto de assistir documentários e umas bobagens no Netflix, ficar no Tumblr e assistir videos no Youtube. Além disso adoro achar músicas novas pra escutar, conversar sobre política, jogar Age of Empires ou Sims e ler teorias da conspiração. Estou cursando Artes Visuais e tenho um instagram com minhas ~~artes~~ (@bbbibilandia).

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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