17 de janeiro de 2016 | Colunas, Música, Se Liga | Texto: | Ilustração: Julia Oliveira
Momento de Sabedoria – Destiny’s Child

Em distantes tempos idos, uma entidade que à Terra nos abençoar com sabedoria, paz e grandes hits. Uma entidade composta por três seres iluminados cada um à sua própria maneira. Uma entidade que estava acima de nós mortais e nos fornecia grandes respostas. Na história das trindades que já existiram por aí, ela certamente se coloca acima das outras: a da Igreja Católica terá que se contentar com o segundo lugar, pois estamos falando de Michelle, Kelly e Beyoncé.

Bobagens de lado, e me dando a permissão pra fazer a tiazona, obviamente todo mundo sabe quem é Beyoncé. A mulher está por todo canto, ganhando tudo e quebrando a internet e o mundo da música diariamente. Mas tem quem não saiba – obviamente não as crianças do começo dos anos 2000 – que antes de Beyoncé, havia Destiny’s Child. E que se Beyoncé manda muito bem sozinha, sua carreira em grupo não deixa nada a desejar.

Kelly Rowland, Beyoncé Knowles e Michelle Williams foram meio que a cara dessa transição entre os anos 90 e o novo milênio. Foi aquela época em que todos os hits mais deliciosos do R&B – pense em Usher, Alicia Keys, Nelly e Ashanti – apareceram para o mundo, e todas as paradas musicais eram dominadas, salvo por um ou outro Blink 182 ou Strokes, por essa black music totalmente pop, mas que se colocava quase como um contraponto àquela coisinha meiga-porém-sexy-classe-média-americana-Disney de Britney Spears, Backstreet Boys e N’Sync no pop tido como tradicional.

Se você não conhece, já deu pra ver que as meninas não são pouca coisa, né? E se nossa amiga Beyoncé nos ensinou muita coisa sobre girl power, é natural que ela tenha aprendido isso tudo em algum lugar. Nós suspeitamos que tenha sido com suas amigas de começo de carreira, então reunimos esse apanhado de grandes ensinamentos que esse grande ícone da música chamado Destiny’s Child nos trouxe.

Amigas estão aí pra te ajudar no que precisar


Antes que “sororidade” fosse uma palavra tão usada, as Destiny’s Child já tinham feito o que pode ser considerado uma definição musical da coisa. Em “Girl” – que eu particularmente traduzo como “Miga” – , Kelly está sofrendo por seu marido escrotão que a trai por ai. E Beyoncé e Michelle estão lá falando “gata, a gente te ama, te conhece muito bem e vê que você tá sofrendo. Pode contar com a gente, você é boa demais pra esse otário”. E é isso que a gente precisa ouvir das nossas amigas e o que a gente precisa dizer pra elas, né? As migas são quem te segura e te dá apoio pra seguir em frente em qualquer situação em que você não se sente forte o suficiente. I’m your girl, you’re my girl, we are girls, don’t you know that we love you?

Não vem com enrolação pro meu lado


“Say My Name” é uma grande emparedada musical. Sabe aquele momento de “e ai, que cê quer?” que a gente costuma não ter coragem de jogar na roda? Nessa música, a gente ganha uma forcinha pra tomar coragem e resolver nossas pendências do coração em vez de ficar num eterno “mas o que será que tá rolando?”.

A gente sofre? Olha, sofre. E tudo bem.


Tomar pé na bunda dói. Esses sofrimentos bobinhos da vida machucam sim. Então tudo bem curtir a fossa e ouvir aquela música deprê até as dores passarem. E, com “Emotions”, cover de Bee Gees, as meninas levam a baladinha da bad a um nível bastante de classe&refinamento que te faz até não se sentir completamente ridícula por chorar as pitangas.

Mas a gente sobrevive


Muita gente ouviu essa por causa da versão da Clarice Falcão e os muitos textões que vieram com ela. Mas vamos falar sobre a música em si: o negócio é provavelmente o maior hino feminista não reconhecido. É impossível ouvir o “I’m a survivor, I’m gonna make it, I will survive, keep on surviving” (Eu sou uma sobrevivente, eu vou conseguir, eu sobreviverei, continuarei sobrevivendo) e não cantar junto com uma mistura de lágriminhas e orgulho no peito. É uma música que exala força e independência como poucas já escritas. Dá vontade de chorar de emoção só de escrever sobre, devo dizer.

Sou uma mulher independente, meus amores!


Todas as minas independentes levantem a mão aí! Outro dos grandes hinos ao empoderamento feminino que o trio fez. A gente compra nossas próprias coisas, banca nossas próprias decisões e não depende de homem nenhum pra curtir a vida por aí. Em qualquer relacionamento, estamos “always 50/50”, o negócio aqui é de igual pra igual. E se alguém não sabe lidar com isso, a porta da rua é serventia da casa (opa, essa já é da minha mãe, não das meninas).

Laura Viana
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora
  • Audiovisual

Aos 21 anos, todos vividos na cidade de São Paulo, Laura está, de forma totalmente acidental, chegando ao fim da faculdade de Artes Visuais. Sua vida costuma seguir como uma série de acontecimentos pouco planejados, um pouco porque é assim com a maior parte das vidas, muito por gostar daquela conhecida fala da literatura brasileira, “Ai, que preguiça!”. Gosta também de fotos do José Serra levando susto, mapas, doces muito doces e de momentos "caramba, nunca tinha pensado nisso!". Escreve sobre #modas por aqui, mas jura por todas as deusas que nunca usará expressões como "trendy", "bapho" e "tem-que-ter".

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