14 de maio de 2018 | Ano 4, Sociedade | Texto: | Ilustração: KETHLENN OLIVEIRA
Mulheres negras inspiradoras: jovens negras movendo as estruturas

Dois meses depois do evento “Jovens Negras Movendo as estruturas” e da execução da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, gostaria de lembrar um pouco sobre as mulheres negras jovens que me inspiram e que estão, cada uma da sua forma, movimento as estruturas sociais. Seja nas redes sociais ou no funk, não faltam mulheres negras incríveis que pautam suas vivências e uma discussão mais próxima da realidade das mulheres, pessoas negras e LGBTs. Na primeira parte dessa lista de indicações, falei um pouco sobre as 10 mulheres que vieram antes de mim e que abriram as portas para que eu e outras mulheres negras pudéssemos disputar espaços. Agora, queria falar das jovens que, junto com as mais velhas, estão resistindo e movendo as estruturas por uma sociedade mais igualitária.

 

1- Nátaly Neri

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Nátaly Neri é uma cientista social em formação e youtuber. O nome por trás do canal Afros e Afins, que trata de temas que vão de beleza e moda negra, até apropriação cultural. Ela é uma ótima referência do uso da internet e das redes sociais com consciência interseccional. Se não conhecem ainda seus vídeos, recomendo muito.

 

2- Sil Bahia

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Sil Bahia é jornalista, maker idealizadora do PretaLab e Diretora de Programas da Olabi. Sil discute a importância de falarmos de mulheres negras e indígenas na tecnologia e é a cara da comunicação do século XXI. Com mestrado em Territorialidades na UFF, Sil também é comunicadora do curta KBELA e do AFROFLIX, o canal de produção audiovisual feito por pretas e pretos. Na Capitolina, já entrevistamos a Sil Bahia sobre mulheres negras e indígenas e sua relação com a tecnologia.

 

3- Jarid Arraes

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Jarid Arraes é escritora, cordelista, poeta e autora dos livros “As Lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras”. Ela também é curadora do selo literário Ferina e criadora do Clube da Escrita Para Mulheres em São Paulo. Jarrid que tem tem mais de 60 títulos publicados em Literatura de Cordel, sempre traz nas suas obras a história de mulheres negras importantes, mas que foram renegadas e esquecidas pela história. Seu trabalho é muito importante para tentar minimizar o lapso da história e cultura negra que temos na nossa formação escolar. Na Capitolina, já falamos sobre seus dois livros – não deixem de conferir!

 

4- Ana Paula Lisboa

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Ana é escritora, colunista do jornal O Globo, repórter especial da AZMina e apresentadora do  web programa “Querendo Assunto”, em que três mulheres negras  dividem um sofá para discutir variados temas. Atualmente, Ana divide sua vida entre Luanda e o Rio de Janeiro e está sempre em movimento, pautando uma literatura e mídia que levem em conta a vivência de pessoas negras e periféricas.

 

5-  Karol Conka

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Dona do hit “Se tombar, tombei” e dos nossos corações, Karol Conka é uma rapper curitibana e apresentadora  do programa SuperBonita na GNT. Karol é uma das referências brasileiras quando falamos da geração tombamento e de discussão de estética negra, e sempre traz nas suas músicas mensagens sobre questões raciais e  empoderamento da mulher. Vale muito a pena conhecer seu trabalho!

 

6- IZA

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Uma das revelações da música de 2017, Iza é uma cantora que começou no Youtube fazendo covers e logo chamou atenção das gravadoras. Com seu primeiro hit “Pesadão”, ela ganhou destaque no cenário musical e há algumas semanas lançou seu primeiro álbum “Dona de Mim”. Declaradamente feminista, Iza traz nas suas músicas muitas referências afro e sempre trata em entrevistas de questões envolvendo mulheres e população negra. A cantora também vai apresentar este ano o programa “Música Boa Ao Vivo”. Não deixem de conhecer essa diva pop negra!

 

7-  Yasmin Thayná

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Yasmin é uma diretora e roteirista carioca incrível, responsável pelo aclamado curta “Kbela”, que trata da relação da mulher negra com o cabelo crespo. Ela também é a criadora do AFROFLIX, o canal de produção audiovisual feito por pretas e pretos, diretora da série de 12 capítulos Afrotranscendence – que fala sobre racismo, memória e práticas artísticas – e a série de vídeos sobre mulheres negras e indígenas na tecnologia do PretaLab. Yasmin representa uma das poucas diretoras negras conhecidas no país e  já mostrou que veio para estimular e movimentar a discussão sobre a produção do cinema feito por mulheres negras.
8- Monique Evelle

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Monique é jornalista, curadora e empresária. Idealizadora de diferentes negócios sociais da comunicação, educação e empreendedorismo sustentável, como Desabafo Social, Radar e Evelle Consultoria, Monique tem uma atuação incrível na área de inovação políticas nas periferias e  já foi repórter do Profissão Repórter, da Rede Globo. Monique representa muito bem a geração das mulheres negras jovens que estão em movimento e disputando espaços de poder.

 

9- Rosa Luz

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Rosa é uma mulher trans negra, estudante de História da Arte, artista multimídia do Distrito Federal e criadora do Barraco da Rosa. Rosa traz com sua vivência e arte um importante debate sobre periferia, corpos trans e questões raciais. Este ano, ela foi capa da Revista Select e representa uma das vozes mais importantes do debate de interseccionalidade e arte. Vale muito a pena acompanhar seu trabalho!

10- Renata Prado 

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Renata é pedagoga, apresentadora do programa web Funk TV Visita, produtora executiva da festa Batekoo SP e diretora da Frente Nacional de Mulheres no Funk. Conhecida por ser uma das representantes da geração tombamento, Renata tem uma atuação muito importante no combate ao machismo no funk, no diálogo com mulheres periféricas e no fortalecimento da cultura negra.

Vicky Régia
  • Conselho Editorial
  • Coordenadora de Se Liga
  • Coordenadora de Esportes
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Sociedade
  • Colaboradora de Educação

Vitória Régia tem 21 anos, estuda jornalismo e acredita no poder da comunicação para mudança social. É nordestina de nascimento, paulista de criação e carioca por opção. Adora conhecer diferentes culturas e é apaixonada pela arte de contar histórias. Dedica a vida a militância nos movimentos feminista, negro e LGBT e acorda todos os dias pensando em como mudar o mundo.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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