26 de junho de 2019 | Ano 5, Edição #48 | Texto: | Ilustração: Heleni Andrade
Literatura LGBTQIA

Crescemos sem ver a diversidade representada na televisão, na mídia e nos livros. O apagamento dos nossos corpos na literatura fez com que até pouco tempo atrás, fosse impensado encontrar facilmente nos livros histórias de pessoas não héteros ou não cisgêneros. Representatividade importa, e isso é verdade também na literatura! Pensando nisso, nós da Capitolina resolvemos listar pra vocês alguns dos nossos livros preferidos com temática LGBTQIA!

 

Fera, de Bire Spangler 

Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos: ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o gênero masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar, ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração. 

 

Apenas uma garota, de Meredith Russo 

Prestes a entrar na vida adulta, Amanda Hardy acabou de mudar de cidade, mas a verdadeira mudança de sua vida vai ser encarar algo muito mais importante: a afirmação de sua identidade. Tudo que ela mais quer é viver como qualquer outra garota. E, embora acredite firmemente que toda mudança traz a promessa de um recomeço, ainda não se sente livre para criar laços afetivos. Até que ela conhece Grant, um garoto diferente de todos os outros. Ela não consegue evitar: aos poucos, vai permitindo que Grant entre em sua vida. Quanto mais eles convivem, mais ela se sente impelida a se abrir e revelar seu passado, mas ao mesmo tempo tem muito medo do que pode acontecer se ele souber toda a verdade. Porque o segredo que Amanda esconde é que ela era um menino.

Em seu romance de estreia, Meredith Russo retrata o processo de transição de uma adolescente transexual, parcialmente inspirada em suas próprias experiências. Enquanto traz à tona questões difíceis como dilemas existenciais, preconceito e bullying, o livro também fala de forma esperançosa e leve sobre amizade, descobertas e autoaceitação.

 

1+1 A matemática do amor, de Augusto Alvarenga e Vinícius Grosso

Lucas e Bernardo são dois garotos, melhores amigos um do outro de toda a vida. De repente, recebem a notícia de que Bernardo irá se mudar com a família para outro país. Nesse momento, cada um a seu modo, percebe como valiosa era aquela amizade, algo que não queriam perder. Bernardo reage mal e se revolta. Lucas tenta transformar cada dia que resta com o amigo na melhor experiência de suas vidas. Ele escreve uma lista de coisas para fazer e pretende cumprir uma por uma, em todos os detalhes. Mas, a cada dia, o fantasma da separação os assombra com um cronômetro lembrando que o tempo se esgota e, ainda assim, os dois passam por grandes momentos juntos. Então os meninos percebem que há algo mais entre eles… um sentimento profundo, que não conseguem explicar e tornam todas aquelas experiências ainda mais intensas. Mas o que fazer com tudo isso quando se tem apenas 16 anos?

 

Tash e Tolstoi,  de Kathryn Ormsbee

Nesse romance, Tash é uma adolescente produzindo uma websérie inspirada em seu livro favorito, Anna Karenina, um clássico da literatura mundial em parceria com alguns de seus melhores amigos. Quando sua série se torna um sucesso espontâneo na internet, ela precisa aprender a lidar com a pressão da fama e de seu próprio ego cada vez mais inflado — tudo isso enquanto tenta se entender e se descobrir enquanto assexual.

 

O menino de ouro, de Abigail Tarttelin

A família de Max vive uma ilusão de projetar sempre a imagem da família perfeita e bem sucedida, e não permite nenhum desvio de imagem. Max, aparentemente, vive muito bem essa ilusão já que é o menino de ouro. Ele é o melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático e faz sucesso entre as garotas. Todo mundo que olha de fora, diria que sua vida não é nada além de perfeita. Mas o que ninguém sabe é que Max esconde um segredo. Max é intersexual – que é um termo guarda-chuva que descreve pessoas que nascem com condições genéticas e/ou ou anatomia reprodutiva ou sexual  que não podem ser classificados como sendo tipicamente masculinos ou femininos. 

A autora Abigail Tarttelin, constrói a história a partir do olhar de cada personagem que orbita em torno de Max. É muito interessante ver como cada personagem da família e amigos, para além do próprio Max,  se relaciona com sua identidade. Tarttelin trata de maneira muito sensível a história que traz desde questionamentos de identidade até casos de abuso sexual. A leitura é muito importante para conhecer um pouco mais de como a intersexualidade ainda é uma identidade desconhecida e que muitas vezes está restrita ao ambiente hospitalar devido a nossa falta de informação e preconceito.

 

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

A obra é um clássico quando falamos de literatura LGBTQIA. O livro conta a história de Dorian Gray, um jovem rapaz, igualmente belo e vaidoso, que decide um dia vender a sua alma para que a sua figura em um retrato envelheça e desapareça, enquanto ele mesmo permanece jovem para sempre. Embora não seja um livro de temática explicitamente LGBTQ, a versão original da obra foi publicada 120 anos depois de sua primeira publicação, sem censuras, onde um dos personagens se apaixona por outro do mesmo gênero. Sem contar que Oscar Wilde, o autor, era homossexual e já chegou a ser preso por causa da sua sexualidade, em uma era em que expressar sentimentos românticos ao sexo oposto era considerado crime.

 

Outras recomendações de quadrinhos publicados via financiamento coletivo:

 

Histórias Quentinhas Sobre Sair do Armário

Organizado pela quadrinista Ellie Irieu,, a obra é uma coletânea de quadrinhos sobre identidade, descobrimento e aceitação.

Ser LGBTQIA na nossa sociedade pode ser difícil. Mas existe na mídia um foco desproporcional em tragédias, e a ficção protagonizada por personagens queer é quase sempre trágica. Isso não condiz entretanto com a realidade, onde nossas vidas são diversas e é possível sim encontrar finais felizes. Com isso em mente, a quadrinista teve a ideia de criar um livro sobre experiências queer onde tudo acabasse bem, e o leitor—principalmente os leitores LGBTQIA—possam fechar o livro e continuar seu dia com o coração quentinho e cheio de esperança (e dá mesmo <3 ). O momento de sair do armário, muitas vezes assustador, foi escolhido pra mostrar  que isso nem sempre tem que ser triste ou difícil, e que vale a pena viver a vida sem esconder quem se é. Embora as histórias sejam fictícias, todas as autoras são LGBTQIA e escrevem sobre temas relacionados à sua realidade. As autoras são: Annima de Mattos, Aline Lemos, Ellie Irineu e Renata Nolasco.

 

Melaço

Sete quadrinhos em um livro de romance & good vibes! Melaço é um projeto de quadrinhos com sete histórias curtas e fechadas. São personagens diferentes, estilos diferentes, climas diferentes e dois pontos em comum: romance entre meninas & good vibes. As autoras são: Aline Lemos, Bruna Morgan, Dani Franck, Dika Araújo, Jujuqui, Manu Negri, Talita Régis, mtika e Lita Hayata.

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