25 de outubro de 2014 | Ano 1, Edição #7 | Texto: and | Ilustração:
A magia do cinema
Ilustração: Dora Leroy.

Ilustração: Dora Leroy.

Texto de Ana Gabriela e Heleni Andrade

Há muito tempo, já no fim do século XIX, uma descoberta mudou – e muda, até hoje – nossas vidas: um aparelho chamado cinematógrafo, que reproduzia imagens em movimento. O cinematógrafo, atribuído aos irmãos Auguste e Louis Lumière, foi na verdade inventado por Léon Bouly, em 1892. Mas foi a partir de 1895, quando os irmão Lumière registraram a patente do aparelho, que as demonstrações públicas de filmes passaram a acontecer. Entre os primeiros filmes feitos pelos irmão está L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat (A chegada do trem na estação), apresentado em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895. Nele podemos ver a chegada de um trem na estação de La Cioat.

Hoje em dia esse filme parece ser bem simples, né? Mas imagine a surpresa de todos os espectadores que nunca tinham visto antes uma imagem em movimento. Muitos entraram em pânico ao ver um trem vindo em suas direções! Nós, que já estamos acostumados com o cinema, não percebemos o quão mágicos os filmes, até mesmo os mais simples, podem ser. Ao juntar diversas imagens em sequência, a magia do movimento acontece. E quando essas imagens se misturam com sons e efeitos especiais a magia é maior ainda. Foi George Méliès que fez isso pela primeira vez.

Méliès foi um ilusionista francês que pretendia utilizar o cinematógrafo em suas apresentações. Tendo o pedido de compra negado pelos irmãos Lumière, Méliès foi para Londres, onde conseguiu um protótipo do aparelho. Ele passou, então, a filmar seu cotidiano em Paris e, aos poucos, percebeu as inúmeras possibilidades que o cinematógrafo lhe proporcionava, criando diversas técnicas de filmagem e narrativa utilizadas até hoje. Foi Méliès o primeiro a utilizar a edição de imagens, implantando o que ficou conhecido como cinema de ficção. Ele trouxe a ilusão para o cinema, criando um mundo fantástico através de seus filmes.

Em sua produção mais famosa, Le Voyage dans la Lune (Viagem à Lua), um grupo de cinco astrônomos viajam à Lua em uma cápsula lançada por um canhão gigante, onde são capturados por selenitas, habitantes lunares, mas voltam salvos à Terra. Assim como os outros filmes produzidos por Méliès (500, aproximadademente), Viagem à Lua sumiu após sua aposentadoria da industria cinematográfica. O filme foi redescoberto somente no final dos anos 1920, quando a importância de Méliès ao cinema passou a ser reconhecida. Uma cópia original colorida manualmente foi descoberta em 1933 e restaurada recentemente, em 2011.

Depois do Méliès, muitas mudanças aconteceram e inúmeras possibilidades foram abertas, proporcionando maior magica no cinema. Não sei vocês, mas quando eu era criança, os dias mais felizes eram aqueles quando eu ia para o cinema com meus amigos e a gente assistia filmes 3D. Todo o ritual de ganhar os óculos e se posicionar de forma que eu pudesse captar todos os detalhes que seriam projetados na minha frente… eu amava essa experiência de ver o filme saindo da tela.

Foi nos EUA, em 1952, que um filme em 3D foi exibido pela primeira vez. O nome da obra é Bwana Devil, as propagandas da época falavam “Um leão no seu colo, uma amante no seus braços!”. Nessa época, os óculos para assistir os filmes eram feitos de papelão e plástico azul e vermelho, eram desconfortáveis e algumas pessoas ficavam até mesmo enjoadas e com dor de cabeça depois da sessão.

Bwana Devil.

Bwana Devil.

Mas qual é a real dessa “terceira dimensão”?

É importante saber que a terceira dimensão não existe. Isso mesmo, ela é uma ilusão da nossa mente. Nós temos uma visão chamada de binocular, o que significa que cada olho vê uma imagem diferente e o nosso cérebro as combina, formando uma coisa só.

O processo usado para conseguir o tal efeito da imagem “saltando da tela” é chamado de estereoscopia. Ele foi usado na primeira projeção e consistia em usar imagens anáglifas, duas imagens sobrepostas com uma pequena diferença de distância entre elas, sendo que uma imagem é vermelha e a outra é azul (por isso os óculos com as lentes dessas cores), esse tipo de formatação das imagens força a nossa visão, criando todo o campo de profundidade e posição dos objetos. Por causa desse esforço algumas pessoas se sentiam nauseadas depois da sessão de cinema.

Atualmente as tecnologias para exibição desse tipo de filme deram um salto, não precisamos mais dos óclinhos coloridos, os novos modelos têm lentes polarizadas, que filtram as imagens, são usados dois projetores para cada lente e além disso, até as telas para projeção são específicas. Um exemplo recente sobre o avanço dos filmes 3D, é o longa Avatar do James Cameron. O filme foi todo feito em 3D, captado por câmeras em 3D, reinventadas pelo Cameron e sua equipe.

Só que é preciso muito mais que efeitos especiais para se criar aquilo que torna a experiência do cinema mágica.

No ínicio, o cinema consistia apenas de imagens em movimento, sem som, e isso caracterizava o cinema mudo, mas ainda assim, não era objetivo dos criadores dos filmes representar um mundo assim, sem sons, ruídos, música. As cenas exibidas sempre lembravam o espectador, sons familiares, por exemplo, duas pessoas conversando e os lábios em movimento, pessoas dançando em um certo ritmo, o movimentar de objetos, tudo isso fazia com que os espectadores imaginassem as vozes, uma música, um barulho qualquer.

Até a exibição do filme dos irmãos Lumiére, A chegada do trem na estação, foi acompanhada por um piano na hora da projeção.

O tratamento sonoro dado hoje aos filmes possui diversas possibilidades, várias funções diferentes, ainda mais com o avanço dos programas de edição, que permitem a costumização do som a depender de onde e como ele será utilizado. As salas de cinema estão projetadas para melhor aproveitamento das trilhas dos filmes, dessa forma a gente consegue entrar, cada vez mais, no universo do filme, nos emocionando ou passando por experiências assustadoras.

O importante é ter em mente que as músicas e “barulhinhos” dos filmes não são escolhidos por acaso. A trilha sonora é uma parte fundamental da obra cinematográfica, muito importante no conjunto, ajuda na narrativa e propicia sensações, caracteriza personagens. É um elemento que pode tornar um filme inesquecível.

Para assistir:

Un Homme de Têtes – George Méliès (1898)
O Mágico de Oz – Victor Fleming (1939)
Psicose – Alfred Hitchcock (1960)
2001: Uma Odisséia no Espaço – Stanley Kubrick (1968)
Família do Futuro – Stephen J. Anderson (2007)
A Rede Social – David Fincher (2010)

Ana Gabriela
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Audiovisual

Ana nasceu na Bahia em 1992. Ainda não descobriu o que vai ser quando crescer, mas aprendeu que isso não é motivo pra preocupação. Quanto mais tempo se descobrindo melhor. Gosta de ler a internet, escrever listas sobre tudo, de gatinhos e da sua cama.

Heleni Andrade
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Minhas amigas me chamam de Leni. Estudo Artes Visuais mas tenho um pézinho no design. Gosto de navegar na internet, fotografar o mundão, cozinhar, descobrir músicas legais e fazer playlists.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos