27 de março de 2015 | Edição #12 | Texto: | Ilustração: Clara Tibery Rende
Já diria Beyoncé: “Crazy in love”
Ilustração: Clara Tibery Rende.

Significado de “loucura”, no Dicionário Aurélio:
1. Alienação mental.
2. Insensatez; imprudência.
3. Extravagância.
4. Doidice, ato descontrolado ou irrefletido.

A princípio, parece algo bom estar tão embriagada de amor que você beira isso que é chamado de loucura. O que se imagina é que a pessoa está transbordada de amor, perdendo os sentidos para a paixão. Mas para Foucalt, a paixão é a segunda estrutura da loucura, em seu sentido mais pejorativo. Isso porque as paixões alteram o humor, afetam o comportamento, deixam a pessoa agitada e propícia a ser imprudente. Em sua visão, a loucura é a desfragmentação do corpo-alma, promovida pelas paixões descontroladas que constroem um campo irracional. Ou seja, quando apaixonadas, ficamos desatinadas.

Mas quantas de nós já, de fato, cometeram atos descontrolados, extravagantes, insensatos ou imprudentes por paixão? Creio que muitas podem dizer que cometeram. Talvez em diferentes níveis, mas quando nos apaixonamos, as coisas ao nosso redor e dentro de nós mudam. Não que necessariamente deixemos de ser nós mesmas – muito embora, em casos de relacionamentos abusivos, perdemos uma parte de nós mesmas enquanto estamos com o abusador, se rendendo ao seu molde –, mas nosso pensamento começa a ficar um pouco fixado naquela pessoa algum tempo diário, queremos vê-la, contatá-la, e um simples bom dia já ilumina a manhã. Até mesmo seu sono se altera, a pessoa invade seus sonhos. Nem de madrugada você consegue mais se poupar da lembrança dela. Isso é praticamente algo comum, normal até. Quando você se apaixona, sua atenção acaba por desviar um pouco para a pessoa querida. Mas já há, claramente, uma alteração da sua mente, do seu comportamento. Claro que isso se deve a um fator novo, sendo uma adaptação a esse novo fator em sua vida. Mas não deixa de provocar uma alteração.

Mas vamos mais além. Quando a paixão já deixou de ser mera paixão e virou amor. Por algumas leituras pessoais e um embasamento também pessoal, tem-se a paixão como o período no qual ficamos cegas aos defeitos do outro e só vemos coisas boas, beirando a obsessão também, tudo gira em torno do seu afeto. O amor já é mais maduro e, consequentemente, duradouro. Amamos quando mesmo vendo os defeitos do outro, acordamos todos os dias dispostas a amar aquela pessoa. O amor não coloca nossa rotina em torno da pessoa, nossas ações continuam seguindo um fluxo normal. Já quando tomadas pela paixão, esse fluxo não parece muito claro. Por vezes nos pegamos pensando na pessoa no meio de uma prova da faculdade, checando o WhatsApp de dez em dez minutos para ver se a pessoa ficou online nesse tempo e não nos contatou, visitando Facebook com absolutamente nenhum propósito ou ainda o propósito de stalking. É saudável? Não. É controlável? Creio que não. O que quero te dizer com esse texto é: você não está sozinha, não tem problema algum em já ter enlouquecido por alguém. Infelizmente, acontece.

Tão doloroso quanto se apaixonar é ter que desapaixonar. Aí, talvez, cometemos atos ainda mais imprudentes. Jogamos nosso amor-próprio e dignidade na gaveta e esquecemos onde guardamos a chave por um tempo. Se você já passou dos limites paixão, não se sinta anormal, muitas de nós já estivemos lá, muitas de nós talvez um dia estarão lá. Pode ficar tranquila, aconteceu até com a Beyoncé.

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

  • luisa

    Gostei do texto! Gostei muito das ideias apresentadas e a forma como vc as expos, achei muito interessante o assunto. Só senti que ficou faltando alguma coisa :( tipo, isso não é normal e pronto? Acabou por aí? Hahaha pelo assunto ser tão interessante e acredito que muito comum entre nós, acho que você podia ter explorado muito mais!! Senti como se você só tivesse introduzido o assunto… Queria ouvir muito mais do que você tinha para dizer!!
    Mas mesmo assim gostei do tema abordado (:
    Bjos

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