10 de janeiro de 2016 | Ano 2, Edição #22 | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Manual básico de como criar a linguagem secreta das migas

Todas as vezes que eu paro pra divagar sobre a ~grandiosidade do universo e da humanidade, fico maravilhada com a nossa capacidade de ter criado tantas e tão diferentes línguas… Fico me perguntando como alguém teve a ideia de sistematizar símbolos que, de alguma forma, correspondessem a significados, que atribuíssem nomes e qualidades a todas as coisas e que nos permitissem nos comunicar.

E a tradução, então? Fazer com que seja possível entender uma língua completamente diferente da sua e, a partir daí, também poder aprender a nova língua abre um caminho repleto de possibilidades comunicativas.

Mas em alguns momentos a gente não quer que todos entendam o que estamos falando ou escrevendo, certo? Um diário onde você guarda suas confissões, um bilhetinho sigiloso que você troca com a amiga, uma mensagem de celular que ninguém mais pode ler podem se tornar mais secretos (e divertidos!) se você conseguir criar sua própria língua!

Quando eu tinha uns 10 anos, uma vizinha me apresentou o maravilhoso mundo do que vou chamar de “língua secreta das migas”. “Naquela época”, a gente ainda trocava cartinhas e muitas delas contavam aquele babado que não podia esperar pra ser confidenciado. Para então garantir que o que estivesse escrito fosse mesmo estritamente confidencial, nós criamos o nosso próprio código.

A brincadeira pode funcionar de infinitas maneiras… Para criar uma nova língua, basta estabelecer uma correspondência do nosso alfabeto com os novos símbolos que vocês adotarão. E aqui, vale de tudo. Você pode criar uma língua com desenhos, símbolos e até cores.

Uma forma mais simples de criar um alfabeto é estabelecer símbolos que te lembrem a letra correspondente: o @ pode ser o novo A e o ? pode se um B. Cada letra do alfabeto também pode ser um desenho de uma palavra que inicie com aquela letra. Exemplo: a letra A pode virar um desenho de árvore, B pode ser uma bola, C uma casa e assim por diante.

Outra possibilidade é que cada letra vá ganhando um traço. O A começa com |, B leva dois ||, C ||| etc. Aqui, você pode ir desenhando formas geométricas pra acomodar os traços, desenhando um quadrado com um traço do lado, em cima, embaixo, e cada uma dessas combinações pode representar uma letra diferente. Esse modelo também pode funcionar com bolinhas.

Bolinhas também podem servir pra criar um código baseado em cores. É só separar 26 cores diferentes e criar uma correspondência para as letras do nosso alfabeto. O que importa, no final das contas, é ter em mãos uma espécie de “dicionário”, que guiará as traduções nas primeiras tentativas. Depois, só diversão e muitos segredos!

Colocaram em prática o manual de linguagem secreta das migas? Conta pra gente como foi!

Alguns exemplos!

Alguns exemplos!

Gabriella Beira
  • Coordenadora de Escola, Vestibular & Profissão
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Gabriella Beira é formada em Relações Internacionais e, como qualquer "internacionalista" (é assim que se chama a pessoa que estuda RI), quer conhecer o mundo todo e, se possível, mudar o mundo. Gosta muito de falar sobre educação, cultura, sociedade e feminismo, mas seu hobby mesmo é jogar Plants vs Zombies. É impaciente, procrastinadora, irmã mais velha e aluna mediana.

  • http://www.outroblog.com Katarina Holanda

    Eu tinha uma com meu amigo (hoje marido, hahahahaha)! Que nostalgia. <3

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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