18 de março de 2016 | Edição #24 | Texto: | Ilustração: Sarah Roque
Não entendo História!
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Durante a maior parte da minha vida escolar, odiei estudar história. Eu achava super difícil de entender, não conseguia memorizar os fatos, nunca lembrava quem era pai de quem, filho de quem, quem começou a guerra, quem terminou, quem assumiu o trono e por quê… enfim. Mesmo quando eu começava a achar alguma coisa interessante e que eu estava começando a entender algo, chegava na hora da prova e eu errava tudo. Esquecia e, lógico, me frustrava, e aí passei a detestar a matéria.

Foi só quando eu fiz cursinho que comecei a me interessar de verdade pela matéria, e minha teoria é a de que, como eu não ia ter que fazer uma prova sobre aquele conteúdo logo depois de tê-lo aprendido, eu tinha mais tempo para absorver os capítulos, e menos possibilidade de ficar frustrada por não saber responder a pergunta, já que – pelo menos até o vestibular –, nem prova tinha.

Aí, alguns anos mais tarde, eu percebi que história é uma das matérias escolares que mais está presente no cotidiano, porque, no fim das contas, tudo tem a ver com história. E isso me desesperou um pouco porque, por mais que tivesse aprendido a gostar de estudar (dentro dos meus limites porque eu não sou uma pessoa que curte muito sentar a bunda e estudar), ainda tinha muitos fatos históricos e relações que eu não conseguia (e não consigo) fazer. Fiquei pensando que alguma leitora da Capitolina pode se sentir assim também. Então resolvi dar algumas dicas que hoje em dia eu adoto para conseguir manter minha memória fresca em relação aos conceitos históricos e tudo o mais, e algumas dicas que eu daria para mim mesma na época em que eu ainda tinha que fazer provas sobre o assunto.

Uma dica muito boa que eu uso hoje e poderia ter usado na escola é: anote referências para pesquisar depois. Eu tenho um problema muito sério que eu chamo de: me-sentir-um-cocô-por-não-saber-algo-que-todo-mundo-parece-saber, também conhecido como quando-é-que-todo-mundo-aprendeu-isso-e-onde-eu-estava-nessa-hora. Eu deixei o orgulho ferido de lado e comecei a anotar as referências históricas que as pessoas fazem e que eu não conheço, ou que eu já ouvi falar e esqueci. Eu anoto no celular mesmo e quando eu tenho um tempo eu pesquiso. Isso vale também para atualidades. Se alguém fala o nome de uma pessoa que você não tem ideia de quem seja, ou faça alguma referência histórica que você não pegou, vale perguntar na hora (porque você tem todo direito de não saber algo) ou então, se você se sentir mais confortável, anotar e pesquisar no Google depois. Não importa se você já ouviu aquilo 2, 3, 10, 1000 vezes e ainda não se lembra do que se trata: pergunte ou então anote e pesquise depois. Uma hora entra na cabeça. Eu juro!

Eu acho também que uma das razões que faz ser tão difícil entender história em alguns momentos é que, às vezes, é difícil compreender aquilo com o que não nos identificamos e não conseguimos nos relacionar. Principalmente para as “minorias” (coloco entre aspas porque não se trata de uma minoria numérica; seriam as mulheres, negrxs, LGBTs), é difícil se enxergar em uma história que fala principalmente de homens brancos, cisgêneros e heterossexuais. É claro que eles conquistaram muita coisa, mas será mesmo que as minorias não tiveram nenhum protagonismo nesses anos todos de história? Ou será que só não aprendemos? Uma dica legal, então, para quando você for estudar em casa e estiver achando uma chatice, é ir atrás de nomes e fatos que você talvez não tenha ouvido falar na escola. Como será que estava o movimento feminista na época que você está estudando agora? Será mesmo que nenhuma mulher negra merecia destaque? Será que já existia luta pelos direitos LGBTs? Será que não existiam pessoas trans no passado ou só não ouvimos falar sobre elas? Para além das minorias (ou talvez não tão além assim), você também pode procurar saber como estava a história do(s) país(es) dos seus ascendentes nessa época. Eu, por exemplo, tenho descendência libanesa e na escola só mencionaram os libaneses em alguns momentos muito específicos da história. Qual será que era a situação do país durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo?

Na mesma linha, você pode ir atrás de uma possível árvore genealógica da sua família e perguntar para parentes mais velhos sobre histórias que seus avós, bisavós e tataravós contaram. Pode ser mais fácil entender a história se você conseguir encaixar sua família nela. E, se na sua família for muito difícil traçar uma genealogia, que tal procurar entender as razões históricas de ser difícil? Sempre tem muita coisa para descobrir dentro da nossa casa, buscando as raízes, e pode ser divertido debater com os parentes, que, com certeza, vão ter histórias para te contar.

Outra técnica bem famosa mas que é realmente legal é bisbilhotar a arte de cada época. É claro que temos que ter uma visão crítica – em geral, os filmes hollywoodianos distorcem algumas histórias e personagens, e podem apagar as minorias para atingir um determinado público-alvo. Mas assisti-los pode ser uma boa base se depois você for pesquisar e for atrás de resenhas críticas. Documentários em geral são melhores fundamentados e para muita gente – inclusive eu! – acabam ficando guardados na memória por mais tempo do que algumas leituras. Da mesma forma, você pode procurar quadros, esculturas e – minha parte favorita! – a música da época (O bêbado e a equilibrista é um ótimo retrato da época da ditadura brasileira, por exemplo). E dá para misturar essa dica com a segunda dica que eu dei, de ir atrás de artistas por quem você se sinta mais representada.

Enfim, eu sei que é bem difícil conciliar esse tipo de estudo paralelo com a rotina do dia a dia – uma escola mais puxada, ou um trabalho, cuidar de um parente, ou o que quer que possa ocupar seu tempo –, mas são ideias legais para você usar quando tiver tempo e vontade, para tornar o aprendizado de história mais fácil e divertido, seja para uma prova ou para a sua vida mesmo.

Fiquem com uma lista de links para se inspirar e contem para a gente as técnicas de vocês para facilitar os estudos!

Beatriz Trevisan
  • Cofundadora
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Colaboradora de Música

Bia, 23 anos (mas todo mundo acha que ela tem 13), feminista interseccional e estudante do último ano de direito. Talvez queira seguir na área, mas seu sonho de verdade é ser cantora e escritora. Se bem que, se fosse possível, largava tudo isso e se tornava Mestre Pokémon pra ontem.

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.