7 de outubro de 2014 | Edição #7 | Texto: | Ilustração:
Mágicos, míticos ou lendários?
Ilustração: Jordana Andrade.

Ilustração: Jordana Andrade.

Existem vários tipo de seres que podem ser considerados mágicos. Míticos, mitológicos, lendários, folclóricos… mas o que une essas criaturas é que elas costumam ser cheias de simbolismos e metáforas para valores culturais das regiões e épocas em que apareceram. Outra situação muito comum é o uso desses animais fantásticos pra explicar fenômenos que ninguém desvendou ainda (tipo as pegadas do Pé Grande, ou o Monstro do Lago Ness).

Esses seres podem ser completamente inventados, ter poderes sobrenaturais, tamanhos fora do esperado ou ser só uma junção bizarra de vários animais (tipo a quimera, ou o grifo). Alguns desses animais foram catalogados durante muito tempo como bichos reais, tipo o unicórnio. Mas como não existe nenhum outro registro, fóssil, nem nada assim, os cientistas atuais questionam essas informações.

O simbolismo por trás desses animais também se aplica a bichos que existem (a pata do coelho trazer sorte e o corvo e o urubu serem mau agouro, por exemplo), o que torna ainda mais ambíguo se esses seres mágicos existiram ou não. Na Idade Média, o realismo da representação não era importante, o que contava era passar a mensagem através do simbolismo da cena. Daí, dessas representações mais livres, podem ter surgido vários bichos loucos, que na verdade eram só desenhos despreocupados com a aparência.

Dragão
O dragão é uma criatura mitológica super antiga, que tem duas tradições diferentes que são mais conhecidas: o dragão europeu e o dragão chinês. Eles são representados como serpentes gigantes (inclusive é a origem do nome), mas também como uma espécie de lagarto gigante, às vezes com asas, ou mesmo serpentes gigantes com pernas de lagartos. Ninguém sabe muito bem de onde surgiu o dragão, mas uma desconfiança é que pode ter sido quando povos antigos encontraram fósseis de dinossauros e animais gigantes tipo baleias, e imaginaram, por alguma razão no seu contexto cultural, que fossem dragões. A representação mais antiga que já encontraram de um dragão é de mais ou menos 42 mil anos atrás, feita por povos aborígenes pré-históricos na Austrália. Os dragões tem simbolismos muito variados dependendo da cultura e do momento histórico, indo desde seres que representam sabedoria a bestas descontroladas.

Unicórnio
O unicórnio é um cavalo ou cabra, geralmente branco, que tem um chifre único e pontudo no meio da testa. Ele foi, por muito tempo, considerado um animal real, aparecendo até na Bíblia, e sua imagem pode ter vários significados. O mais comum é ele ser associado à força e à pureza. Uma das possíveis origens do mito é um rinoceronte que tinha um chifre só, no meio da testa, mas foi extinto. Algumas pessoas acreditam que os fósseis desse animal podem ter sido confundidos com unicórnios, mas também podem ter sido fósseis de outros animais que foram montados de forma incorreta.

Elfo
Os elfos são seres que fazem parte da mitologia nórdica e céltica. Eles eram divindades relacionadas com a natureza e a fertilidade, e descritos como seres de grande beleza, sensíveis, muitas vezes imortais. Existem várias tradições diferentes que tratam dos elfos, e com o passar do tempo cada vez mais variações vão sendo encontradas. É comum também encontrar registros da mitologia germânica de músicas da época medieval falando de encontros sexuais entre humanos e elfos, que eram considerados em muitos contos criaturas más.

Fada
A origem do nome “fada” vem do latim, e significa destino. As fadas então seriam seres que têm capacidade de interferir no destino das pessoas. Existem diversas historias diferentes e descrições diferentes para as fadas, variando de tamanho, personalidade e propósito. Apesar de hoje em dia as fadas aparecerem muito como protetoras (fadas madrinhas, por exemplo), antigamente elas eram consideradas maldosas e era necessário se proteger delas. Os elfos e as fadas se misturam em diversos momentos em algumas mitologias.

Fênix
A fênix é um passaro da mitologia grega, de penas vermelhas e douradas, que quando morria, entrava em combustão e depois renascia das próprias cinzas. Ela é uma alegoria para o movimento do sol, que todos os dias nasce e morre nos céus. Por isso também, é até hoje um símbolo de imortalidade, e as suas lágrimas teriam poderes curativos. Apesar da versão mais conhecida por nós ser a grega, a figura do pássado que renasce das cinzas aparece em diversas outras culturas.

Vampiro
A lenda do vampiro existe há muitos séculos, podendo ser encontrada na Mesopotâmia, e mesmo na Grécia Antiga. Mas o vampiro como a gente conhece surgiu mais para o século XVIII, na Europa. As primeiras lendas dessa época descreviam vampiros como inchados e de cor arroxeada, com sangue escorrendo da boca, e vestidos com a roupa funerária tradicional da época.

Centauro
Os centauros também são seres da mitologia grega. Eles teriam cabeça, braços e dorso humanos e o resto do corpo de um cavalo. Sua simbologia tem a ver com a relação entre a natureza selvagem e a civilizada, representada de forma física na criatura. O mito grego tem uma toda uma história envolvendo as duas famílias de centauros que haviam, e essa disputa entre o racional e o irracional.

SERES MÁGICOS NO BRASIL

No Brasil, o folclore é super variado e estudado, na escola e até mesmo na universidade. Ele tem contribuições da cultura indígena, portuguesa, negra, e muitas outras. Afinal, é um país super misturado. É muito difícil, quase impossível, precisar quando surgiram lendas folclóricas, mas a gente sabe que elas vêm sendo estudadas desde o século XIX.
Dentro do folclore nacional existem milhões de coisas, entre elas as lendas de seres fantásticos que muita gente conhece desde pequeno. Entre os mais famosos, a gente tem:

Saci-pererê
O Saci é um exemplo dessa fusão de culturas e histórias: ele teria surgido com os índios no Sul do país, como um moleque maldoso e/ou brincalhão (dependendo de onde no Sul) e no Norte a influência da mitologia africana acrescentou outros elementos ao conto, transformando ele numa criança negra que perdeu uma perna jogando capoeira. E ainda leva um pouquinho de mitologia europeia no chapeu vermelho, que veio do trasgo do folclore português, pra chegar no que a gente conhece hoje, que foi usado por Monteiro Lobato.

Chupa-cabra
O Chupa-cabra surgiu na verdade em Porto Rico, quando começaram a aparecer relatos de cabras mortas, com três furos no peito e completamente sem sangue. Ninguém sabia direito a causa, e começaram a aparecer relatos em vários outros países, inclusive o Brasil. A história de verdade foi meio esquecida, mas o Chupa-cabra já tinha vindo pra ficar.

Boto
A lenda do Boto veio da região Norte do Brasil, e conta que, na época das festas juninas, o boto-cor-de-rosa, espécie que vive no rio Amazonas, se transforma em um homem e tenta seduzir mulheres, levando-as pro fundo do rio e engravidando-as. Dizem que essa lenda era muito usada pra justificar qando uma mulher ficava grávida fora de casamento, e até hoje quando isso acontece chamam de “filho do boto”. O homem que o bicho vira estaria de terno e chapéu, e o jeito de reconhecer seria pedindo pra ele tirar o acessório, que aí daria pra ver o furinho na cabeça que o boto tem pra respirar.

Curupira
O curupira, também chamado de caipora, é uma espécie de entidade das matas. Ele se apresenta como uma criança de cabelos vermelhos, que tem os pés ao contrário, com os calcanhares pra frente. No meio da floresta, ele faz barulhos e chama pelos caçadores, índios ou quem quer que esteja lá no meio do mato, e os confunde com as pegadas ao contrário, fazendo com que eles se percam completamente. Algumas lendas dissem que ele então bate na pessoa e a mata. O caipora, dizem, gosta muito de fumo e cachaça, e por isso é costume deixar de oferenda um pouco de cada quando se vai andar pelo meio da mata fechada.

Mula-sem-cabeça
A mula-sem-cabeça não tem origem muito certa. A lenda diz que, quando uma mulher namora um padre, ela vira a mula. Com a cabeça cortada e soltando fogo pelo lugar dela, a mula tem ferraduras de prata e um freio de ferro, e relincha muito alto mesmo sem cabeça. Se alguém tirar o freio de ferro da mula, o feitiço é desfeito e a mulher volta ao normal, arrependida dos seus pecados. Essa lenda, acredita-se, era muito comum nas regiões do Brasil dominadas pela Igreja Católica.

Verônica Montezuma
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Audiovisual

Verônica, 24 anos, estuda cinema no Rio de Janeiro. Gosta de fazer bolos, biscoitos e doces, e é um unicórnio nas horas vagas.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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