15 de junho de 2016 | Ano 3, Edição #27 | Texto: | Ilustração: Clara Browne
Não é amor, é cilada

Já falamos detalhadamente sobre relacionamentos abusivos, mas venha cá, cara miga, que ainda tem coisa que precisamos falar. Infelizmente, há tantos tipos de abusos em relacionamentos no geral, que eles passam despercebidos até para quem está bem ciente do que é parceiro abusivo. Acontece nas melhores famílias feministas.

O importante – e principal ponto deste texto – é: um relacionamento abusivo não é o resumo da sua vida amorosa. Conheço uma pessoa muito próxima que já teve dois namoros absurdamente abusivos. Isso significa que ela tem dedo podre? Que o problema tá nela? Que é a tendência da vida dela? Não, não e não. Ela pode, definitivamente, aprender algo dos dois namoros, talvez reconhecer abusos diferentes e nunca mais aceitá-los quando notar o mesmo comportamento vindo de um outro parceiro, mas não é sinal de que é sempre assim que vai ser. A gente nunca sabe, talvez ela passe mais um relacionamento ruim, talvez não, mas não é por merecer ou porque é assim e deu. Claro que quando um padrão tóxico se repete, é fundamental fazer uma análise interior do que você está aceitando para si mesma ou o que você acha que merece, mas não carregue culpa pelo abuso alheio. A culpa é do abusador. Sempre. Sem uma exceção sequer.

Alguns relacionamentos abusivos deixam vítimas com trauma severo; alguns deixam mulheres mais certas de si. E não cabe a nenhum de nós julgar a diferença de caminhos entre os dois tipos. Cabe a nós ajudá-las. O principal é você nunca desistir de si mesma, se dar a chance de um relacionamento bom se assim desejar, de ficar bem. Seu passado influencia quem você se torna, mas não comanda seu futuro. Faça o que for necessário para seguir em frente, se curar, e não permita que uma experiência ruim te impeça de tentar de novo porque o que você passou em um relacionamento muito ruim não foi amor, foi abuso.

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

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