4 de outubro de 2014 | Edição #7 | Texto: , and | Ilustração:
A magia da animação: Disney e Studio Ghibli
Ilustração: Helena Zelic.

Ilustração: Helena Zelic.

Texto de Bárbara Fernandes, Domenica Morvillo e Dora Brant.

Vocês sabem como as animações são feitas? Elas são literalmente uma animação! Tudo começou no final do século retrasado com o Praxinoscópio, um aparelho que projetava uma sequência de desenhos num curto tempo, o que fazia parecer que eles estavam de movendo. A primeira animação foi feita pelo francês Emile Cohl, que desenhou uma história com os tão famosos bonecos de palito. Desde já, a animação trazia algo de lúdico e fantasioso; afinal, a animação permitia criar cenas e situações que não eram possíveis de serem realizadas com uma câmera e os efeitos visuais da época.

Para fazer uma animação são feitos uma infinidades de desenhos – cada um será um quadro (ou “frame”). Os quadros são organizados em sequência e, conforme vão passando rapidamente um atrás do outro, formam as cenas do filme. Obviamente, hoje em dia, a animação é muito mais complexa do que isso, mas a ideia parte daí: transformar um desenho inanimado em algo animado, com movimentos, sons e intensidade.

Hoje, duas das grandes referências da animação são a Disney e o japonês Studio Ghibli. Desde o começo até os filmes mais atuais, esses estúdios usam essa técnica mega complexa que parece mágica. E, para falar da magia da animação, nada melhor do que trazer uma visão pessoal sobre os sentimentos que cada filme provocou em nós ao assistir!

Bárbara: A viagem de Chihiro e Mulan

Acho que o primeiro filme que assisti do Studio Ghibli foi A viagem de Chihiro, e não sei explicar bem o que eu senti mas sei que senti isso em todos os filmes do Miyazaki. Pra falar a verdade, de primeira eu achei a Chihiro meio bobinha e medrosa, mas depois de assistir o filme algumas vezes, percebi que na verdade ela é muito corajosa! Imagina, você se perde com os seus pais que se transformam em animais porque comeram a comida de um lugar desconhecido, assustador, cheio de criaturas mágicas, deuses e espíritos e tem que se virar pra dar um jeito nisso. Eu deitaria em posição fetal e choraria até esperar tudo passar, mas ela não. De alguma forma ela teve vários impulsos de coragem que fizeram ela continuar lá.

Ainda sobre personagens principais corajosos, uma outra animação que me tocou bastante foi Mulan. Lembro de ter assistido quando criança no cinema e aquela cena da transformação dela em um samurai me deixou impressionada. O filme é baseado em um poema chinês de muitos séculos atrás que traduzido se chama “A balada de Mulan” e conta a história de uma menina que foi como soldado à guerra no lugar de seu pai.

Além da coragem, o que a Chihiro e a Mulan têm em comum é que as duas eram movidas pelos sentimentos que ela nutriam pela família. Esse amor fez com que elas fizessem coisas impressionantes, como ir pra guerra e salvar a China ou enfrentar uma feiticeira que rouba o nome e as lembranças das pessoas. As animações têm dessas de transformar os sentimentos em “poderes mágicos” e, apesar de algumas animações parecerem ser feitas pra adultos, elas têm uma visão bastante infantil, não no sentido de tosca, mas de pura e inocente, até em filmes onde os personagens são quase todos adultos, como em O castelo animado do Studio Ghibli.

Dora: Meu vizinho Totoro e O rei leão

Tem filme que logo depois que você assiste, você pensa “é isso, esse é um filme que diz muito sobre mim”. Às vezes, o filme pode ter um enredo ou personagens muito parecidas com pessoas reais da sua vida ou, então, pode despertar um sentimento de completude e iluminação sobre si mesma como nenhum outro filme. Explicar que sentimento é esse pode ser difícil, mas a gente sai do filme sabendo que algo mudou dentro de nós.

Bom, quando eu assisti Meu vizinho Totoro pela primeira vez, eu já tinha visto vários outros filmes do Studio Ghibli. Desde A viagem de Chihiro, que eu assisti num desses cinemas de rua aos 9 anos com a minha mãe, eu tinha ficado completamente apaixonada pela animação dele. Quando eu cresci, fui atrás de outros filmes feitos pelo Hayao Miyazaki, vi Nausicaa, depois Princessa Mononoke, O castelo no céu, e aí, finalmente, eu assisti pela primeira vez o Meu vizinho Totoro.

A minha primeira impressão logo de cara foi de surpresa. O filme do Totoro é mais antigo que os outros, a animação dele é mais simples, você não encontra aquele traço megalomaníaco do Miyazaki, lotado de detalhes. A história é bastante simples, sem mistérios: duas menininhas irmãs que se mudam com o seu pai para uma casa no meio do campo. Mas logo logo elas descobrem que na floresta ao lado mora um gigante animal peludo e seus “irmãozinhos”.

Eu já era relativamente grande quando assisti ao filme, mas nada me fez mudar de ideia de que existiam Totoros por aí no mundo. Em cada floresta, cada cantinho vivo da cidade, um monstro-espírito se esconde para poder alimentar as plantas e reger os ventos. Totoro é daqueles filmes que te ajudam a encontrar magia onde você esqueceu que existisse, afinal, apesar cidade grande caótica, ainda há lugares que não perderam a sua magia.

Os filmes da Disney não tiveram o mesmo impacto em mim como os do Miyazaki. Quando eu conheci esse outro universo de animação, eu abandonei totalmente os filmes americanos! Mas tem dois filmes dos quais eu nunca consegui me desprender: Os aristogatas e O rei leão.

O rei leão foi alvo de muito fanatismo nos meus 10 anos de idade. Acho que eu assisti umas 500 vezes cada filme da série (mas vamos combinar que O rei leão III é muito, mas muito, chocho e nem se compara com os outros). Primeiro, a ideia de serem animais os personagens me encantava. Só com a animação você pode fazer um filme tão bem feito com animais que falam e atuam no filme. Sem contar que o enredo, apesar de comunzinho, é totalmente fascinante. Tem pai que morre, tem tio malvado, tem Hakuna Matata e esquecer das suas preocupações, tem velho macaco louco, tem romance, tem ação, além da Kiara e a mãe do Simba, a Sarabi, serem incríveis! E as músicas também contribuíam muito – O rei leão é aquele tipo de filme em que todas as músicas são boas, sem exceção, tanto em inglês como em português. De magia, com certeza O rei leão tem muito e impressiona qualquer um.

Domenica: ValenteNausicaä no Vale do Vento

Eu já era “velha” quando assisti os fillmes sobre os quais vou falar, mas eles me marcaram de certa forma, e me fizeram amadurecer mais.

Valente se passa na Escócia medieval e conta a história de Merida, uma princesa e habilidosa arqueira que resolve pedir a ajuda de uma bruxa para escapar de um casamento arranjado, mas as coisas acabam dando errado: sua mãe é transformada em um urso e, para que ela volte ao normal, Merida precisa enfrentar, sozinha, uma maldição milenar. Todos esses problemas acabam deixando a princesa mais corajosa e, depois de tudo dar certo, ela acaba não precisando se casar. De certa forma, é um filme um pouco diferente da temática tradicional da Disney, afinal, Merida não termina casada com um príncipe. Acho que o meu aspecto favorito do filme é o fato de Merida ser bem independente. Ah, e foi o primeiro filme que assisti sozinha no cinema.

Em Nausicaä no Vale do Vento, passado num futuro pós-apocalíptico, Nausicaä também é uma princesa independente, que gosta de sair sozinha e viver suas próprias aventuras, mas o que ela mais quer é entender o que de fato aconteceu com o mundo e compreender os insetos que vivem no Mar do Declínio, o mar tóxico.

Tanto em Nausicaä no Vale do Vento quanto em Valente, as princesas embarcam em um tipo de viagem dentro de si mesmas para ajudar as pessoas ao seu redor. Sempre me interessei muito por princesas que “lutam” e vão em busca do que querem (tanto que Mulan é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos); de certa forma, esse tipo de personagem me dá forças para encarar o mundo ao meu redor com mais esperança e coragem para ser quem realmente sou.

Não são só as personagens das animações que sofrem os efeitos do enredo da história – quem assiste também sente, aprende, se identifica etc. É por isso que, apesar de serem quase sempre feitas pras crianças, ou parecer que são, elas podem e devem ser vista por todo mundo, porque todo mundo precisa passar um tempo dentro de mundos fantasiosos e mágicos de vez em quando.

Lista de animações que vale a pena assistir:

Bárbara Fernandes
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Ilustradora

Bárbara, 21 anos, vinte vividos na cidade de São Paulo até o dia da fuga pro sul numa tentativa falha de pertencer a algum lugar. Não sabe fazer decisões, medrosa além do normal, odeia usar sapato, sempre lê tudo o que está escrito nas embalagens, gosta de ficar conversando com os gatos e de tomar banho no escuro.

Domenica Morvillo
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Cinema & TV & Música

Domenica tem 18 anos e mora no interior de São Paulo, de onde sempre foi louca para sair. Não sabe bem o que quer da vida e às vezes tem vontade de largar tudo e se mudar para Tóquio. Gosta muito de ler, escutar música e conversar.

Dora Leroy
  • Coordenadora de Quadrinhos
  • Ilustradora

Dora Leroy tem 21 anos e acredita que o universo é grande demais para não existir outras formas de vida inteligente por aí. E, enquanto espera uma invasão alienígena acontecer, gosta de ler livros que se passam em universos mágicos e zerar séries do Netflix.

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