26 de outubro de 2017 | Ano 4, Se Liga | Texto: | Ilustração: Isadora M
Kesha e ‘Rainbow’: quando a dor vira arte
Kesha-IsadoraM

“Rainbow” é o canto de liberdade de Kesha. O álbum, com 14 faixas, é o primeiro a ser lançado depois de um hiato de cinco anos de trabalhos em estúdio: seu último CD foi “Warrior”, que saiu em 2012. O projeto é ainda o primeiro sem a produção de Dr. Luke, contra quem a artista moveu um processo alegando que ele abusou sexualmente, fisicamente, verbalmente e emocionalmente dela, até o ponto de a cantora quase perder a vida. A batalha judicial fez com que Kesha ficasse longe da música por quase quatro anos. Agora, finalmente, ela está de volta. 

Além de assinar quase todas as canções de “Rainbow”, Kesha está entre as produtoras do projeto, sendo dela a produção executiva. É um trabalho mais pessoal do que seus discos anteriores, o que fica claro, inclusive, nos temas que aborda. A primeira canção a ser divulgada foi “Praying”, que nos conta muito sobre o que a cantora passou nos últimos anos. Estão ali os sentimentos de solidão, desamparo, desespero, a luta contra a depressão, perdão e a esperança do recomeço. 

Em uma carta que escreveu para o site Lenny Letter, ela explica: “Eu me obrigava a sair da cama, levar minhas emoções para o estúdio e fazer arte a partir delas”. Kesha ainda conta: “Essa música é sobre encontrar paz no fato de que eu não posso controlar tudo — porque tentar controlar todo mundo estava me matando. É sobre aprender a deixar as coisas fluírem e perceber que é o universo que está no controle do  meu destino, não eu”.

Essa não é a única canção de “Rainbow” que remete ao entendimento de deixar as coisas seguirem seu curso. “Learn to let go” também trata disso, mas com um outro olhar. “Se você deixar que os seus demônios te assombrem, então eles vão te assustar para sempre. Aprenda com os seus erros, mas não se afunde neles, e se você sente que alguém errou com você, deixe que esse seja um problema alheio – e não seu”, escreveu ela comentando a canção, numa outra carta, agora publicada no Huffington Post: “É tudo sobre abraçar o passado, mas não deixar que ele defina você”.

A faixa-título, “Rainbow”, foi a primeira música do disco a ganhar letra. Kesha começou a trabalhar na canção quando ainda estava internada numa clínica de reabilitação tratando de seu transtorno alimentar. “‘Rainbow’ era apenas minha promessa, minha carta para mim mesma de que as coisas iriam melhorar. Foi meu mantra, porque no final de uma tempestade vem um arco-íris”, comentou ela ao falar das faixas de seu novo disco para a NPR Music.

A volta por cima também está presente. Por exemplo, na letra de “Woman”, quando ela canta que não precisa de homem nenhum que a abrace forte. Ela já é uma mulher e, como está mostrando no disco “Rainbow”, sabe bem o que quer fazer e como quer fazer.

Ao entoar que “não deixe os bastardos derrubarem você”, em “Bastards”, Kesha mostra que encontrar essa força interior nos faz mais cientes de que temos nossas qualidades e precisamos lutar por nós mesmos. Ah, e sem deixar para depois, porque “a vida é muito curta”, como ela canta: “Fui subestimada minha vida inteira / Eu sei que as pessoas falam merda, e querida, está tudo bem / Mas eles não quebrarão o meu espírito, não vou deixar que vençam / Vou continuar vivendo, continuar vivendo / Do jeito que eu quiser viver”.

Aline Bonatto
  • Colaboradora de FVM & Culinária

Oie! Eu nasci há alguns anos atrás (num dia de abril, em 1988), morei até os 19 anos em Colatina, um lugar quente no Norte do Espírito Santo, e vim para Niterói estudar Jornalismo. Saí da faculdade, mas não de Niterói e trabalho no Rio como repórter de TV. Gosto de escrever, ler, cozinhar, especialmente se eu não for comer sozinha, adoro ficar largada no sofá assistindo a séries/filmes/novelas acompanhada do namorado ou de amigos ou com todo mundo junto. Ah, e com um brigadeiro na colher!

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