5 de outubro de 2015 | Sem categoria | Texto: | Ilustração: Dora Leroy
Mãe, cadê nossa câmara adiabática?

A gente tem uma mania muito bizarra de achar que ciência é uma coisa que fica no laboratório e que de vez em quando é usada na engenharia e transferida pras coisas ~tecnológicas que a gente usa no dia-a-dia, tipo televisão e celular. Só que a gente usa ciência o. tempo. todo. nas coisas mais simples do mundo sem perceber. “Uai, Bia! Na minha primeira aula de Química minha professora me falou que fazer um bolo é literalmente a mesma coisa que uma reação química super complexa!” Okayyyy, tem umas coisas bem óbvias que a gente sabe que envolvem princípios científicos. Mas também tem umas coisas que eu aposto que você nunca prestou atenção! Quer ver?

PANELA DE PRESSÃO
Quando a gente fala de transformações na Física, geralmente estamos mexendo com a pressão, a temperatura ou o volume do sistema em que estamos trabalhando. Na prática, a maioria das transformações que acontecem na natureza ou até mesmo em laboratório é feita em pressão constante, a mesma que a própria atmosfera ocasiona na altitude da cidade em que está acontecendo.
Na hora de cozinhar, a metamorfose dos alimentos acontece porque variamos a temperatura por uma quantidade determinada de tempo, de uma maneira mais brusca ou não, de acordo com a intenção – fritar, cozinhar, assar, etc. A pressão não fica diferente da do lado de fora da panela porque a água que evapora da comida vai embora!
Só que na panela de pressão a gente dá um jeito de não deixar os gases escapulirem, e eles fazem com que o volume lá dentro aumente, e, por isso, a pressão também aumenta e fica bem maior do que a da atmosfera. Isso faz com que a comida cozinhe mais rápido, fazendo o seu feijão ficar pronto bem a tempo da hora do almoço!

GARRAFA TÉRMICA
A tendência universal das coisas no mundo é ficarem com a mesma temperatura. É por isso que uma xícara de chá quente esfria num dia frio e sua água gelada esquenta rapidinho no verão. Quando um corpo faz com que a temperatura do outro varie pra que os dois atinjam um equilíbrio, a gente fala que está acontecendo uma transferência de calor. Quando estamos realizando experimentos, pode ser que precisemos saber quanto calor uma reação libera ou precisa absorver pra acontecer, ou qualquer coisa do tipo. Nesses casos, são usadas câmaras adiabáticas (ou seja, que não deixam o ambiente interagir com o experimento) pra medirmos isso. Você sabe o que é uma excelente câmara adiabática? A sua garrafa térmica!!! “Bia, você está exagerando”. Não estou! Até usamos garrafas térmicas nas aulas práticas do laboratório de físico-química! Elas funcionam porque usam TRÊS maneiras diferentes de não deixar o calor fugir: uma parede espelhada, uma parede isolante e um espaço a vácuo entre elas. Assim, não tem jeito: seu café vai continuar quentinho por horas a fio mesmo no dia mais gelado do inverno!

FACAS AFIADAS
Uma das grandezas estudadas pela Física é a pressão, que é a relação entre uma força que está sendo aplicada em um objeto e a área em que esta força se distribui. Pra uma mesma força, quanto menor a área de contato maior a pressão. Assim, quanto mais afiada a faca, menor a área de contato no fio dela e menos força você precisa aplicar pra exercer a mesma pressão! Isso explica também porque segurar uma agulha entre seu indicador e seu polegar tem que ser feito de um jeito bem delicado pra que você não se fure, enquanto fazer a mesma coisa com uma caneta não requer tanto cuidado!

A BAGUNÇA DO SEU QUARTO
Na termodinâmica (que é o estudo das transformações causadas pelas variações de temperatura, pressão e volume), existe uma grandeza que mede a capacidade de certa situação se reverter espontaneamente ou não: a entropia. Por exemplo, uma cachoeira não cai pra cima, então a água não volta pra seu ponto de origem espontaneamente. A entropia usa como base pra isso o grau de desordem das moléculas do sistema. Pela entropia, a tendência de todas as coisas do universo é a desordem, já que assim as moléculas têm mais liberdade para se movimentarem do jeito que quiserem! Ok, na verdade a entropia só é válida pras moléculas, então não pode ser aplicada à maneira com que as coisas do seu quarto se organizam. Mas você super pode usar isso de desculpa da próxima vez que não estiver a fim de deixar tudo no lugar! 🙂

Eu acho incrível podermos usar ciência pra explicar por que a Terra gira em torno do Sol, ou construir carros que gastam menos combustível, ou pontes que são lindas e aguentam milhares de toneladas sem cair. Mas eu acho mais fascinante ainda como podemos usá-la o tempo inteiro sem sequer nos darmos conta da complexidade de coisas que fazem parte da nossa vida cotidiana, porque quase sempre são coisas simples que despertam a nossa curiosidade pros mecanismos mais complexos. E vocês, acham mais legal saber dessas coisinhas do dia-a-dia ou preferem teorias grandiosas? Lembraram de mais alguma coisa que envolve ciência no nosso dia-a-dia e em que não costumamos reparar? Contem pra gente nos comentários!

Beatriz Rodrigues
  • Colaboradora de Ciências
  • Colaboradora de Estilo
  • Colaboradora de Saúde

Bia Rodrigues ou só Bea tem 19 anos, é mineira, estudante de Farmácia e adora fatos inúteis. Se tivesse que comer só uma coisa pelo resto da vida, escolheria batata. Ainda não acredita que conheceu outras meninas da Capitolina. É 60% Corvinal e 40% Sonserina.

  • Amanda França

    Amei bea, essa foi uma explicaçao e tanto, gostaria que em vez dos prof, vc fosse da aula sería tão mais divertido vc nao acha.kkk

    • beatriz

      hahahahaha poxa, espera mais alguns anos e quem sabe……

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Adoro as matérias de ciências, principalmente porque nunca entendi direito e estou achando super legal

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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