5 de abril de 2015 | Edição #13 | Texto: | Ilustração: Bia Quadros
Mudaram as estações, nada mudou: mesmo quando tudo muda, as coisas continuam iguais

Quem nunca passou por essas expectativas de que as coisas seriam diferentes, quando no final tudo não passou da m-e-s-m-i-c-e do ano, do semestre ou da semana anterior que atire a primeira pedra; ou quando você conseguiu cumprir as novas metas e quando parou pra fazer o balanço do ano sentiu que mesmo assim, na “big picture” da vida, as coisas ainda continuavam as mesmas.

Ou até mesmo quando você se empolgava e resolvia se dedicar mais aos compromissos e acabava sendo atropelada por uma onda frenética chamada correria da vida (pelo menos no meu caso).

Essa pauta foi um tema que me empolgou pois resume bem como eu me sinto em relação a minha vida, eu vivo com essa sensação constante de que as coisas sempre estão no mesmo molde. Na verdade, essa é uma faca de dois gumes: elas estão diferentes pois a vida é um mix de saberes, e com certeza você galgou passos importantes pra sua vida, mesmo que não tenha descoberto o que quer, certamente descobriu mais sobre o que não quer. Mas ao longe, estamos sempre buscando melhorar e equilibrar nossa vida pessoal, social e profissional, o que pode parecer uma saga cansativa e longa, mas confia, como cantou Gil: tudo tudo tudo vai dar pé.

Eu fui uma pessoa muito pessimista por alguns anos, então não me escapa pensar coisas que (pelo menos pra mim) estão relacionadas a essa sensação, como um mix de inércia, um sentimento de falta de pertencimento e uma leve sensação de não saber por onde começar, mas se tem uma coisa que aprendi nesse um ano de Capitolina é que isso tudo é um mar com ventos propícios para uma exploração sobre como se sentir cada vez melhor consigo mesma. Por isso, vou compartilhar um exercício que eu pratico diariamente que permite que aquela magia da nostalgia fique mais acessível, e que me ajuda a perceber o quanto tudo mudou, dando aquele alívio no peito e uma sensação de orgulho com direito a uma autochuva de glitter.

Exercício do caderninho:
(Aviso: exige disciplina mas dá um gostinho de pró-atividade incrível.)

Eu faço com um tipo brochurinha porque fica fácil de levar pra cima e pra baixo, mas você pode fazer com o tipo de caderno que mais cative o seu coração. Eu divido essa prática em duas partes: a longo (recomendo pra semestre) e a curto (eu uso pra dias ou semanas) prazo:

Longo
No começo do bendito, separe quantas páginas você julgar necessário pra categorias que quer avaliar na sua vida. Eu faço nas seguintes categorias e números de páginas:

? Audiovisual (Filmes, curtas e séries a que assisti e projetos pessoais que envolvam gravação e/ou edição de vídeo): 5 páginas.
? Games e livros: 3 páginas cada.
? Viagens/lugares (vale também para lugares que você não conhecia da sua cidade) e atividades físicas “inusitadas” pra sua rotina (como dançar, fazer um trajeto andando pra escapar do transito, etc): 2 páginas cada.
? Teatros, shows e exposições: meia página cada.
? Fiz eu mesma (vale tudo: de tocar uma música em algum instrumento até fazer aquela bolsa incrível em formato de d20) e receitas: 3 páginas cada.

Curto
Depois de reservar essas páginas o caderno será uma grande lista de afazeres: escreva todo dia uma lista de afazeres (pro próprio dia ou pro dia posterior) e vá seguindo o roteiro. Vale colocar tudo, de “cortar as unhas do pé” a “escrever pra Capitolina”, passando por “fazer carinho no cachorro”; assim você percebe quantas coisas conseguiu fazer ao longo do dia ou quantas coisas poderá fazer no dia seguinte e melhorar a sua meta. E caso você tenha um dia procrastinador e, por mais que role a sensação de que perdeu tempo, respira, como diz um amigo meu: “Bê, você tá ótima, não deixa ninguém dizer o contrário!” Afinal o que essas transições nos ensinaram? Exatamente isso, a relaxar, respirar fundo e focar, porque sim, as coisas mudam.

Dica: leve em consideração o tamanho da folha. Eu uso um caderno de bolso pra não me esquecer de escrever (sim, pra mim é um hábito absurdamente fácil de ser deixado pra lá).

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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