18 de outubro de 2015 | Ano 2, Edição #19 | Texto: | Ilustração: Heleni Andrade
Ninguém é perfeito

Crescer é um processo e tanto, cheio de altos e baixos e descobertas que mudam a nossa vida para sempre. Uma delas, e das mais importantes, se dá quando finalmente percebemos que as pessoas que nos rodeiam não são perfeitas e têm os mesmos sonhos, medos e dúvidas que nós.

Quando somos crianças temos aquela ideia de que o adulto sabe tudo, não é? Que o adulto resolve todos os problemas, sabe todos os caminhos e tem resposta para todos os questionamentos do mundo. Mas daí a gente cresce e se dá conta que as coisas não são bem assim.

Eu lembro de uma vez que a minha mãe foi convidada para dar uma aula inaugural e nós duas ficamos super animadas com a ideia. Ajudei ela a fazer o planejamento, bati o texto e dei palpite na roupa que ela usaria. Tudo parecia perfeito para o grande dia e, até então, eu nunca tinha visto a minha mãe desistir de nenhum evento de trabalho. Bom, até aquele fatídico dia.

Minutos antes de entrar no auditório, ela simplesmente travou! Não saía nenhuma palavra da sua boca e eu percebi que ela começou a suar muito. A cena seguinte – nós duas no banheiro, eu segurando a sua mão enquanto ela se recuperava do ataque de ansiedade – foi um divisor de águas para mim. Naquele exato momento eu enxerguei a minha mãe com outros olhos. Ela não era mais a super heroína que dava conta da casa, do trabalho e dos filhos sem esboçar nenhuma imperfeição; ela era humana, igual a mim. Passível de erros e acertos, que fica nervosa e que também pede ajuda.

Crescer é mais do que só acumular experiências ou ter um cartão de crédito com o seu nome nele; é entender que todos que estão ao nosso redor – seja o seu pai, a sua professora ou até mesmo aquele ator que você adora –, todos nós, sem exceção, somos seres humanos que falham, uma hora ou outra, mas que nem por isso devem se sentir menos orgulhosos dessa jornada que chamamos vida.

Júlia Freitas
  • Colaboradora de Relacionamentos & Sexo

Júlia Freitas, jornalista em busca do mestrado perfeito, se interessa por tantas áreas que não sabe por onde começar. Típico de libriana. Militante afrofeminista e dos movimentos sociais, morou em Nova Iorque e lá estudou de tudo um pouco. Mas o dendê corre na veia e ela voltou pra Bahia. Por enquanto.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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