27 de setembro de 2015 | Música | Texto: | Ilustração: Isadora M.
Nem indie nem pop: Grimes

A primeira vez que escutei a voz de Claire Boucher, conhecida como Grimes, eu achei tudo muito estranho. Era mais um daqueles dias em que você está sem nada para fazer e resolve procurar algo novo pra escutar. Eu ,no caso, recorria ao bom e velho last.fm e a sites como o extinto We Are Hunted , onde eu conseguia filtrar por categorias, como por exemplo “vocais femininos”. Logo reparei na foto de uma menina de cabelos de duas cores, uma figura enigmática, que não transparecia o tipo de música que tocava. Confesso que só após assistir ao clipe de Oblivion é que comecei a entender aquela mistura toda que a Grimes propunha, e adorei.

Isso foi em 2012, mesmo ano em que Grimes lançou o álbum Visions (seu terceiro álbum de estúdio),  que ganhou destaque como um dos álbuns do ano . Visions foi gravado inteiramente no  GarageBand, (software da Apple que permite que os usuários criem músicas e mixagens a partir de sons e simuladores de de instrumentos digitais) mas em momento algum soa como algo amador, pois música feita por Grimes possui um ritmo único e muitas distorções de voz, além de sintetizadores e efeitos. Ela foi inclusive, a criadora da capa dos seus álbuns, pois além de cantora, ela também é uma ilustradora incrível.

Grimes também é conhecida por seu visual excêntrico que mescla diferentes estilos, sem contar as inúmeras mudanças que faz em seu cabelo. Ela não se preocupa em vestir um só estilo de roupa, e transita entre o que é considerado feminino e masculino em questão de moda. Já foi capa de revistas como a V Magazine e Dazed And Confused; essa última, sairá agora para venda e traz um editorial da artista, que fala sobre seu novo álbum, questões sobre feminismo e sexismo na indústria musical.

Certa vez, Grimes publicou em seu tumblr um texto sobre as dificuldades que enfrentava no circuito musical por ser uma mulher. Sua principal queixa, era de que as mulheres sofriam grande preconceito por fazerem músicas, ainda em pelo século XXI. Declaradamente feminista, ela também disse que, por isso, muitas vezes foi mal interpretada e vista como alguém que odiasse homens; mas o fato é que ela apenas é contra o sexismo e também exige que as mulheres tenham os mesmos direitos e sejam respeitadas por outros. E é por isso que seu próximo álbum promete conter letras de cunho mais político e social, sem contar que toda a parte musical será feita com instrumentos de verdade – e não através de softwares – já que Grimes aprendeu a tocar determinados instrumentos.

Claire Boucher, ou Grimes, é o tipo de artista que mais representa nosso tempo: ela interage nas redes sociais com seus fãs, imprensa, busca novas inspirações e combinações musicais e estéticas, mesmo em um tempo tão esgotado artisticamente. E ela já demonstrou que não pretende parar tão cedo, apesar de toda dificuldade que enfrenta como mulher em um meio ainda muito machista.

Se você se interessou por ela, aqui alguns links:

Twitter
Facebook
Tumblr
Instagram

Isadora M.
  • Coordenadora de Ilustração
  • Colaboradora de Artes
  • Colaboradora de Estilo
  • Ilustradora

Isadora Maríllia, 1992. Entre suas paixões estão: Cookie Monster, doces, histórias de espiãs (como Harriet The Spy e Veronica Mars), gatos e glitter. No entanto, detesta bombom de abacaxi e frutas cristalizadas.

  • http://equantoapepsi.blogspot.com.br Juliana

    Assim que li fui dar uma pesquisada na cantora, gostei

Sobre

A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

Arquivos