13 de outubro de 2014 | Cinema & TV | Texto: , , , and | Ilustração: Isadora M.
Nossos filmes da infância!

Para o post de hoje, decidimos falar dos nossos filmes preferidos quando criança!

Bárbara Reis

Mulan (1998):  Sempre gostei muito de filmes da Disney, mas o meu amor por Mulan é, desde muito pequena, superior a qualquer outro. Cheguei a assistir ao filme tantas vezes que a fita “estragou” – apesar de eu achar que essa foi só uma desculpa dos meus pais para que eu parasse de vê-lo em loop – e sei todas (sim, todas) as músicas de cor até hoje. Por mais que eu adorasse princesas também, eu achava maravilhoso ver uma menina que não se ajustava a esse destino que haviam escolhido para ela – ser a esposa “perfeita”, tradicionalmente feminina, dependente e submissa –, assumir o desafio enorme de pegar um caminho diferente e triunfar – salvando a China e fazendo todos que a conhecem questionarem os seus conceitos. Inspirador é pouco.

 

Nicole Ranieri

A Princesinha (A Little Princess,1995): Eu sempre fui meio louca por coisas relacionadas à Índia, então as histórias que a pequena Sarah de A Princesinha contava para as meninas do internato me cativavam tanto quanto a elas. Assim que o pai da criança é convocado para a guerra, eles se mudam do calor da Índia para a chuva gelada de Nova York, onde Sarah pode estudar no melhor internato para meninas do país enquanto o pai se ausenta. São muitas meninas vivendo juntas, compartilhando suas infâncias ausentes de amor, substituído pelos luxos que o dinheiro pode comprar. E quando ela supera o esnobismo e o preconceito racial e de classe, vai puxar papo com a Becky, a criança negra que limpa a escola sozinha (absurdos americanos do século passado!)? Meu coração feminista interseccional quase gritava. Mas além desses fatores, o que eu mais gostava sobre esse filme é que ninguém era completamente má. Mesmo a diretora megera e a aluna riquinha arrogante se mostram vítimas de consequências do tempo, da guerra e da podridão da sociedade, mas que no fundo também têm suas fraquezas e a capacidade de amar e perdoar.

Highlights: Os vizinhos indianos!

Os Batutinhas (The Little Rascals, 1994): Como vocês podem bem perceber, eu gostava muito de comunidades infantis! Esse filme tem tudo o que uma criança pode querer: um Quartel General feito por elas mesmas, meninos dançando ballet, uma feira onde elas vendem frango frito, músicas sobre picles, uma corrida de carros feitos em casa e Whoopi Goldberg. Ainda que tivesse a rixa meninos vs. meninas e eles só se relacionem por questões amorosas, eu achava a coisa mais genial do mundo quando o menino rico sabota a água do Alfalfa com sabão e ele solta bolhinhas enquanto canta.

Highlights: A música que o Alfalfa canta, em português, era “Eu sou um barbeiro de Sevilha! Fígaro, fígaro, fí-ga-ro!”. Eu entendia tudo errado e cantava a plenos pulmões “Eu sou um bavero de sem pilha! Fígado, fígado, fí-ga-do!” e tudo fazia muito sentido na minha cabeça.

 

Georgia Santana

A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965): Eu poderia falar de uma série de filmes que marcaram a minha infância, mas escolhi falar de A noviça rebelde pelo simples fato de que é o único filme musical que eu gosto. E a razão pra isso é que a história é simples e maravilhosa, se passando numa Áustria recém-invadida por Hitler no começo da Segunda Guerra Mundial e com músicas que eu já conhecia antes de assistir ao filme.

A história conta sobre Maria (Julie Andrews), uma noviça que está incerta de seu futuro como freira e como “punição” é mandada pra casa da família Von Trapp para cuidar de 7 crianças, que são órfãs de mãe. É interessante ver como a Maria se adapta à casa cheia de disciplina do capitão Von Trapp, como ela se adapta às crianças que não são fáceis com as governantas. E como elas – as crianças – não se adaptam muito bem com a futura madrasta delas – o pai delas está prestes a se casar com a baronesa. Como a família lida com a guerra e como o próprio capitão está lidando com o iminente casamento e a relação com os filhos. É uma história simples e que me comove sempre que vejo. Adoro e canto as músicas. E foi um filme que vi tarde na infância, mas me comove até hoje, toda vez que passa na TV, eu vejo. E choro.

 

Natasha Ferla

O Rei Leão (The Lion King, 1994): Quem não conhece as aventuras do pequeno leão Simba? Já devo ter visto esse filme milhões de vezes e não pude perder quando há uns anos passou nos cinemas em 3D novamente. Certamente um dos filmes mais conhecidos da Disney, fez parte da infância de muita criança dos anos 90 que tinha a fita amarela e verde em casa. Além do filme, eu gostava bastante do desenho do Timão & Pumba que passava no Disney Channel (ou na TV Cruj mesmo ahah).

O Ratinho Detetive (The Great Mouse Detective, 1986): É um daqueles filmes da Disney que é pouquíssimo conhecido e a chance de tu ter visto é bem pequena, apesar de ser um dos grandes clássicos do estúdio. Basil é um famoso detetive da Baker Street que, junto com seu fiel companheiro, vai atrás de um fabricante de brinquedos desaparecidos e, então, descobrem que tudo foi planejado pelo terrível Ratagão. Passado no submundo da Era Vitoriana em Londres do final do século XIX, o filme não possui muito daquele toque alegre conhecido pela Disney. A história da pequena Olívia que tem seu pai desaparecido no dia do seu aniversário é seguida por uma cidade que sempre chove, é fria e cheia de neblina. O filme é baseado no livro Basil of Baker Street, de Eve Tutis, na mesma linha de Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle. Sempre que eu penso nos filmes da minha infância, os primeiros que vêm à minha mente são sempre os da Dinsey e, entre eles, O Ratinho Detetive – única fita copiada que eu tinha na minha coleção! Apesar de hoje achar que ele tem várias coisas meio bizarras pra um filme infantil, acho que sempre fui chegada em coisas meio sombrias.

 

Giulia Fernandes

A Família Addams (The Adams Family, 1991): Na infância, eu era ligeiramente gótica e um pouquinho esquisita, portanto, quando minha mãe colocou a fita de A Família Addams no videocassete pela primeira vez, foi amor à primeira vista. Baseado nos cartoons de Charles Addams, os Addams são uma família rica e excêntrica; o pai Gomez (Raúl Juliá), os filhos sádicos Pugsley (Jimmy Workman) e Wednesday (Christina Ricci), a vovó bruxa (Judith Malina), o estranho tio Fester (Christopher Lloyd), um mordomo similar ao monstro do Dr. Frankstein (Carel Struycken), uma mão desmembrada do corpo simpaticíssima chamada Coisa (Christopher Hart) e, finalmente, meu grande amor do mundo fictício, Mortícia Addams (Anjelica Huston). Mortícia é a matriarca bruxa, pálida, gótica, bilíngue e cultivadora de plantas carnívoras. Eu era uma grande admiradora de seus vestidos longos e de sua personalidade única. As mulheres formam a parte mais interessante da família, Wednesday é uma criança incrivelmente inteligente e Mortícia sempre incentivou a menina a expressar sua forte personalidade, mesmo na forma de tentativas de assassinato contra o seu irmão, Pugsley. Era reconfortante como os personagens dessa família fora dos padrões socialmente aceitáveis me faziam sentir menos deslocada, os Addams me ajudaram a abraçar minha própria esquisitice e celebrar as diferenças.

E aí, quais foram seus filmes de criança?

Natasha Ferla
  • Coordenadora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Estilo
  • Audiovisual

Natasha Ferla tem 25 anos e se formou em cinema e trabalha principalmente com produção. Gosta de cachorro, comprar livros e de roupas cinza. Gosta também de escrever, de falar sobre o que escreve porque escreve melhor assim. Apesar de amar a Scully de Arquivo X sabe que no fundo é o Mulder.

Bárbara Reis
  • Colaboradora de Cinema & TV

Bárbara Reis tem 18 anos, é paulista e estuda Jornalismo na ECA. Acha que a internet é a melhor coisa que já aconteceu, é fascinada por novas linguagens e tem o péssimo hábito de acumular livros para ler e séries para assistir. O seu pior pesadelo envolveria insetos, agulhas, generalizações, matemática e temperaturas acima de 27ºC.

Giulia Fernandes
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

Giulia Fernandes, 17 anos, Rio de Janeiro, estudante. Meus interesses são: film noir, batons roxos, criptozoologia, árvores centenárias, garimpar livros e LPs, colecionar caracóis e algumas vezes outras coisas também.

Georgia Santana
  • Coordenadora de Revisão
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Colaboradora de Esportes

25 anos, do Rio de Janeiro, mas passou a primeira infância em Natal - RN. Estuda Biblioteconomia na UFRJ. Assiste a qualquer tipo de competição esportiva e lê muitas biografias / autobiografias e já chorou de emoção ao comer caldinho de sururu. Odeia barulhos, luz artificial e frio. 90% lufa-lufa, 10% sonserina.

Nicole Ranieri
  • Colaboradora de Culinária & FVM
  • Colaboradora de Cinema & TV
  • Vlogger

Nicole é Paulista de 22 anos, mas mora em todos os lugares e pertence a lugar nenhum. Estuda administração com foco em exportação mas é gente boa, não gosta de tomate mas é uma pessoa do bem, curte uma coisinha mal feita e não recusa jamais uma xicara de chá verde. Se fosse uma pizza, Nicole seria meia espinafre, meia cogumelo.

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A Capitolina é uma revista online independente para garotas adolescentes. Nossa intenção é representar todas as jovens, especialmente as que se sentem excluídas pelos moldes tradicionais da adolescência, mostrando que elas têm espaço para crescerem da forma que são.

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