16 de dezembro de 2015 | Tech & Games | Texto: | Ilustração: Isadora Maríllia
Marta Milakovic, GNOME Books e o poder do coletivo

Vamos falar de uma menina, um aplicativo e como pequenas conquistas são importantes para a construção de grandes mudanças sociais. A menina é Marta Milakovic, uma jovem de 24 anos, estudante de Ciência da Computação na Universidade de Zagreb, na Croácia.

Em 2014, Marta participou do programa Google Summer of Code, no qual estudantes trabalham junto a um mentor em projetos open source de organizações como o GitHub, GNOME, FreeBSD, CentOS etc. Seu projeto era desenvolver um aplicativo de catalogação e leitura de e-books para Linux, mais especificamente, para o ambiente GNOME.

Desde a primeira vez que escutei sobre este projeto, fiquei extremamente empolgada. Afinal, é uma garota, se destacando na área de programação através de um aplicativo de licença livre cujo objetivo é ler livros digitais! Mais amor é impossível! <3

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Como usuária Linux, fico pessoalmente triste, apesar de nem um pouco surpresa, com a falta de interesse de grandes empresas em investir no sistema operacional. Para os usuários do pinguim, as alternativas mais populares para ler seus livrinhos eletrônicos são o Calibre e, para aqueles com paciência, também rola usar algumas versões do Adobe Digital Editions através do Wine, aplicação para rodar executáveis do Windows no Linux. Mas ainda estava faltando uma alternativa pensada e focada para a experiência do usuário de GNOME e o aplicativo de Marta veio justamente para suprir essa demanda.

Para começar, o GNOME Books está integrado ao ambiente desktop GNOME, e é desenvolvido a partir das bibliotecas do GNOME Documents. A ideia é que o aplicativo identifique todos os documentos de livros na sua pasta home e se torne uma central de e-books, na qual o usuário possa facilmente acessá-los e lê-los. Lindo, né?

O projeto focou no modulo de leitura, mas a intenção é de futuramente integrar com alguma loja, coisa que acredito que os usuários também vão surtar de felicidade se isso rolar! Nas últimas versões do GNOME, o aplicativo Livros já tem vindo como padrão em algumas distribuições. Ele é bem simples de usar. Qualquer e-book que estiver no seu usuário, ele identifica o arquivo  ePub e acrescenta na sua biblioteca.

 

Com esse pequeno caso, no entanto, me vi refletindo sobre o futuro do cenário tecnológico mundial. Para começar, no papel da mulher na tecnologia. Hoje temos, ainda que poucas, mulheres extremamente relevantes na área de tecnologia como a CEO do Yahoo!, Marissa Mayer e a CEO do YouTube, Susan Wojcicki.

Fora esses modelos que podem soar como metas inalcançáveis para nós mortais, programas de incentivo a mulheres na área de tecnologia como o Django Girls e Girls Who Code tem se tornado cada vez mais populares e ganhado abrangência no Brasil.

Em paralelo a isso, a comunidade de usuários Linux tem conquistado muito espaço, principalmente com o desenvolvimento de softwares saindo cada vez mais das mãos das grandes empresas através de iniciativas de crowdfunding de produtoras menores e independentes.

Junto a isso, temos grandes iniciativas como a do Google, que permite que jovens talentos sejam descobertos através de uma experiência prática na qual todos são beneficiados.

Esses pequenos passos podem não ser muito para um futuro imediato, mas me deixam extremamente feliz pelas possibilidades que abrem para todas nós mulheres com interesse na área de tecnologia, pois conquistando um espacinho aqui e ali, vamos juntas desmitificando essa ilusão criada de que mulher é menos apta para a área de tecnologia.

E, por mais louco que isso pareça, o mesmo vale para usuários de Linux, pois ambos os casos se fortalecem através do sentido de comunidade. Essa, eu acho, é a coisa mais maravilhosa que a internet proporcionou à sociedade, um novo meio para nos organizarmos em comunidade e de nos enxergarmos dentro de coletivos, mas isso já é papo para outro texto. 😉

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Lúcia Dos Reis
  • Coordenadora de Social Media
  • Colaboradora de Tech & Games
  • Colaboradora de Literatura

Lúcia dos Reis, pequena em tamanho e gigante em ambições. Não sabe se isso é bom ou ruim, mas tampouco se importa. Vive entre letras e códigos, entre o papel e o pixel. Ganhou aplausos na FLIP 2015 com comentário feminista sobre Star Wars e queria deixar isso registrado em algum lugar desse mundo maravilhoso das interwebs.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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