1 de abril de 2017 | Ano 4, Edição #32, Sem categoria | Texto: | Ilustração: Gabriela Sakata
Mulheres comediantes
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Stand up quer dizer “de pé”. Uma comediante apresenta um roteiro de pé e sozinha em um palco. Mulheres humoristas não são nenhuma novidade – inclusive, a primeira comediante de stand up dos Estados Unidos foi uma mulher negra, gay e que falava abertamente de política, a Moms Mabley (1894 – 1975). Mas quando escolhi fazer essa pauta para a Capitolina, estava pensando em como nos últimos anos, a comédia tem sido carro forte da diversidade nos Estados Unidos e muitas dessas mulheres começaram a carreira com shows de stand up e improvisação. Inclusive, minha introdução a comédia foi por meio de duas mulheres: Tina Fey e Amy Poehler.

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Moms Mabley

A Tina Fey atuou e escreveu para série de televisão 30 Rock, que passou na TV entre 2006 e 2011. É uma série um tanto quanto problemática, mas foi por meio dela que abri os olhos para a comédia: a Tina Fey começou sua carreira em um grupo de improvisação, que é uma forma de teatro sem roteiro, voltada a comédia. Normalmente, quem faz improvisação, também faz stand up. Logo depois de virar fã da Tina Fey, conheci a Amy Poehler, sua melhor amiga, que atua na minha série de comédia favorita, Parks and Recreation. As duas chegaram ao pico do sucesso participando do programa de humor semanal Saturday Night Live, que é um dos programas de TV mais famosos dos Estados Unidos que existe desde 1975. Depois que comecei a acompanhar a carreira das duas, conheci o trabalho de outras mulheres comediantes que trabalham com improvisação e com stand up.

O Saturday Night Live também é um tanto quanto problemático, mas além da Tina Fey e a Amy Poehler, algumas das comediantes mais famosas dos Estados Unidos começaram suas carreiras por lá: Maya Rudolph, Leslie Jones, Julia Louis-Dreyfus, Kristen Wiig, Sarah Silverman – olha, é realmente um montão de comediantes super poderosas. E embora Saturday Night Live não tenha stand up além de um pequeno monólogo no início do programa, muitas dessas mulheres faziam ou fazem stand up.

Tina Fey e Amy Poehler

Tina Fey e Amy Poehler

A maioria das apresentações de stand up que assisti, encontrei no YouTube, Netflix ou em outros caminhos da Internet (hehe). Em preparação para essa pauta, fui atrás de alguns para refrescar minhas memória e me atualizar e, me dei conta: a maioria não tem legenda em português! Então, fui atrás de comediantes brasileiras com sets de stand up e nas minhas pesquisas, parece que não existe nenhuma cuja fala não seja problemática. A solução foi explorar os especiais de stand up disponíveis no Netflix no Brasil: nenhum feito por uma negra, nenhum por uma brasileira… poxa! A diversidade que havia me incentivado a fazer essa pauta, não está disponível para nós aqui no Brasil. Será que no Brasil ainda existe preconceito com mulheres engraçadas? Alguma coisa tem aí, né?

Dos especiais de stand up disponíveis no Netflix Brasil, os que eu assisti, achei alguns legais, como o “One of the Greats” da Chelsea Peretti. Dois dos outros que assisti, “Baby Cobra” da Ali Wong e “Just Keep Livin’?” da Jen Kirkman, as piadas repetidas sobre menstruação e relacionamentos me incomodaram um pouco. Algumas mulheres menstruam, ok, algumas piadas sobre o assunto são engraçadas, mas as vezes fica repetitivo. Um dos mais engraçados que assisti foi “Lower Classy” da Cristella Alonzo, que é latina e filha de mãe imigrante, como eu. A menção honrosa dos que estão disponíveis no Netflix vai para “Thank God for Jokes” do Mike Birbiglia, que sim, é um homem hétero branco, mas os stand ups dele sempre me fazem rir muito e até onde sei, ele não ofendeu ninguém (ainda).

Se você entende inglês, pode achar outros sets de stand up no YouTube e por aí na Internet! “Beautiful” da Margaret Cho, “Problem Child” da Leslie Jones… e na verdade, as vezes quando quero dar risadas, jogo o nome de uma comediante + stand up no YouTube e assistindo o que encontrar, como esse set aqui, da Aidy Bryant.
Espero que a gente ainda viva uma onda de comediantes de stand up por aqui no Brasil! Se existe preconceito com mulheres engraçadas na nossa mídia, como eu suspeito que exista, precisa acabar pra já. Se você souber de alguma comediante brasileira que faça stand up e tenha o conteúdo por aí, conta aqui pra gente!

Rebecca Raia
  • Coordenadora de Artes
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Rebecca Raia tem 25 anos, é formada em Relações Internacionais e cursa pós-graduação em Museologia. O emprego dos sonhos da Rebecca seria viajar o mundo visitando todos museus possíveis - mas ela não dispensa noites preguiçosas em casa assistindo a séries e filmes enquanto come panquecas no jantar. Ela também gosta de roupas floridas e aconselhar desconhecidos sobre relacionamentos afetivos.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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