19 de janeiro de 2015 | Ano 1, Edição #10 | Texto: and | Ilustração: Clara Browne
Não ou sim? A escolha é sua!

Eu nunca fui uma pessoa positiva, porém não sou negativa (substituo a palavra negativa por realista). Somos ensinadas desde sempre que a realidade não é algo legal, é algo penoso para ser vivido. Entendi muito bem esta lição. Então a palavra “não” rege muito mais a minha vida do que a “sim”.

Nada mais limitador que o não, mais ainda quando não há motivo. Não são poucos os adultos do nosso convívio (pais, professores, avós, tios) que dizem a palavra “não” sem motivo. Por que não posso fazer isso? Por que não posso comer isso antes do jantar? Por que não posso colocar o dedo na tomada? Apenas dizer “não” nos limita e nos intimida sem ao menos entendermos o motivo daquilo ser dito. E a negatividade acaba transformando o elogio em algo não merecedor. E quando digo “elogio” quero deixar bem claro o poder do sim e do não emanando em outras palavras, o positivo e o negativo.

O não é algo forte. Para pessoas que, como eu, pensam sempre o pior, o “não” é confortador também. Quando algo dá errado, sorrimos e nos sentimos satisfeitas. “Viu, estava certa”, pensamos. O “não” é também sempre certeiro. Quando a pessoa diz, não me parece duvidar nem estremecer. Ela sabe o que está dizendo. Esta mesma energia não sinto no “sim”. Sempre me parece duvidoso o ato da pessoa ser positiva e dizer “sim”, como se estivesse me dizendo isso para eu ficar feliz, para me confortar.

O “não” de fato fecha portas. Te impossibilita de fazer o que quer fazer. Vejo poucos adultos dizendo algo além do “não” para seus filhos. Vejo poucos professores que dizem “sim” ao invés de “não” para seus alunos. Vejo o “não” no nosso vocabulário e no nosso pensamento muito mais forte do que o “sim”. Somos regidos pelo “não”. Pelo negativo. Somos ensinadas a aceitar o “não” com tranquilidade e não concordar com o “sim” (quem nunca rejeitou um elogio? Tem gente que, quando ouve algo negativo, concorda e diz mais elementos negativos para reforçar o “não”).

Porém o “não” também é necessário. Como diria uma música do Ira!, é impossível ser feliz o tempo inteiro. E, num outro verbete, que rir de tudo é desespero. O “não” precisa ser dito no momento certo. Ser falado quando de fato não estamos a fim. Quando não queremos. Mas não devemos fazer com que o “não” seja um vício. De dizer porque o “não” já é reconfortante ao invés de pensar melhor sobre. Lembrando que o “não” errado fecha portas que poderiam ser abertas e nunca mais serão destrancadas uma vez fechadas. Se o “não” já virou um vicio, que tal experimentar um “sim” de vez enquanto?

O “sim” traz a abertura de portas. Quem nunca ficou com medo de dizer “sim” para uma coisa totalmente nova por medo do que ela pode fazer na sua vida? Dizer “sim” também pode ser empoderador e mágico. Não foram poucas as vezes que eu me deparei com um momento onde eu quis dar uma resposta positiva a algo inovador na minha vida, mas não disse com receio do que aquilo poderia trazer nas vias de fato para ela.

Entretanto, todas as vezes que eu me permiti uma mudança, que eu disse “sim” para algo novo, que eu disse “sim” para alguém novo, eu me surpreendi. Pode ser uma surpresa maravilhosa, algo arrebatador na sua vida. Uma experiência profissional ou acadêmica incrível que abre as portas pra gente, ou uma amiga/relacionamento novo que nos completa e nos deixa melhor do que antes. Mas também pode ser algo ruim, é claro. Só que esse algo ruim sempre acaba nos fortalecendo. A vida é feita de momentos de glória e momentos de azar. E os momentos de azar sempre nos tornam mais fortes e mais sábias.

O que acaba pesando no final de tudo é que nós temos o poder do “sim” e o poder do “não”. O poder de dizer em determinado momento que não queremos aquilo, de jeito nenhum, e o poder de dizer que aceitamos o novo e estamos preparadas para o futuro incerto daquela experiência nova. E então, você está preparada para fazer a sua melhor escolha?

Bia Quadros
  • Coordenadora de Música
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo
  • Ilustradora

Bia na verdade é Beatriz e tem 20etantos anos. É do RJ, nunca saiu de lá e é formada em Artes Visuais. Transita entre ilustrações, pinturas, textos, crianças e frustrações. Tudo que está ligado a arte faz, sem vergonha e limite. Já fez algumas exposições, já fez algumas vitrines, vive fazendo um monte de coisa. Uma Metamorfose Ambulante.

Nathalia Valladares
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Ilustradora

Sol em gêmeos, ascendente em leão, marte em áries e a cabeça nas estrelas, Nathalia, 24, é uma estudante de Design que ainda nem sabe se tá no rumo certo da vida (afinal, quem sabe?). É um grande paradoxo entre o cult e o blockbuster. Devoradora de livros, apreciadora de arte, amante da moda, adepta do ecletismo, rainha da indecisão, escritora de inúmeros romances inacabados, odiadora da ponte Rio-Niterói, seu trânsito e do fato de ser um acidente geográfico que nasceu do outro lado da poça. Para iniciar uma boa relação, comece falando de Londres, super-heróis, séries, Disney ou chocolate. É 70% Lufa-Lufa, 20% Corvinal e 10% Grifinória.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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