17 de agosto de 2016 | Esportes | Texto: | Ilustração: Laura Athayde
Lugar de mulher é nas Olimpíadas
lute

As Olimpíadas Rio 2016 trazem um recorde na participação das mulheres, 45% dos atletas inscritos para competir são do gênero feminino.  São 5.183 mulheres contra 6.275 homens. Essa Olimpíada já se destaca pelo poder e empoderamento feminino, com as mulheres dando um show e representando muito bem seus países (principalmente as da delegação brasileira). Mas como chegamos até aqui? Será que foi fácil a inserção das mulheres nos Jogos Olímpicos e no esporte em geral? É sobre isso que quero conversar com vocês um pouco.

A presença da mulher nas olimpíadas não foi um espaço fácil de ser conquistado.  Desde a Grécia Antiga, eram poucas e raras as aparições das mulheres nas competições, ou nos ambientes da prática de atividades físicas, o que perdurou até o início do século XX.  O processo histórico de inserção olímpica das mulheres foi marcado por muita luta, gerando grandes episódios de reivindicação por direitos iguais em que grandes nomes se destacaram e entraram para história.

Algumas mulheres foram fundamentais para a inclusão feminina nas competições esportivas e, em especial, nas olimpíadas. Uma das figuras mais importantes para a inclusão das mulheres nas olimpíadas foi a francesa Alice Melliat, que através da Federação Esportiva Feminina Internacional, reivindicou, junto ao Comitê Olímpico Internacional, a entrada efetiva das mulheres nas competições de atletismo e de outras modalidades nos Jogos Olímpicos. O processo de inclusão das mulheres na prática esportiva e atividades físicas no Brasil seguiu o mesmo padrão internacional e teve em Maria Lenk um ícone na representação feminina no esporte e nas atividades físicas, que foi fundamental para história da natação feminina dentro do esporte brasileiro. Ela foi a primeira a representar o Brasil e a América do Sul nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, e ainda inovou com o estilo borboleta.

 

Maria Lenk

A década de 1930 ainda é marcada pelo primeiro campeonato feminino de bola ao cesto – aka basquete – (São Paulo), com as mesmas regras dos homens e duração de quatro períodos de dez minutos, vencido pelo City Bank Club.  Maria Esther Bueno foi um dos ícones e conquistou espaço esportivo internacional ao vencer o campeonato de Wimbledon de tênis em 1959, 1960 e 1965 na disputa individual e nas duplas em 1958, 1960, 1963, 1965 e 1966. Nas olimpíadas de 1964 em Tóquio, Aída dos Santos, outro importante ícone na evolução feminina nos esportes, obteve a melhor participação brasileira em olimpíadas

Apesar dos avanços e da crescente presença da mulher nos esportes, sem dúvidas, ainda temos um caminho muito longo pela frente. Isso porque mesmo com a presença da mulher em muitas categorias de esporte, o machismo e preconceitos diante das atuações femininas ainda impedem a equidade e democratização de gêneros no esporte. Para exemplificar, as barreiras que as mulheres ainda tem que enfrentar no mundo esportivo:  (1) o entrevistador oficial do Aberto da Austrália pediu que a tenista canadense Eugenie Bouchard desse uma ‘voltinha’ em quadra após vitória,  (2) enquanto era campeã invicta do UFC, Ronda Rousey ganhava menos de um terço do que homens que exerciam o mesmo papel, (3)  Marta já foi eleita a melhor do mundo por cinco vezes, mesmo assim a audiência do futebol feminino não chega a um terço do futebol masculino.

A grande novidade anunciada para as Olimpíadas de 2016 que busca diminuir  esse cenário desigual é que todos os novos esportes incorporados aos jogos – como o rúgbi – deverão ter disputas para os dois gêneros, ou seja, podemos esperar a presença da mulher em todas as categorias esportivas, segundo o Comitê Olímpico Internacional (COI),

Mesmo com essas barreiras, Rafaela Silva  (judô) do basquete, Marta (futebol), Duda Amorim (handebol) Juliana e Maria Elisa (vôlei de praia), Fabiana Murer (atletismo), Martine Grael (vela), Fernanda Keller (triathlon), Fabiana (vôlei), Rebeca Andrade ( ginástica olímpica) se destacam nas suas categorias esportivas entre outros nomes de peso. Com toda sua resistência e força, elas se tornaram campeãs e vencedoras de seus próprios limites provando que todos podem vivenciar as práticas esportivas, sem  distinção de gênero e que lugar de mulher também é no esporte e nos Jogos Olímpicos.

Vicky Régia
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Esportes
  • Colaboradora de Tech & Games

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.