14 de julho de 2014 | Cinema & TV, Música | Texto: e | Ilustração:
Mulheres no Rock!
mulheres-no-rock-helena-zelic

mulheres-no-rock-helena-zelic

Ilustração: Helena Zelic

Texto de Ana Gabriela e Bárbara Reis

Para ler ouvindo nossa playlist.

Quando pensamos em rock, a maioria das bandas que vem rapidamente à nossa cabeça – Led Zeppelin, The Rolling Stones, Queens Of The Stone Age, The Strokes… – é, querendo ou não, formada por homens. A impressão de que esse estilo é um território exclusivamente masculino é algo que muitas de nós temos, e que não poderia estar mais errada – existem mulheres incríveis em todos os subgêneros do rock, em cada década de sua existência, produzindo música tão forte e de qualidade quanto a de qualquer homem. Em homenagem ao mês desse estilo que nós amamos, decidimos montar uma lista (brevíssima!) de algumas das artistas mais interessantes desse meio – das prercursoras às contemporâneas.

HAIM

A banda formada pelas irmãs Alana (teclado, percussão, guitarra e vocais ocasionais), Danielle (vocais e guitarra) e Este Haim (baixo e vocais ocasionais) foi um dos maiores destaques do ano passado após lançar o seu álbum de estreia, Days Are Gone. O som delas é uma grande mistura de rock (principalmente o dos anos 70), R&B e pop, que já rendeu comparações a Fleetwood Mac, Heart e Destiny’s Child, e cujo resultado é um som leve, animado, cheio de movimento e do sol californiano. A grande magia da banda fica, no entanto, em suas explosivas apresentações ao vivo, onde as músicas adquirem uma “garra” ainda maior e são infectadas pelo carisma e química das garotas.

Warpaint

Com vocais leves e quase fantasmagóricos – geralmente um resultado das harmonias de Theresa Wayman (guitarra, vocais), Emily Kokal (guitarra, vocais) e Jenny Lee Lindberg (baixo, backing vocals) – ambientados pelas batidas lentas e marcadas de Stella Mogzawa, as músicas do Warpaint – banda formada em 2004 e apadrinhada por John Frusciante, do Red Hot Chili Peppers – fluem de maneira livre, introspectiva, quase misteriosa. O som da banda possui elementos do post-punk, shoegaze e rock psicodélico, e o seu álbum mais recente, o autointitulado Warpaint, flerta com um ritmo mais urbano, como na faixa Disco//very:

Alison Mosshart

Mais conhecida como parte vital do duo The Kills, junto a Jamie Hince, e do supergrupo The Dead Weather, Alison é dona de uma voz forte e extremamente mutável, que consegue ir da suavidade de Black Balloon, do terceiro álbum do The Kills, à voluptuosidade de Paris Summer, colaboração com a dupla The Last Shadow Puppets, e até mesmo à aspereza de Gasoline, do The Dead Weather. Mosshart também possui uma energia inesgotável e quase feroz no palco, e uma aura cool indestrutível, que geralmente faz com que ela roube a cena em qualquer um dos projetos de que participa.

 

Blondie

Formada em 1974, em Nova York, liderada pela musa-mor Debbie Harry, com Chris Stein (com quem Debbie já foi casada) nas guitarras, Clem Burke na bateria, Jimmy Destri no teclado e o baixista Gary Valentine.
Blondie foi a primeira grande banda do cenário punk da época do CBGB’s, e esse mérito vai todo para a Debbie, que além de ser a primeira diva do punk rock, escrevia letras geniais como X Offender, um manifesto “sou-menina-e-também-falo-de-sexo” e Heart of Glass, que levou a banda às grandes paradas de sucesso e retirou o rótulo punk rock, acrescentando elementos pop e disco às suas músicas.
Até hoje Debbie Harry é inspiração para grandes artistas como Madonna, Gwen Stefani, etc.

 

X-Ray Spex

“Some people think little girls should be seen and not heard, but I think Oh bondage up yours!”
Este é um trecho da música Oh Bondage Up Yours!, single do disco Germ Free Adolescents, cantado pela Poly Styrene, vocalista da banda X-Ray Spex. Formada em 1976, em Londres, junto com Blondie, foi uma das primeiras bandas a fazer o som que posteriormente viria a ser conhecido como New Wave. Apesar de ter sido bastante influenciada pelo som dos Sex Pistols, a Poly montou um grupo que foi muito além do conceito básico do punk, o que pode ser notado tanto no som (que contava com um saxofone, tocado pela Lora) quanto nas letras, todas escritas pela Poly.

 

Patti Smith

Em 1971, o nome da poetisa Patti Smith já circulava nos circuitos de arte de Nova York, mas apenas em 1974, ao montar o Patti Smith Group, é que começa, de fato, a sua carreira musical. O som era uma mistura do clássico rock, com punk (mais do comecinho) e poesia recitada.
Na cena, ela é um dos nomes mais respeitados. Fez músicas de sucesso como Horses e Gloria, presentes no primeiro disco de 75, Horses.
Atualmente, Patti faz shows, participa de filmes (como Filme Socialismo do francês Godard), escreve livros, pinta quadros e é muito bem-sucedida em todos esses projetos.

 

Rita Lee

Começou sua carreira aos 18 anos, junto aos irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista, formando um dos principais grupos de rock brasileiro, Os Mutantes. O grupo era fortemente influenciado por Beatles, a música Virginia, por exemplo, mostra alguns dos elementos da banda britânica, muitos da fase mais psicodélica.
Depois de seis anos nos Mutantes, Rita Lee se junta aos Tutti Frutti e aí que começa a fase dos hits como Agora Só Falta Você e Ovelha Negra. Suas letras falam muito de independência feminina. Rita Lee é uma das artistas mais respeitadas do Brasil e é influência para várias cantoras do país. Tem mais de 50 anos de carreira e, além de tudo isso, é defensora dos direitos dos animais.

Essas mulheres são algumas das milhares que fazem e fizeram rock pelo mundo afora!

Ana Gabriela
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Audiovisual

Ana nasceu na Bahia em 1992. Ainda não descobriu o que vai ser quando crescer, mas aprendeu que isso não é motivo pra preocupação. Quanto mais tempo se descobrindo melhor. Gosta de ler a internet, escrever listas sobre tudo, de gatinhos e da sua cama.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

  • http://biadrill.tumblr.com/ Beatriz Trevisan

    Baixando todas em 3, 2, 1………..

  • Mari

    Faltou Holeeeeeeeeeee :'(

  • Lucas Rodrigues

    apaixonado pela playlist!

    amo HAIM, Rita Lee, Patti Smith e Blondie de paixão, e adorei conhecer as outras artistas 😉

  • Camila Victorino

    Legal o post! Mais bandas legais: Phantom Blue, Heart, L-7, GirlSchool e tem Garbage, que não tem só mulheres, mas uma mulher, e o Smashing Pumpkins com uma baixista. Aliás, acho bem legal fazer a reflexão sobre o porque de ser mais comum bandas mistas com mulheres cantando e homens tocando do que bandas mistas em que uma das mulheres é instrumentista. Eu acho que isso é até um sinal do machismo no rock, que deixa as mulheres entrarem na banda, somente quando são extremamente necessárias (no caso de quererem voz feminina) ou lhes deixam apenas a possibilidade de tocar em uma banda somente quando só há garotas. Acho que o rock ficará mais democratizado quando começarmos a ver mais bandas mistas com mulheres instrumentistas, pois assim mostra-se que a mulher já é aceita de qualquer maneira, independente de algum atributo ‘feminino”. Sobre o machismo tem o filme “The Runaways” sobre a primeira banda da Joan Jett. É muito legal!

    • Chiberia

      L7 <3 <3 <3 Na onda de Smashing Pumpkins e Garbage tem Sonic Youth, Pixies e The Distillers.

      Ai ai, vou falar mais umas porque me empolguei <3 (bandas com mulheres, seja em instrumentos ou vocais) : The Action Design, Angry Amputees, Bikini Kill, Bow wow wow, Boy, Butter the Children, The Cardigans, The Carpenters, The Cranberries, Elastica ( <3 muito amorzin), geek sleep sheep, Hadouken!, Helium, I'm from Barcelona, Ida Maria, Imogen Heap, Janis Joplin, The Joy Formidable, LuvBugs, Lydia, Magik Markers, Milo Greene, Minor Alps, Flunk, Stars, Shout Out Louds, No Doubt, Noah and the Whale, Rosie and Me, The Runnaways, RVIVR, Save Ferris, Silversun Pickups, Sixpence None the Richer, The Soviettes, Speedy Ortiz, That Dog., Tsunami Bomb, Velocity Girl, White Lung, White Stripes, The XX e Yeah Yeah Yeahs.

      Não sei se fiz spoiler e estraguei e a Revista planejou postar de pouquinho em pouquinho, eu sempre me empolgo nesses assuntos ):

    • http://www.revistacapitolina.com.br/ Revista Capitolina

      Oi Camila. Realmente é mais comum ver mulheres cantando em banda de rock, do que tocando guitarra numa banda com homens. A Danielle Haim, vocalista e guitarrista do Haim foi guitarrista pro Julian Casablancas na primeira turnê solo dele. É legal lembrar também que a Beyoncé tinha uns anos atrás uma banda de apoio formada totalmente por mulheres.

  • Pingback: Jagged little pills | Alma da Terra()

  • Humberto Junior

    Tem também a Go-Go’s primeira banda composta somente por mulheres a chegar ao topo da Billboard, a ter todas as letras escritas pelas própria integrantes e a ser gerenciada por uma mulher. Tudo bem que só tiveram um disco de sucesso, o “Beauty and the Beat”, mas é um discaço. Esse disco tem uma das capas mais icônicas dos anos 80 aliás, onde as garotas apareciam apenas de toalha, algo até que bem ousado para a época.
    Além delas tem ainda a Alanis Morissette (embora seus últimos discos sejam fracos, “Jagged Little Pill” e “Supposed Former Infatuation Junkie” são excelentes), Blondie, banda maravilhosa que já foi citada na lista.
    Achei a lista muito legal! Tem uma galerinha que nunca tinha ouvido! Correr atrás pra conhecer!
    Show!!!

  • Nina

    Blondie <3
    Rita Lee <3
    Gosto muito das The Runaways, da Taylor Momsen (The Pretty Reckless) e da Hayley Williams (Paramore), também.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos