30 de junho de 2014 | Cinema & TV | Texto: , , and | Ilustração: Verônica Villela
Musicais!

 

Escrito por Nicole Ranieri, Giulia Fernandes, Domenica Morvillo e Natasha Ferla

Hoje tudo deu certo no seu dia: você foi bem na prova, seu cabelo acordou bom, sua melhor amiga trouxe bolo de cenoura pra você, sua professora te elogiou, a menina bonitinha correspondeu o seu sorriso. Não tem como ficar melhor. Você simplesmente tem vontade de sair dançando por aí, com uma equipe de dançarinos ao fundo, enquanto os passarinhos assoviam a melodia e fogos de artifício estouram no céu e flores brotam no seu caminho.

Ok, isso provavelmente não vai acontecer (pelo menos não a parte dos passarinhos ou das flores). Mas alguma gênia ou gênio, um dia, acordou e pensou: “por que não expressar os sentimentos dos personagens de uma peça ou filme através de música e dança?” e BAM! Os planetas se alinharam, a chuva caiu e acabou com a seca, as fadas dançaram em círculos e os filmes musicais nasceram.

O primeiro musical do qual falaremos hoje se chama Rocky Horror Picture Show, de 1973. A peça, que depois virou filme, conta a história de um casal que se perde numa estrada e vai parar num casarão no meio do nada. Ao chegarem, são recepcionados pelos assistentes do doutor Frank-n-Furter – uma pessoa transexual alienígena e cientista, que tem como projeto um namorado perfeito, o loirinho bronzeado Rocky Horror. Só por essa breve descrição já dá pra saber que o filme não é muito lugar- comum, o que só o faz mais interessante. Seus muitos clichês, apesar de toda a “inovação envolvida” – transexualidade, erotismo e homossexualidade não são temas frequentes no cinema de hoje, quem dirá nos anos 70 -, são uma homenagem aos filmes de ficção científica entre as décadas de 30 e 50 (muitos são mencionados na música de abertura, Science Fiction double-feature). Desde que foi lançado, uma legião de fãs mantém um ritual que acontece durante a época do Halloween, as Rocky Sessions: a maioria vai fantasiada de personagens da peça, e com objetos simbólicos interagem, dançam e até dublam o filme durante a sua exibição.

Agora, eu duvido MUITO que você consiga assistir ao filme sem ficar com “Touch-a Touch-a Touch me” sendo cantada pela vozinha aguda da Susan Sarandon na cabeça por dias, ou que não tenha vontade de reunir as amigas para fazer um Time Warp.

Duas Garotas Românticas, ou, no original, Les Demoiselles de Rochefort é um musical francês lançado em 1967 e dirigido por Jacques Demy. O filme conta a história de duas irmãs gêmeas com aspirações artísticas, Solange (Françoise Dorléac) e Delphine (Catherine Denueve). Para ganhar o sustento, as meninas ensinam balé e piano em Rochefort, onde moram. A mãe das gêmeas, Yvonne, também mora por lá. Ela criou as filhas com sacrifício e é dona de um café na cidade, muito frequentado por marinheiros e viajantes. Entre os frequentadores estão Etienne e Bill, dois aventureiros que precisam da ajuda das gêmeas para organizar uma apresentação musical, e Maxence, pintor e poeta decidido a percorrer o mundo em busca do amor verdadeiro. Apesar de terem passado toda a vida em Rochefort, o sonho das irmãs é seguir carreira artística em Paris e encontrar um grande amor. Solange e Delphine eram irmãs na vida real também! Catherine Deneuve, a Delphine, era irmã mais nova de Françoise Dorléac, a Solange. Jacques Demy, marido da diretora Agnès Varda e famoso por sua trilogia do romance, com Lola (1961), Les Parapluies de Cherbourg (1964) e o próprio Les Demoiselles de Rochefort, escalou as duas justamente por causa do parentesco. Pense no filme mais bonito que você já viu. Pensou? Então, Demoiselles é infinitamente mais adorável. Se você não liga muito pra musicais e romances alegres, esse realmente não é o seu filme; o enredo bem humorado e a explosão colorida em technicolor podem assustar e confundir os desavisados. É verdade também que, na época do lançamento, o filme foi massacrado por críticos americanos sem coração. Porém, não dê atenção aos caluniadores; tudo é irrelevante diante da felicidade suprema que é Demoiselles. Sabendo francês ou não, você provavelmente aprenderá a cantarolar “La Chanson des jumelles” .

O musical Mamma Mia!, de 2008, nos faz imaginar como foi a juventude de nossos pais. Na produção, Donna (Meryl Streep), uma mulher independente, é dona de um hotel na Grécia. Ela vive com sua filha Sophie (Amanda Seyfried, ou a Karen Smith de Meninas Malvadas), que está prestes a se casar. Usando o casamento como uma “oportunidade”, Sophie envia convites a três homens, na esperança de descobrir qual deles é seu pai biológico. O divertido musical, baseado em uma peça da Broadway, tem apenas músicas do grupo sueco ABBA, que foram interpretadas pelos próprios atores do filme (como nem todo mundo sabe cantar, muitos filmes musicais os atores apenas dublam músicas cantadas por cantores de verdade).

Em 2007 foi lançado nos cinemas o filme Across the Universe. O título, que faz referência à música dos Beatles de 1970, é apenas a ponta do iceberg da história de Lucy e Jude, dois jovens que vivem no furor dos anos 60. Lucy, interpretada por Evan Rachel Wood, é uma jovem americana que se apaixona por um pobre artista inglês chamado Jude (Jim Sturgess). A história de amor dos dois personagens tem como fundo as grandes mudanças que aconteceram na década de 60, como a Guerra do Vietnã, o movimento hippie e a contracultura em geral. Quem é fã ou conhece bem o quarteto de Liverpool vai achar dezenas de referências pelas mais de duas horas de filme, além de cenas com músicas como All My Loving, Blackbird, With A Little Help From My Friends, Let It Be, Come Together, Something e All You Need Is Love.

Dentre todos os musicais, talvez os mais famosos sejam dos da Disney. Filmes como Rei Leão, Aladdin e Bela e a Fera, que, além de clássicos, são também filmes musicais! Quem não se contagiou com Timão e Pumba e seu grande mantra Hakuna Matata? Nessa vida tu ainda vai encontrar muita gente que não gosta de musical, que não vê sentido em parar uma cena e começar a cantar. Bom, gosto cada um tem o seu né? E a gente tem que respeitar, mas admito que não entendo quem não se sente encantado com uma música animada no meio de um filme.

Nicole Ranieri
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Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

Giulia Fernandes
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

Giulia Fernandes, 17 anos, Rio de Janeiro, estudante. Meus interesses são: film noir, batons roxos, criptozoologia, árvores centenárias, garimpar livros e LPs, colecionar caracóis e algumas vezes outras coisas também.

Domenica Morvillo
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  • Colaboradora de Cinema & TV & Música

Domenica tem 18 anos e mora no interior de São Paulo, de onde sempre foi louca para sair. Não sabe bem o que quer da vida e às vezes tem vontade de largar tudo e se mudar para Tóquio. Gosta muito de ler, escutar música e conversar.

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

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