26 de abril de 2015 | Ano 2, Edição #13 | Texto: | Ilustração:
Marcas do Tempo

Para o ensaio fotográfico dessa edição, a Isa e a Laura receberam a tarefa de sair pela cidade registrando o que o tempo deixou marcado, e vocês podem ver o resultado aí embaixo:

Há um tempinho, durante uma aula de desenho, um professor falou sobre como as cicatrizes, rugas e manchas são rabisquinhos que o tempo vai fazendo em nós. Desde então, eu passei a me importar um pouco menos com minhas estrias ou com os pés-de-galinha que fatalmente irão aparecer. E passei também a procurar desenhos que o tempo fez não só em pessoas, como em coisas. Virou quase um joguinho pra passar o tempo, já que a cidade está cheia deles: rachaduras, impressos que perderam a cor, pixações datas da década passada, anúncios de tecnologias três gerações atrasadas, aquelas vendinhas com cheiro de anos 1970 que são as únicas sobreviventes da especulação imobiliária que substituiu tudo ao redor por prédios. 
Então, para esse ensaio, resolvi jogar o passatempo do trajeto com uma câmera.  – por Laura Viana

 

“Fui no (I)tororó, beber água não achei
Achei bela morena que no (I)tororó deixei…”

Na verdade, o plano era ir na Vila Itororó tirar belas fotos para a pauta.

A Vila Itororó foi construída com colunas, estátuas, janelas e detalhes aproveitados da demolição do antigo Teatro São José, o que levou a um resultado arquitetônico final bem diferente.

Como a maioria dos espaços de São Paulo, ao longo dos anos a vila foi alvo de vários conflitos de interesses imobiliários e, através de diversas táticas, os eventuais moradores foram sendo despejados.

Hoje, depois de retirar os últimos moradores locais, a prefeitura decidiu fazer uma obra de “revitalização”, com todas as contradições que essa palavra traz.

Longa história, li em algum lugar na internet (desse jeito que lemos as coisas em algum lugar da internet) que as obras ficariam abertas para visita. Devia ter desconfiado que não a qualquer hora e sem agendamento.

Chegamos lá e nos deparamos com tapumes por todos lados. Mas nada de deixar a viagem de graça, né. Demos um jeitinho de entrar, mas ainda ficamos reféns da vontade de permanecermos vivas e não cair de um muro altíssimo.

As fotos são o pouco que deu para ver desse lugar incrível e dos arredores, o bairro do Bixiga, com o sol se pondo.  – por Isadora Maldonado

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Isadora Maldonado
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Isadora N., 21.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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