10 de outubro de 2014 | Edição #7 | Texto: | Ilustração:
A magia do amor
Ilustração: Isadora M.

Ilustração: Isadora M.

Não é que acontece do nada. É como um mosquito, você só sente que ele te picou quando sua pele está vermelha e aquela vontade de coçar parece bem a calhar. Mas quando está enfeitiçado pela magia do amor, algo já está mudando. Você não percebe o quê, mas é como se alguém trocasse seu filtro sujo com uma visão do mundo triste para outra cheia de coraçõezinhos e com filtro de Instagram para todas as coisas que acontecem ao redor. Um sorriso sempre está lá, no seu rosto, mesmo séria. Até quem te vê na fila do pão sabe que a magia do amor está dentro de você, que é forte – não tem como se afastar dela facilmente.

Engana-se quem acha que o amor envolve apenas um relacionamento com um(a) parceiro(a). Envolve outras coisas: comida, livro, banda, celular, amigo, família, filho, matéria da escola, professores… O amor é único. E o sentimento que seu corpo nutre por isso é mais ou menos o mesmo (com suas devidas intensidades). Ao estar perto desta coisa, uma sensação de conforto, felicidade e alegria constante aparece. No seu estômago, alguma ansiedade e um fluido gástrico agitado, às vezes chega até doer. Na sua visão, o céu está tão bonito mesmo nublado e quase chovendo. Seu corpo todo sente isso. Dos fios de cabelo até o dedão do pé. Se alguém desligar o ambiente que está vai ver que você ilumina tudo, como se fosse uma estrela. Às vezes, tão brilhosa quanto o sol.

Seus ouvidos também passam a escutar apenas coisas boas. Passam a ver amor em qualquer discurso ou música que antes considerava brega. Seu olfato também muda, e você sente o cheiro de algo que não está ali. Aquele perfume, cheiro de novo, morango, ambiente. As palavras que saem na sua boca são mágicas, palavras que transbordam amor. É como já diziam: a boca fala o que o coração está cheio. E seu coração metafísico está cheio de amor. É como se fosse um copo d’água transbordando, o líquido escorre até a mesa, que se espalha e vai até o chão, molhando tudo que está perto. A única coisa que quer fazer é falar sobre aquilo. Ver aquilo. Ter aquilo. Estar sempre com aquilo.

O amor por um objeto é diferente de uma pessoa. Aquela camisa que ama sempre te trará aquela sensação de conforto e alegria, mas você não tem vontade de mudar por causa disso. Mas com pessoas sim.

De repente, quando você ama uma pessoa, seu olhar externo para o mundo se volta para si. Como se seus olhos virassem até ver as suas entranhas e cérebro, com sangue pulsando e neurônios trabalhando. Seu olhar, já modificado pela magia, observa que dentro de ti também tem algo de errado. A mudança interna não é para o mundo: É para você.
Tem vezes que a pessoa que amamos nos diz o que está errado conosco. Ela pode não ter sido a única que fez esta observação, mas foi aquela que fez a diferença. Quando você está encantada, quer parecer perfeita. Ok, a perfeição não existe, mas chegar perto dela, por que não?

Como uma boa magia, o amor envolve cada célula sua e tudo que está a sua volta; de alfinete a sua mãe. E a sua vontade é que o mundo saiba como é bom amar algo. Amar alguém. Ter amor em si. Esta magia é uma das mais poderosas de todo o universo. Já transformou uma fera em um belo príncipe. Bairros, cidades, estados, países, continentes. E de tão poderosa, pode transformar todo a galáxia. All you need is love.

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Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

  • http://www.fotolog.com/nyneve_/ Viviane

    All you need is love ? ? ?

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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