10 de julho de 2014 | Artes | Texto: | Ilustração:
Minha primeira exposição: Escher
Ilustração de Dora Leroy.

Ilustração de Dora Leroy.

Junto com “Pequena história da arte”,  ”Artista da Semana” e “Música trilha sonora da vida”, adicionamos mais um tema para as colunas de arte: Minha primeira exposição. Adoraríamos saber sobre a primeira exposição de vocês! 🙂

Uma coisa sobre mim que muitas pessoas sabem é que curso artes visuais, mas uma coisa que quase ninguém sabe – e eu quase nunca comento – é que só fui a um museu e curti muito quando tinha quinze anos. Eu mal me recordo de exposições pequenas que fui quando bem mais nova, porque nenhuma delas foi tão marcante para mim quanto a exposição “O Mundo Mágico de Escher”, que rolou aqui no CCBB de São Paulo em 2011. De lá pra cá, passei a frequentar muitas outras exposições e achar o ambiente do museu natural, mas é engraçado relembrar, já acostumada com o ambiente e estudando artes, quais foram as minhas primeiras impressões.

Eu conhecia alguns trabalhos do Escher por causa das minhas aulas de Arte do ensino médio. Quando descobri que uma exposição traria as principais obras dele para São Paulo fiquei animada para ver de pertinho o que antes tinha visto pela tela do computador. Porém, moro na periferia e, bem, não é fácil sair daqui e ir para o centro, onde sempre rola muito mais opções culturais. E como eu nunca tinha ido para o centro da cidade sem meus pais antes, me perderia muito fácil. Como eu não aguentava de curiosidade, fui para lá com uma ajudinha do Google Maps. Entrando no museu logo vi uma obra interativa chamada “A Sala da Relatividade”, que criava uma ilusão na altura de quem entrava lá – de um lado a altura diminuía, do outro ela aumentava. Depois disso passei pelas xilogravuras e litografias e fiquei totalmente encantada por cada detalhe. Escher foi um artista gráfico holandês que usava muita ilusão de ótica em seus trabalhos e é totalmente normal ficar de queixo caído vendo alguns deles – como fiquei e fico até hoje. Mesmo assim, rodeada de suas principais obras e muita gente as apreciando, o que mais me marcou nesse dia foi uma sala interativa que ficava dentro de um cofre gigante. Lá dentro ficava a recriação do cenário de uma de suas obras mais famosas, um autorretrato através de uma bola de cristal. Por ficar dentro de um cofre – gigante, esse detalhe é importante – pensei que os objetos ali dentro – cadeira, mesa, bola de cristal, etc. – eram os mesmos usados por Escher. Só percebi que os objetos não eram tão importantes assim quando fui em outras exposições no CCBB e vi que o cofre sempre é usado como sala expositiva, mas confesso que prefiro acreditar ter tocado na mesma bola de cristal que Escher tocou – e ainda acho engraçada uma sala expositiva dentro de um cofre.

Já disse – e repito – que essa exposição me marcou muito. E ouso dizer que ela foi decisiva para deixar fluir o lado mais “artístico” que eu sempre escondia. Depois dela fiz um curso de comunicação visual e me apaixonei por fazer padronagens. É claro que nenhuma delas se compara às padronagens incríveis do Escher, mas o importante é eu gostar do que faço, né?

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Heleni Andrade
  • Colaboradora de Artes
  • Ilustradora

Minhas amigas me chamam de Leni. Estudo Artes Visuais mas tenho um pézinho no design. Gosto de navegar na internet, fotografar o mundão, cozinhar, descobrir músicas legais e fazer playlists.

  • Luiz

    Os trabalhos do Escher são incríveis e maravilhosamente complexos. Sempre me pergunto como ele fez tudo aquilo sem o auxílio de computadores. Mesmo hoje ainda continua sendo muito difícil reproduzir algo do gênero. É uma pena que os artistas atuais estejam perdendo esse lado técnico.

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