5 de janeiro de 2015 | Edição #10 | Texto: | Ilustração:
Mulheres no poder: a importância da representatividade
Dilma

Você consegue definir o que é poder? Já pensou sobre o que realmente te faz se sentir poderosa? Será que é uma roupa ou maquiagem? Ou será ter uma sacada inteligente em uma conversa com amigos? Muitas vezes (se não a maioria delas), a sociedade nos imputa formas de ser e de agir se quisermos atingir algum objetivo, ganhar alguma coisa ou conseguirmos nos impor. Às mulheres é dito “Seja direta, objetiva, durona. Não seja emotiva, sensível, suave.” Para serem respeitadas, muitas mulheres se colocam nesse lugar e seguem esse comportamento, o qual é atribuído “naturalmente” aos homens, apesar de não ser natural que ajam assim.

No âmbito político, podemos destacar algumas importantes e poderosas mulheres: Margaret Thatcher, por exemplo, foi a primeira mulher a assumir a presidência de um dos principais partidos na Inglaterra – o Partido Conservador – bem como foi a primeira e única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no país, em 1979. Em Israel, outro exemplo foi Golda Meir, que assumiu como primeira-ministra em 1969 e, como Thatcher, a única mulher a ocupar tal cargo na história israelense. Atribuiu-se a ambas a denominação de “Dama de Ferro”, em alusão à forma como governavam e como exerciam poder. Thatcher e Meir se mantiveram nessas posições, pois se comportavam de acordo com essa “forma masculina”, eram “firmes”, o que tornava o fato de serem mulheres no mais alto cargo político de seus países mais “aceitável” ou mesmo mais acessível para as respectivas sociedades.

5. Mulheres no poder2

Margaret Thatcher

Pensando na nossa realidade política, somente em 2010 (!) elegemos a primeira mulher como presidente do país. Dilma Rousseff não só ocupa o cargo da presidência, mas também mudou o vocabulário: ao evocar o termo presidenta, Dilma muda o jogo da representatividade para as mulheres no Brasil. Essa novidade da gramática empodera não só a própria Dilma, mas também a todas as brasileiras, uma vez que reitera o poder de ser uma mulher – e não mais uma vez um homem – a assumir o mais alto cargo executivo do país. O fato de contarmos com uma mulher na presidência traz à tona questões relativas a nós para a pauta de prioridades, aumentando a visibilidade dessas problemáticas, bem como o direcionamento de recursos para elas.

Dilma

Dilma Rousseff

Apesar dessa importante representação no Poder Executivo, é importante lembrar que no Brasil há uma sub-representação das mulheres nos outros poderes. No Poder Legislativo, por exemplo, há uma lei de cotas que define que 30% dos cargos legislativos deveria ser ocupados por mulheres. Entretanto essa taxa não é preenchida, pois apenas cerca de 20% dos postos são mulheres. Essa falta de atuação faz com que nos níveis municipais e estaduais seja muito difícil avançar em políticas e leis que beneficiem mulheres e que diminuam a desigualdade de gênero, apesar de alguns programas federais e leis importantes avançarem nessas questões, como a Lei Maria da Penha.

Perguntamos de novo: o que é poder? É apenas o poder político das decisões? Ou é também poder chegar ao mais alto cargo político de um país? E será que para ter poder é preciso “agir como um homem”? É muito importante não acharmos natural quando alguém nos diz seja assim ou assado para ser poderosa, seja mandona, seja expansiva. Poder tem relação com as nossas capacidades e individualidades, seja para liderar um país, uma cidade, um bairro. A representatividade política das mulheres é fundamental, mas saber representar a si mesma é tão importante quanto isso.

Debora Albu
  • Colaboradora de Escola, Vestibular & Profissão

Debora é mestra em Estudos de Gênero e é formada em Relações Internacionais. É carioca, apesar de ter passado uma temporada da vida em Paris e todo mundo a chamar de "francesinha" - por vezes acredita ser verdade. Faz parte da gestão da Agora Juntas, um rede de coletivos feministas no Rio de Janeiro. É ciberativista e feminista antes mesmo de entender o que essas palavras significam.

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