26 de março de 2016 | Artes, Colunas, Literatura | Texto: | Ilustração: Jordana Andrade
Mulheres na literatura japonesa

Comecei a me interessar por literatura japonesa moderna depois de ter lido Norwegian Wood, do escritor Haruki Murakami. Todos os livros de autores japoneses que li tratavam de temas parecidos, como solidão e juventude, mas eram abordados de maneiras diferentes: solidão na cidade grande, no interior, juventude solitária, vida adulta solitária etc. Gosto muito desses temas e hoje vou falar um pouquinho sobre meus livros favoritos escritos por mulheres japonesas.

Tsugumi – Banana Yoshimoto

Tsugumi é narrado por Maria, uma estudante universitária de Tóquio que cresceu junto com suas duas primas – Yoko e Tsugumi – na pousada Yamamoto, pertencente a seus tios e localizada no litoral do Japão. Tsugumi, a prima mais nova, nasceu com a saúde debilitada, portanto sempre foi paparicada por todos e se tornou uma menina mimada e mal educada. A história se passa durante as férias de verão em que Maria volta para passar um tempo na pousada, antes de ela ser vendida, a convite de Tsugumi. É um livro muito bonito e repleto de memórias da infância.

Kitchen – Banana Yoshimoto

O livro é composto por três contos: Kitchen, Lua Cheia (ou Kitchen 2) e Moonlight Shadow. Os dois primeiros contos são interligados; contam a história de Mikage, uma jovem órfã apaixonada por cozinhas. No terceiro temos Satsuki, uma jovem de 20 anos que tenta lidar com a perda recente do namorado. É sobre tristeza, felicidade, emoção e superação. Simples e maravilhoso. Considero o livro mais bonito que já li.

A valise do professor – Hiromi Kawakami

A valise do professor é narrado por Tsukiko, uma mulher de 38 que encontra, por acaso, seu professor de japonês do ensino médio num bar. Entre os dois se desenvolve uma amizade muito sincera, que acaba se transformando em amor. Um livro muito delicado e gostoso de ler.

Quinquilharias Nakano – Hiromi Kawakami

O estilo de Quinqulharias Nakano é parecido com o de A valise do professor; também é narrado em primeira pessoa, por Hitomi, que trabalha na Quinquilharias Nakano, uma loja de, bem, quinquilharias, junto com o dono, o sr. Nakano, Takeo e Masayo, a irmã do sr. Nakano. As estações do ano vão passando, e junto com elas descobrimos um pouco da vida de cada personagem. Foi uma leitura muito rápida, gostei de conhecer um pouco cada um dos personagens, principalmente o excêntrico sr. Nakano.

Do outro lado – Natsuo Kirino

Em Do outro lado, temos quatro mulheres – Masako, Yayoi, Yoshie e Kuniko – que trabalham durante a noite numa fábrica de refeições prontas. A história se desenrola quando Yayoi, após ser agredida pelo marido bêbado, acaba matando-o num acesso de fúria e pede ajuda a Masako para se desfazer do corpo. Yoshie e Kuniko acabam envolvidas. Escrito de maneira envolvente e com personagens muito bem desenvolvidas, Do outro lado foi um livro denso que me prendeu muito.

 

*

E você, já leu algum dos livros acima? Quais outros livros de escritoras japonesas você me recomenda?

Domenica Morvillo
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Cinema & TV & Música

Domenica tem 18 anos e mora no interior de São Paulo, de onde sempre foi louca para sair. Não sabe bem o que quer da vida e às vezes tem vontade de largar tudo e se mudar para Tóquio. Gosta muito de ler, escutar música e conversar.

  • Viih

    Obrigada pelas recomendações, fiquei muito interessada em literatura japonesa depois de ler murakami, Concerteza vou dar uma olhada nos livros recomendados.

  • Gilson Jr

    Com exceção do “Do outro lado”, eu li todos os outros livros — que são muito bons por sinal.

    Recomendaria o “Livro de Travesseiro” da Sei Shônagon, vale a leitura 🙂

  • Isadora Torres

    lemos o hotel iris em um clube de leitura e foi bastante proveitoso, tanto para a leitura pessoal quanto para o debate em grupo.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos