18 de abril de 2015 | Relacionamentos & Sexo | Texto: | Ilustração: Jordana Andrade
Negging: a arte de ser um babaca
Ilustração: Jordana Andrade

Vivemos numa sociedade opressora em diversos modos, e um deles é contra a mulher. É de conhecimento comum – espero – que nós, mulheres, independentemente do sexo biológico, sofremos diárias e constantes cobranças e pressões para que alcancemos o padrão de beleza que nos foi imposto. Ainda que seja impossível, continue tentando, é a mensagem que recebemos pelos comerciais, revistas e outdoors.

Sabendo dessa pressão, criou-se uma técnica de ‘conquista’ amplamente explicada em palestras do suíço Julien Blanc, chamada negging, que vai cutucar justamente a ferida: atingir a autoestima feminina. Como se já não passássemos por isso todos os dias. Adendo para o fato de que os caras pagam, mais ou menos, $3.600 para aprimorar a técnica de ser um completo babaca e a gente achando que a babaquice vinha de graça — olha que ingênuas, eles se esforçam. Dentre os ensinamentos ridículos de Blanc, há a ideia de que agarrar uma mulher pelo pescoço é uma boa. Preciso falar mais? Não, mas vou falar do negging porque creio que existam muitas meninas passando por isso e nem sabem.

Negging ocorre quando o cara, na maioria das vezes de forma bem sutil, tenta te rebaixar para te conquistar. Dizendo assim já soa absurdo, não? Não faz sentido. Mas faz para eles. Segue a “lógica”: a mulher está acostumada a ser tratada como um prêmio supremo a ser disputado, os homens devem conquistá-la, seu ego e autoestima são muito elevados por isso (porque, claro, a gente só vive pela aprovação masculina, né), então ao rebaixá-la, o cara a tira do pedestal, a confunde (essa parte é verdadeira, eu ficaria profundamente confusa com o que raios esse idiota acha que está fazendo e quem ele pensa que é) e daí ela busca a aprovação dele, que a rejeitou, fazendo-a ficar submissa e abaixando a bola para ele, O Cara. Como diria Robertinha Miranda, olho para o meu teclado e não sei o que dizer, apenas sentir.

Como desgraça pouca é besteira, um brazuca de nome Eduardo Playtool resolveu adaptar as técnicas para a realidade brasileira, dado que temos diferentes níveis sociais, educacionais, financeiros etc. Se ele colocasse essa disposição para o bem, hein, já pensou? Podia tirar o xará dele da Câmara dos Deputados. Vou nem me aprofundar nos outros tópicos tratados porque são cheios de preconceito pesado e incitam a cultura do estupro.

Voltando ao negging em específico. Algumas abordagens são bem variadas, mas você pode facilmente identificar. O moço vai dizer que algo no seu look não combina, que a raiz do seu cabelo já está aparecendo, que seus olhos parecem lentes, que sua depilação já passou da hora e por aí vai. Amiga, se você se pegar numa situação na qual se sinta desconfortável, é um grande alerta vermelho, não importa a circunstância.

Se o cara tenta rebaixar sua autoestima é porque ele mesmo é tão inseguro de si que precisa de alguém ainda mais inseguro que ele, de outra forma ele não é capaz de lidar, porque tem a necessidade de se sentir superior. Você quer estar com alguém assim? Claro que não! Corte imediatamente esse fiscal de tinta de cabelo e mande ele se colocar em seu devido lugar, que é bem longe de qualquer mulher.

Priscylla Piucco
  • Membro do Conselho Editorial
  • Coordenadora de Relacionamentos & Sexo

Priscylla. Apaixonada por seriados, kpop, reality show ruim, Warsan Shire e as Kardashians. Odeio o Grêmio e cebola. Prazer, pode chamar de Prih agora.

  • Laíza

    Eu já vi um desses caras dando entrevista no programa da Marília Gabriela. Não sei se é o tal Eduardo mencionado no texto, mas a técnica é a mesma: deixar a mulher insegura e confusa para que ela tente conseguir a aprovação do homem de qualquer forma. O cara dá cursos, palestras e tem até um e-book ensinando outros caras a aprimorarem a técnica! Também já ouvi falar disso em sites e blogs “masculinos”. É complicado.

    • Priscylla Piucco

      Acham bonito ainda pra ensinar, né hahaha vou procurar esse da Marília Gabriela para ver se é o mesmo.

  • ju

    Meu deus, essa estupidez “PUA” não acaba nunca.
    E vai Grêmio, rsrs

    • Priscylla Piucco

      POOXA, grêmio não! HEUHAUSHE

  • http://www.lucicaroline.com.br/ Luci Caroline

    Xii.. desse tipo tá cheio. Meu pai, sem ele perceber, faz isso com minha mãe, que revida dizendo “e essa sua barriga ai?”. Amo mainha porque ela não se deixa rebaixar, ao contrário, se acha até dimais. Voltarei.

    • Priscylla Piucco

      Ah, também tem disso na minha família! Parece que naturalizaram já, sabe? Como se fosse algo okay fazer.

      • http://www.lucicaroline.com.br/ Luci Caroline

        Já é da criação. Meu marido é assim também, mas comigo ele não tira farinha não. Sou muito boa, perdoo fácil, mas quando vejo que é sacanagem, não deixo barato.

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